Massa, muito além dos pneus

liviooricchio

21 de novembro de 2010 | 21h52

22/XI/10

Amigos, esse é o texto de minha coluna, publica na edição desta segunda-feira no Jornal da Tarde

  Felipe Massa ficou com o melhor tempo dos dois dias de treinos com os novos pneus que irão equipar os carros de Fórmula 1 nas próximas três temporadas, Pirelli. Isso quer dizer que sua dificuldade com os pneus, este ano, parte da razão de não entrar na emocionante luta pelo título, está superada?

  Não. Mas o resultado não deixa de ser um indicativo positivo. Seria fácil demais resumir a diferença de desempenho para o companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, com o fato de os pneus, este ano, serem muito duros, mesmo os macios, e por conta de seu estilo polido de pilotar eles não atingirem a temperatura ideal de aderência. Embora pilotos e técnicos considerem a explicação de Massa perfeitamente compatível.

  Há mais que isso. Quem viu Massa este ano, depois da prova de Silverstone, por exemplo, compreendeu que seu emocional não o ajudava. E esse é um fator fundamental na Fórmula 1. É uma situação oposta a de 2008, quando sua autoconfiança estava no auge. Traduzida em resultados, diga-se.

  Passou, claro, a ponto de referência para a Ferrari. Literalmente fez de Kimi Raikkonen o que ele, este ano, foi para Alonso, coadjuvante dos objetivos do time. Porque agora a referência é o espanhol. A menor velocidade de Massa, portanto, se explica com a questão dos pneus e a apatia inconsciente diante de tentar de todas as formas se adaptar às novas exigências dos pneus e não conseguir.

  Boa parte dos erros de avaliação de Massa, este ano, decorre também dessa ausência de uma visão mais clara dos desafios, causada pelo desconforto emocional. Sua resignação excessiva quase atesta o drama.

  Os novos pneus pareceram tecnicamente serem mais favoráveis a Massa, mas, em especial, surgem como um alento, como se o piloto pudesse apagar o passado e começar nova trajetória, imune, agora, ao problema dos pneus. E melhor: o adversário imediato, Alonso, não mais insuperável como sugeria ser depois da metade do campeonato.

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