Massa não está na lista de favoritos de ninguém

liviooricchio

12 de março de 2008 | 10h09

12/III/08
Olá amigos:
A aventura de 38 horas de chegar aqui a Melbourne eu conto depois. Após dormir um pouco. Fiz o check in do hotel às 5 horas, tomei banho, arrumei minha roupa no armário e fui ao centro de imprensa para retirar minha credencial permenente.

Em sequida já me desloquei para o autódromo onde estou agora, início da noite. A não ser os mecânicos, havia bem poucos pilotos e dirigentes no autódromo Albert Park.

A temporada nem bem começou e, curiosamente, o ambiente da Fórmula 1 fala dos pilotos que vão lutar pelo título e, dentre eles, o nome de Felipe Massa, da Ferrari, sequer aparece como candidato.

A respeitada revista inglesa F1 Racing, por exemplo, na edição que circulou hoje no paddock do circuito Albert Park, em Melbourne, trazia fotos de três pilotos e afirmava que, segundo a maioria dos britânicos, um deles será campeão: Kimi Raikkonen, Ferrari, Lewis Hamilton, McLaren, e Fernando Alonso, Renault.

“É melhor para ele que pensem assim”, disse o assessor da Ferrari, Luca Colajanni. Tenho escrito que Massa enfrentará dentro da sua própria equipe um adversário bem mais preparado que em 2007, Raikkonen, e que suas possibilidades de ser campeão eram maiores ano passado que agora. Mas isso não o exclui de poder lutar pelo título.

Conversei com pessoas de meu relacionamento regular, hoje, que para esse tema não quiseram se identificar, e fiquei impressionado como Massa não está sendo levado a sério. Tudo bem que errou, ano passado, na Malásia, Canadá e Hungria, mas até Fernando Alonso se equivocou, como na etapa do Japão, em Fuji.

Confesso que depois do clima que senti aqui no paddock estou torcendo para o Massa realizar um belo trabalho, impor-se, não cometer erros crassos e ser campeão do mundo.

Os espanhóis também não crêem que Alonso vá fazer muito no campeonato: “Nos testes, em especial nos últimos em Barcelona, ficou claro que a Renault está muito longe da Ferrari e da McLaren”, diz o jornalista Marco Aurélio Cansseco, do influente esportivo espanhol Marca. “Alonso já disse não ter esperanças de vitória tão cedo.”

Amanhã Massa deverá responder à quase provocação que é não ser sequer citado como piloto com chance de disputar o título. Já o inglês Lewis Hamilton não pára de ser o centro das atenções de atividades promocionais. Ele terá de saber administrar muito bem o excesso de interesses que o cerca e exercer a função de piloto, onde milésimos de segundo fazem muita diferença.

Hoje Hamilton participou de uma corrida de caiaque na praia Williamstown, junto do parceiro de McLaren, Heikki Kovalainen que, como Massa, não surge nem mesmo nos bate-papos como candidato a campeão. Faz bastante calor em Melbourne. Hamilton disse estar bem mais preparado este ano. “Em todos os aspectos, física e tecnicamente.” Depois de perder o campeonato mais ganho da história, ano passado, na sua excepcional estréia na Fórmula 1, os ingleses não cogitam sequer outro resultado que não seja Hamilton campeão, em especial porque Alonso não tem nas mãos hoje um carro competitivo.

Ron Dennis já adiantou que não irá deixar a McLaren. O maior responsável pelo time inglês conquistar 9 títulos mundiais de pilotos e 7 de construtores, de 1980, quando entrou como sócio, até hoje, vai continuar dirigindo sua organização. Até os ingleses davam sua saída como certa em razão do escândalo de espionagem de seu time com a Ferrari. “Ron Dennis chega amanhã”, informou sua assessora, Ellen Kolbe.

Quem deu as caras de novo na Fórmula 1, hoje, foi Ross Brawn, ex-diretor-técnico da Ferrari, desde novembro o principal homem na organização da Honda. E suas palavras foram animadoras. “Testamos semana passada um novo pacote aerodinâmico, em Jerez, e os resultados, em especial na simulação de corrida, significaram que demos importante passo adiante.”

É a primeira vez que alguém da Honda fala em avanço nos últimos tempos. “Vamos ver aqui, mas as indicações são de que na classificação não crescemos tanto, mas completamos sérias seguidas de voltas com tempos promissores.” Esse pacote de mudanças é o primeiro estudado por Brawn para a Honda. Tudo o que fez até agora foi compreender o que Jorg Zander e Louic Bigois, os projetistas, haviam feito.

Rubens Barrichello estará hoje no circuito e comentará o novo momento da Honda. Fora das pistas seus funcionários têm, agora, um uniforme todo verde limão, capaz de permitir serem identificados à distância considerável. A reação dos demais profissionais da Fórmula 1, obviamente discretos na identificação, foi variada: “Abacates”, “jardineiros”, “protesto ambientalista.”

FIM

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