Massa, exclusivo: "Vamos estar bem competitivos"

liviooricchio

22 de fevereiro de 2011 | 04h22

21/II/11

Livio Oricchio, de Barcelona

  O campeonato vai começar diferente para Felipe Massa, da Ferrari. A principal mudança em relação a sua mais difícil temporada na Fórmula 1, no ano passado, está dentro de si mesmo: resgatou a autoconfiança, um tanto abalada em 2010. Os pneus projetados para suportar as corridas sem reabastecimento eram muito duros para o seu estilo de pilotar. Fernando Alonso, companheiro de Ferrari, foi bem mais eficiente.

  “Virei o carro de ponta cabeça para ver se os pneus funcionavam comigo e não consegui”, diz nessa entrevista exclusiva ao Estado, em Barcelona, depois de ótimos treinos. Ontem, por exemplo, no encerramento do ensaio no Circuito da Catalunha, foi o mais rápido. O piloto da Ferrari explica que com a substituição dos pneus Bridgestone pelos da Pirelli, mais macios, este ano, a situação é outra. “O carro está mais na mão e sei o que posso tirar dele. Estou superconfiante”, afirma, visivelmente empolgado com a nova temporada.

  Outra razão para o elevado estado de espírito de Massa é o comportamento do modelo F150th da Ferrari nos testes. Ao longo de três séries já realizadas, Valência, Jerez de la Frontera e Barcelona, Ferrari e Red Bull deram mostras de estarem, hoje, bem à frente dos concorrentes, em velocidade e resistência do carro. E, devem, em princípio, protagonizar a luta pelas vitórias.

   Estado – Você parece outra pessoa. Mais alegre, diferente do piloto da segunda metade do ano passado, de expressão tensa, insatisfeita.

  Massa – Eu chegava nas pistas e não conseguia tirar tudo do carro por causa de os pneus serem muito duros, depois de tentar de tudo. Não havia como estar feliz. E felicidade no trabalho é muito importante, em especial nesse tipo de trabalho. Era dificil ir para uma corrida sabendo disso. Agora, depois do primeiro treino com os novos pneus, bastaram três voltas para mudar tudo.

  Estado – Nas simulações de corrida que você fez aqui em Barcelona o ritmo da Ferrari impressionou. Mas parece, ainda, um pouco abaixo do da Red Bull, que simulou uma prova com Mark Webber no mesmo horário.

  Massa – Em condição de corrida é possível que seja isso mesmo, hoje. Mas estou superconfiante. Como todos, vamos ter novos componentes no carro e até o começo do campeonato devemos avançar mais. Acredito que estaremos bem competitivos.

  Estado – Você dispõe de um carro que dá mostra de ter nascido eficiente e pneus apropriados ao seu estilo de pilotar. Você acha que a Ferrari compreenderia outra temporada de resultados fracos, como a última?

  Massa – Não estou chegando num time novo, a situação não é essa…faz se não você vai embora. A equipe sabe que sou capaz, não apenas de ajudar a lutar pelo Mundial de Construtores como ser campeão entre os pilotos. Já mostrei isso. Penso que a Ferrari compreenderia.

  Estado – Muitas pessas que vão acompanhar a Fórmula 1 começarão o ano não tendo esquecido o que se passou no GP da Alemanha do ano passado (Massa deixou Alonso ultrapassá-lo para vencer a corrida, por ordem da Ferrari).

  Massa – Tudo que é forte as pessoas lembram mesmo. Uma vitória é muito mais fácil de esquecer que algo forte como aquilo. Mas não é nada que permaneça na minha cabeça e me impeça de lutar por vencer o maior número de corridas possível e brigar pelo campeonato.

  Estado – Mas você perdeu muitos fãs. Gostaria de reconquistá-los?

  Massa – Sem dúvida. Bons resultados sempre fazem as pessoas mudarem de ideia, dentre os que torcem por você e mesmo são contra. Com tudo o que aconteceu, sei que sou querido, principalmente no meu país. Depois do GP da Alemanha, fui a restaurantes, saí na rua, no Brasil. Claro, ninguém me deu parabéns, mas ouvi coisas do tipo “força, cabeça no lugar”, e me ajudou muito.

  Estado – Michael Schumacher, Kimi Raikkonen e Fernando Alonso, todos campeões do mundo. Você foi companheiro de todos. Com Alonso será a segunda temporada. Tecnicamente, você sempre disse que se assemelham. E como pessoa, como é compartilhar a equipe com eles?

  Massa – São completamente diferentes (risos). Não tive problema com nenhum. Conquistei bons resultados com Schumacher no time, ótimos com o Kimi e disputei um ano horrível com o Alonso. Mas horrível porque o carro não funcionou comigo.

    Estado – Não há como saber ao certo, mas parece não existir nenhum superpiloto brasileiro nas categorias de base, como quase sempre existiu no passado, para em breve chegar e bem na Fórmula 1. Existe a possibilidade de o Brasil não ter representante na competição num futuro não muito distante. Por qual razão?

  Massa – Até há pouco tempo, o real era uma moeda bastante desvalorizada em relação ao euro e havia muitos pilotos brasileiros aqui na Europa, a maioria andando bem. Hoje, a diferença do real para o euro não é grande e temos bem poucos pilotos. Esse foi um dos motivos que me fizeram criar a Fórmula Future no Brasil. É verdade, daqui a alguns anos não teremos piloto brasileiro na Fórmula 1. O Brasil está indo muito para as competições de turismo, não monopostos, o que afeta a formação de pilotos para chegar à Fórmula 1. Vou tentar até uma hora, mas tem de existir maior investimento de empresas e do país mesmo na formação de pilotos, senão ficará difícil.

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