Massa e Alonso juntos na Ferrari em 2010

liviooricchio

30 de setembro de 2009 | 14h26

30/IX/09
GP do Japão
Livio Oricchio, de Suzuka

Há um consenso na Fórmula 1: a Ferrari terá a dupla de pilotos mais forte da próxima temporada: Felipe Massa e Fernando Alonso. O competente piloto espanhol, hoje na Renault, assinou contrato com os italianos por três anos. Receberá em cada temporada, comenta-se, US$ 25 milhões (cerca de R$ 45 milhões). “Pilotar uma Ferrari é o sonho de todo piloto e hoje tenho a sorte de realizá-lo”, afirmou Alonso no comunicado oficial da equipe.

Mas a quase necessidade de esse asturiano de 28 anos, duas vezes campeão do mundo, em 2004 e 2005 com a Renault, sentir-se o centro das atenções de seus times pode vir a comprometer os planos de uma nova época cheia de sucesso de Luca di Montezemolo e Stefano Domenicali, presidente e diretor da Ferrari. Assim como das empresas que vão investir elevadas somas na Ferrari, a exemplo do banco Santander. Administrar os espaços de cada piloto será o desafio da Ferrari para obter novas conquistas caso tenha outro grande carro em 2010..

Será para Domenicali um grande teste de capacidade gerir a relação de dois jovens talentosos, velozes, de sangue quente e que não abrem mão das vitórias. Seria surpreendente se Massa e Alonso se completassem de cara e não desenvolvessem, depois de alguns pegas na pista, certa animosidade. A Ferrari torce por isso. E se naturalmente não for assim, terá de intervir. A dúvida é se terá êxito.

O espanhol substituirá Kimi Raikkonen, campeão com a Ferrari em 2007, mas que este ano só passou a andar para valer quando compreendeu que poderia ser dispensado, a partir do GP da Hungria. A personalidade do finlandês é oposta à do asturiano. Fala pouco e não reivindica nada. Acredita em todos.

Mas a perda de emprego de Raikkonen é a que muita gente gostaria de ter: receberá o valor do contrato que possuía para 2010, o mesmo pago a Alonso por temporada, e a multa contratual pela rescisão, desconhecida. A chegada de Alonso na Ferrari, na realidade, só foi possível porque a McLaren-Mercedes, provável destino do finlandês – anúncio é esperado para hoje – aceitou participar do acordo por se interessar em ter o campeão do mundo de 2007 ao lado de Lewis Hamilton, vencedor do Mundial do ano passado. Pagará parte da elevada conta.

Alonso disse no comunicado de ontem que já havia assinado contrato com a Ferrari, mas para 2011, e que foram “acontecimentos recentes” que o permitiram antecipar em um ano sua chegada. Além da Mercedes e do banco Santander, acredita-se que as demais empresas que investem na Ferrari, como Shell, Philip Morris e Fiat, também colaboraram para levantar o necessário para pagar o espanhol e a dispensa de Raikkonen.

A McLaren deverá correr com dois campeões do mundo, como fez já em 1989, com Ayrton Senna e Alain Prost. A personalidade tranquila de Raikkonen, no entanto, sugere que Martin Whitmarsh, diretor da McLaren, deverá ter menos dificuldades para administrar a eventual disputa entre seus pilotos que Domenicali na Ferrari. Como desdobramento ainda do comunicado da escuderia de Maranello, ontem, a Renault deve confirmar a contratação do talentoso polonês Robert Kubica, hoje na BMW, para a vaga de Alonso.

Com tantas novidades, algumas já oficializadas, a expectativa com relação ao campeonato de 2010 já é grande. Só as disputas internas entre pilotos como Massa e Alonso, na Ferrari, e Hamilton e Raikkonen, na McLaren, representam por si sós atrativos importantes.

Os brasileiros poderão torcer por Massa, Rubens Barrichello, muito provavelmente na Williams-Renault, Bruno Senna, bem possível também, na Force India ou outro time, e Lucas di Grassi, com boas chances de estrear na Fórmula 1 da mesma forma, embora ainda não saiba onde. Essas atrações todas poderão ser conferidas a partir do dia 14 de março, no GP de Bahrein, para começar quente, no deserto de Sakhir.

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