Massa e Alonso falam da ultrapassagem. Depois de serem orientados pela Ferrari.

liviooricchio

19 de abril de 2010 | 00h07

19/IV/10

GP da China

Livio Oricchio, de Xangai

 

  No GP da Bahrein, abertura do Mundial, Fernando Alonso ultrapassou Felipe Massa na segunda curva depois da largada. Na etapa seguinte, Austrália, Alonso colocou sua Ferrari lado a lado com a de Massa, e tirou o pé do acelerador na entrada da curva 3, respeitando a trajetória preferencial do companheiro. Tudo conforme Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, pede que se comportem.

  Ontem no GP da China, no entanto, Massa e Alonso se preparavam para trocar pneus de pista seca pelos intermediários, na 20.ª volta, de um total de 56, e Alonso obrigou Massa a ir para a grama na pequena e estreita reta antes da entrada dos boxes porque o espanhol forçou a ultrapassagem para ter a preferência no pit stop. “Nós esperávamos Felipe e por isso os pneus para fora do box eram os seus. Mas quando vimos quem estava na frente era Fernando. Tivemos de levar os pneus já prontos para Felipe para dentro e trazer logo os de Alonso”, explicou Domenicali.

  A cara de Massa depois da corrida não foi compatível com o discurso conciliador. “Eu errei na última curva, já com água, as rodas patinaram na saída e o Alonso se colocou no meu lado. A fim de evitar um choque, que seria ruim para a equipe, deixei que passasse.” Falou mais: “Tive de esperar ele trocar os pneus para a equipe substituir os meus, o que me fez perder três colocações.” Massa foi seco ao comentar o assunto. E quando a imprensa brasileira lhe perguntou, informalmente, “tudo bem mesmo?”, respondeu com aquela cara de que é melhor não falar nada.

  Alonso também recebeu orientação da direção da Ferrari para falar o politicamente correto: “Às vezes um carro tem os pneus mais desgastados que o outro e se torna mais lento. Felipe estava mais lento à minha frente, depois de patinar na saída de curva, e considero normal tê-lo ultrapassado.”

  Não há dúvida de que o ocorrido ontem em Xangai terá desdobramentos. É provável que a lua de mel entre os dois tenha acabado. Da próxima vez que Alonso abusar, como ontem, contando com a boa vontade de Massa, deverá ficar surpreso com a sua reação.

  Independente do fato, a corrida dos dois foi bastante distinta: como acontece nessas ocasiões em que há grande alternância nas condições da disputa, como ontem, seco, molhado e muito molhado, Alonso corre como poucos. Chama para si a responsabilidade e se supera. Já a regra geral para Massa é realizar um trabalho apático, distante dos mais eficientes, uma das razões para ter caído de primeiro para sexto no campeonato.

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