Massa diz na Hungria: "Aqui ganho eu."

liviooricchio

29 de julho de 2010 | 19h47

29/VII/10

GP da Hungria

Livio Oricchio, de Budapeste

  Felipe Massa não poderia ser mais objetivo, ontem no circuito Hungaroring, em Budapeste, ao responder o que acontecerá se domingo, no GP da Hungria, estiver liderando, na frente do companheiro de Ferrari, Fernando Alonso. Há cinco dias, no GP da Alemanha, Massa desacelerou para o espanhol vencer. “Aqui ganhou eu.” Falou de bate pronto, ontem, como se esperasse a pergunta. A maioria não acredita. A Ferrari não mudaria sua política principalmente agora que Alonso entrou na luta pelo título. Possui 123 pontos diante de 157 de Lewis Hamilton, McLaren, o líder.

  Semblante abatido, barba por fazer, olhar distante, visivelmente atingido com o profundo desgaste experimentado domingo no circuito de Hockenheim. Esse era o retrato de Massa, ontem, na pista húngara. Antes de atender a um batalhão de repórteres, foi ao hospital do circuito cumprimentar um a um o pessoal que o resgatou do cockpit da Ferrari acidentada, há um ano, e o corpo médico. Massa disse estar consciente da impressionante reação da torcida brasileira, que literalmente o excomungou. É provável que o desgaste evidente venha dessa noção.

  Diante da destruição da sua imagem no Brasil, você deixaria Alonso passar de novo, atenderia a ordem da Ferrari, questiona o repórter do Estado. “A gente tem de pensar em muitas ocasiões. Em 2007 ajudei a equipe ser campeã e fiquei contente, apesar de chateado de não vencer no Brasil. Eu sei o que estou fazendo agora, sei a minha direção, depende muito das ocasiões.” Massa não respondeu o que lhe era solicitado.

  O que aconteceria se você não deixasse o Alonso passar foi outra dúvida da imprensa. “É difícil falar ponto por ponto daquilo que aconteceu, não vale a pena. Vale a pensar pensar para a frente e eu sei o que faço, o que é melhor para minha carreira.” E emendou: “O dia que eu me sentir segundo piloto eu paro de correr.” A imagem da Fiat, banco Santader e Shell, parceiras da Ferrari, ficou muito arranhada, principalmente no Brasil, com a ordem de equipe em Hockenheim. Você discutiu o fato com a Ferrari?

  Massa comentou: “Tenho de fazer o trabalho visando o melhor para mim como piloto e brasileiro.” Comentou que tudo o que fez na vida até hoje foi pelo Brasil, nação que ama. A verdade é que mais uma vez Massa não respondeu. A mesma política manteve Fernando Alonso, o maior beneficiado, como sempre, que se esquivou da polêmica. “No aeroporto havia muitos fãs, aqui também e o importante é que voltamos a ter um carro competitivo.” Disse não se importar com tudo o que estão falando. “Voltei para casa, domingo, na Suíça, não tenho internet, fazia calor, fiquei na piscina pensando no GP da Hungria”, desdenhou o espanhol.

  Os treinos livres da prova de Budapeste começam hoje e há previsão de chuva, o que não deverá ocorrer amanhã, na importante classificação, por causa da quase impossibilidade de ultrapassar no circuito, e domingo, na corrida. “Acredito numa luta dura com Ferrari e McLaren”, previu, ontem, Sebastian Vettel, da Red Bull, terceiro no campeonato, empatado com o companheiro, Mark Webber, com 136 pontos.

  A Ferrari está tão segura de que voltou à luta pelo Mundial que na próxima etapa, o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, dia 29 de agosto, estreia um carro com ainda mais modificações estruturais que o apresentado em Valência, dia 27 de junho. Todo o conjunto traseiro é novo. A transmissão mais compacta e alta, semelhante à da Red Bull, premitiu redesenhar o duplo difusor, o principal componente técnico da temporada, a fim de aumentar a geração de pressão aerodinâmica.

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