Massa e Nelsinho: fim de semana desastroso

liviooricchio

16 de março de 2008 | 09h33

16/III
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melbourne

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Antes de começar a temporada, boa parte dos brasileiros que gostam de Fórmula 1, apesar de torcer por Felipe Massa, o via com desconfiança. Vez por outra comete erros comprometedores. E um campeão tem direito a bem menos equívocos. O que Massa teria a dizer a seus fãs, agora, depois de ainda na segunda curva do GP da Austrália, primeira prova do campeonato, perder o controle de sua Ferrari?

“Em vez de colocar a segunda marcha, entrou a primeira. Acelerei, o carro saiu de repente com a traseira e acabei batendo”, explicou o piloto que, com isso, reforçou a descrença de seu público na conquista do título este ano. “Mesmo assim daria para me recuperar, mas o David Coulthard (Red Bull) agiu como se estivesse sozinho na pista.” Massa foi ultrapassá-lo, na 26ª volta de um total de 58, na curva 1, e o escocês, como sempre, ignorou quem está do lado. Bateram. Logo em seguida Massa abandonou, quando era sétimo, por causa da quebra do motor, mesma pane que tiraria Kimi Raikkonen da corrida na 53ª volta.

“Foi uma corrida 100% negativa. Começamos o Mundial da forma como não imaginávamos e com três motores Ferrari quebrados.” O outro seria Sebastian Bourdais, da Toro Rosso-Ferrari, que na realidade teve o câmbio rompido. “O lado positivo da prova é o ritmo de nosso carro, éramos muito rápidos. Mas tem de ser veloz e não quebrar. Espero começar na Malásia um novo campeonato”, disse Massa, cuja credibilidade está ainda mais comprometida. O piloto comentou não se importar com o que a imprensa publicaria a seu respeito: “Metade dos jornalistas não entende nada de Fórmula 1”.

A estréia de Nelsinho Piquet não foi a que ele e a equipe Renault sonhavam. Treinou pouco sexta-feira em razão da quebra do câmbio, classificou mal e, na largada, um toque com Giancarlo Fisichella, da Force India, na primeira curva, comprometeu o desempenho do seu R28. “Desalinhou tudo e quebrou alguma coisa atrás. Saía demais de traseira. Eu já tinha dificuldades com as marchas quando o motor apagou (na 30ª volta).”

Flavio Briatore, diretor da Renault, fez cara de quem não gostou ao lhe perguntarem sobre Nelsinho. Mas respondeu: “Como com Heikki Kovalainen, ano passado, precisamos dar um tempo para ele”. Na realidade, o italiano estava tão feliz com o quarto lugar de Fernando Alonso que o fraco rendimento de Nelsinho não o importunou muito.

“O que mais estou levando comigo é a velocidade do fim de semana de GP de Fórmula 1. Apesar dos treinos serem mais longos que os das GP2, tudo se processa em velocidade bem mais elevada.” O fato de conhecer os seletivos 5.543 metros do circuito de Sepang, por ter treinado lá ano passado, o ajudarão na Malásia, comentou.

Nelsinho repassou as tensões da estréia para seu relacionamento com a imprensa internacional. A maioria dos jornalistas reclamou da forma “agressiva” como o piloto respondia às perguntas. Os próximos dias, espera-se, devem servir para a reflexão para Nelsinho.

FIM

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