Equipes precisam dos equipamentos que estão em Xangai para disputar o GP da Espanha

liviooricchio

19 de abril de 2010 | 00h00

19/IV/10

GP da China

Livio Oricchio, de Xangai

 

  “A Ferrari e as demais equipes não tem, nas fábricas, carros e os equipamentos necessários para se apresentar em Barcelona, sem o que está aqui em Xangai, a fim de disputar o GP da Espanha”, afirmou, ontem, o diretor do time italiano, Stefano Domenicali. O comentário dá bem uma ideia do imenso problema da Fórmula 1 decorrente da interrupção de milhares de voos por causa da erupção do vulcão na Islândia.

  Tarde da noite, o assessor da Ferrari, Luca Colajanni, informou que a equipe fretou um avião para levar os seus cerca de 80 integrantes de volta a Itália. “O aeroporto de Roma está aberto. Vamos decolar amanhã (hoje) à noite ou terça-feira de manhã”, disse Colajanni. E ofereceu aos jornalistas que desejassem regressar à Europa a possibilidade de viajar no avião. Muita gente sem saber o que fazer aceitou correndo, mesmo sem conhecer o valor do rateio do fretamento.

  Os chineses distribuíram ontem no autódromo um comunicado convocando praticamente a Fórmula 1 toda a comparecer hoje no Shanghai Foreign Affair Office (Escritório dos Negócios Exteriores), no centro da cidade, às 14 horas, portando documentos e duas fotografias. Todos terão de estender a validade do visto. Calcula-se que sejam cerca de duas mil pessoas, no mínimo.

  Como até o fretamento da Ferrari surgir como opção muitos não sabiam como regressar a seus países, e quanto tempo seria a estada em Xangai, milhares de profissionais combinaram de atender à exigência dos chineses. Até em razão de o não cumprimento implicar consequências sérias. Com a China não se brinca nessas coisas.

  Sábado e domingo no circuito foram marcados por histórias de profissionais descobrindo rotas alternativas de estar nos aeroportos abertos da Europa. E muitos gastaram quantias elevadas de dinheiro. Teve gente que comprou passagem pela internet para a África e depois Portugal. Lá alugaria carro para ir à França, Inglaterra. Outros seguiriam a Hong Kong, Cairo e Barcelona, outro aeroporto aberto. As soluções encontradas foram as mais engenhosas, embora pouco atentas à geografia do planeta.

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