Massa diz estar pronto para ser campeão

liviooricchio

24 de fevereiro de 2007 | 17h42

Esta entrevista com o Felipe Massa estará na edição de amanhã do Estadão.

É muito cedo, ainda, mas o simples fato de existir a possibilidade de um piloto brasileiro voltar a disputar o título mundial já criou grande expectativa com relação ao campeonato que começa dia 18 de março na Austrália. Felipe Massa terminou o ano de 2006 levando o público ao delírio em Interlagos, ao vencer o GP do Brasil, o que não ocorria desde 1993, com Ayrton Senna, e demonstra nos testes que antecedem a temporada forma espetacular.

“Treino é treino e corrida é corrida”, como ele mesmo lembrou nesta entrevista exclusiva do Estado, depois de ser o mais rápido quinta-feira nos testes de Bahrein. Mas ser regularmente mais veloz que o conceituado companheiro de Ferrari, Kimi Raikkonen, bem como a equipe dar mostras de poder dar seqüência ao seu padrão de excelência, campeã de 1999 a 2004, não é obra do acaso. O Brasil vai, sim, para a prova de Melbourne com esperanças renovadas de resgatar um pouco daquele sonho de fazer milhões de pessoas levantarem mais cedo aos domingos para assistir às corridas de F-1. Graças a Massa. “O que vai acontecer só Deus sabe”, diz ele.

Michael Schumacher se aposentou como piloto. A Ferrari não concentra mais suas atenções em um único piloto. Está mais fácil para você poder expor sua capacidade?

Não foi só o Schumacher que deixou a Ferrari, mas o Ross Brawn (diretor-técnico) também, dentre outros. As coisas mudaram, mas não muito. Antes era o Schumacher quem dava a direção a ser seguida, sempre foi bastante preciso ao compreender o que em especial precisava ser mais desenvolvido no carro. Fazia sentido a Ferrari ouvi-lo mais, ele era muito capaz. Mas a partir da segunda metade de 2006, passei a ganhar mais e mais importância nesse processo. Ajudei muito o desenvolvimento do nosso carro. Posso sentir o respeito que ganhei na equipe este ano, como apreciam minhas informações. Vivo um excelente momento na Ferrari.

Você tem sido com freqüência mais veloz que o Raikkonen. Essa diferença é real ou decorrente da condição de cada um no teste?

É importante estar na frente. Como disse, as coisas estão indo muito bem para mim na equipe, tenho dado um melhor feedback e estou mais adaptado ao carro. Minha referência de trabalho aqui era o Schumacher, altíssima, ele me fez crescer, atingir nível elevado de competitividade. Venci duas vezes, ano passado, mas poderia ter ganhado mais provas. Agora, não duvido que o Kimi será também muito veloz, como sempre foi. Vamos ver depois de adaptado ao carro e à Ferrari.

Depois de um início de pré-temporada que parecia difícil para a Ferrari, hoje há um consenso de que vocês são os mais bem preparados para o início do campeonato.

Quanto ao nosso carro, sem dúvida já mostrou o que pode fazer. É rápido e constante. Aqui em Bahrein, com temperatura um pouco mais elevada que na Europa, testamos os pneus duros e moles e o desgaste continuou baixo. O F2007 é muito bom e semana que vem testaremos, aqui mesmo, novidades na aerodinâmica. Mas não será um campeonato fácil para ninguém. Vejo a McLaren e a BMW muito bem e a Renault não pode ser desprezada, são bicampeões. Pode ser como em 2003, muito disputado mesmo (8 pilotos de 5 equipes dividiram as vitórias nas 16 etapas).

Desde 1994 os brasileiros não sonham com a possibilidade de outro título. Você parece ter acendido essa chama de novo.

É o que eu mais quero, sinto-me preparado, mas nunca vou prometer nada.

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