Massa, o mais rápido no primeiro dia de testes

liviooricchio

28 de novembro de 2006 | 17h41

O primeiro dia de treinos coletivos da Fórmula 1, preparatórios já para a temporada de 2007, hoje no Circuito da Catalunha, foi extremamente produtivo para as nove equipes que lá estiveram. Em apenas duas ocasiões a direção do teste o interrompeu por problemas nos carros, e por pouco tempo, o que permitiu aos 16 pilotos que foram à pista percorrer muitas voltas, seu objetivo maior, já que vários times experimentaram os pneus Bridgestone pela primeira vez.

Como era esperado, a Ferrari, pela velocidade de seu carro e por utilizar já os pneus japoneses, registrou o melhor tempo, com Felipe Massa, 1min17s160. O vencedor do GP do Brasil completou 52 voltas no traçado de 4.627 metros. Mas chama a atenção a proximidade da marca obtida por Pedro de la Rosa, com a McLaren, que conseguiu, logo de cara, um bom acerto básico do modelo MP4/21 aos pneus Bridgestone. O espanhol fez 1min17s455, na melhor das 68 voltas, segundo mais rápido. Trata-se de um tempo apenas 295 milésimos pior que o de Massa.

Para o primeiro teste do pneu, é um resultado que excede às expectativas. A McLaren tem, ainda, não erramos por acreditar nisso, boa margem de melhora, tão logo compreenda mais como os pneus japoneses funcionem. Seu outro piloto, ontem, e sobre quem recaía grande atenção, Lewis Hamilton, teve uma pane elétrica pela manhã. Sua Mclaren ficou parada em razão de um problema no sistema de mapeamento do motor. O computador que gerencia o V-8 corta a corrente no caso de alguma incompatibilidade na integração dos programas. Hamilton deu, no total, 63 voltas. Na mais rápida obteve 1min18s239, sexto do dia. Compare o seu tempo com o de Pedro de la Rosa, 1min17s455. O catalão foi 784 milésimos de segundo mais veloz.

Mas dá para comparar os tempos, há representatividade? No caso do ensaio de ontem, não deixou de ser referência. Cada equipe dispos de 5 jogos de pneus. Como são dois pilotos, cada um contou com dois jogos e um deles substituiu os dianteiros e o outro os traseiros, para aproveitar o quinto jogo. Dessa forma, ao menos quanto aos pneus, o tratamento foi equivalente. Como a McLaren não costuma trabalhar com menos de 60 quilos de gasolina no tanque (ou 77 litros, já que a densidade dessa galolina é 0,78), temos bons motivos para acreditar que Rosa e Hamilton também nesse aspecto estavam em condições semelhantes.

Vamos ver nos próximos dias a evolução de Hamilton, esse sim um aspecto importante. Rosa fez cerca de 15 mil quilômetros de testes com o MP4/21 este ano e ainda disputou 8 GPs, em substituição a Juan Pablo Montoya. Sem falar no seu conhecimento da pista de casa. Hamilton havia experimentado apenas uma vez o carro.

Mas se a McLaren compreendeu bem as orientações fornecidas pelos técnicos da Bridgestone e levou seus MP4/21 já com um bom acerto básico para os pneus, conforme a marca de Rosa sugere, a Renault sofreu bastante, ao menos no primeiro dia. Ontem a escuderia bicampeã do mundo trabalhou com o substituto de Fernando Alonso, o finlandês Heikki Kovalainen, e Nelsinho Piquet, piloto de testes. Em conversa com amigos que estavam no teste, soube que a equipe ficou satisfeitíssima com Nelsinho.

Ele completou 93 voltas sem colocar uma roda para fora da pista, trazendo sempre informações precisas sobre o comportamento do modelo RS26. Não é hora de comparar seus resultados com o de Kovalainen, mas Nelsinho fez 1min18s852, décimo, enquanto o finandês, 1min19s187 (93 voltas também), o 12.º. Não deixa de ser um bom começo. É de se esperar que a Renault reveja os ajustes das suspensões e defina até uma melhor regulagem aerodinâmica para as características dos pneus japoneses. Com isso, seus pilotos provavelmente irão conquistar marcas melhores que as de hoje.

O treino da BMW Sauber, equipe que deverá crescer bem em 2007, foi melhor que o dos campeões do mundo. Nick Heidfeld obteve o quarto tempo, 1min17s651 (62 voltas) e Robert Kubica, o sétimo, 1min18s519 (46 voltas). A sessão da tarde acabou interrompida porque a BMW de Kubica parou no meio da reta.

Rubens Barrichello voltou ao trabalho na Honda. E, como todos, sua missão foi a de andar o máximo possível para levantar dados sobre os pneus para o time. A exemplo de McLaren e Renault, a Honda competia com Michelin. Completou 82 voltas – o GP da Espanha tem 66 voltas – sendo 1min17s932 na melhor. Mark Webber estreou na Red Bull, ainda com motor Ferrari. O novo modelo, com motor Renault, projetado por Adrian Newey, só iniciará os treinos na segunda quinzena de janeiro. Webber ficou em 15.º, 1min19s439 (45), mas já de cara na frente do companheiro, David Coulthard, 1min19s692 (75), 16.º e último.

Outra novidade: Williams-Toyota. Bom teste de Alexander Wurz. Percorreu 94 vezes o Circuito da Catalunha, sem nenhum problema, 1min18s691, o nono. Amanhã a equipe Toyota começa a treinar. Apenas a Spyker não participará do ensaio coletivo. A organização holandesa com sede na Inglaterra trocou o motor Toyota pelo Ferrari e seu carro novo ficará pronto também só em janeiro. Todos testam, ainda, com seus modelos deste ano.

Outra observação interessante é a oferecida pelo confronto do tempo de Felipe Massa, hoje, com o registrado por ele na definição do grid do GP da Espanha, este ano, realizado no mesmo traçado, dia 13 de maio. Massa largou em quarto, com 1min15s442. Ontem marcou 1min17s160, ou seja, foi 1 segundo e 718 milésimos mais lento. O nível de combustível no tanque não deve ter sido muito distinto. A Ferrari regularmente também treina com cerca de 60 quilos de combustível, condição que, em geral, larga nas corridas. Essa diferença se deve às condições do tempo e às características dos novos pneus Bridgestone, bem mais duros que os usados no último campeonato.

Hoje, a temperatura do asfalto era baixa, variou de 8 a 10 graus, e do ar ficou também entre 10 e 12 graus, sempre nublado. No dia da definição do grid da prova de Barcelona estava próxima dos 26 graus. As condições de hoje, portanto, eram piores que as do período da sexta etapa da temporada. De qualquer forma, a Fórmula 1 será um pouco mais lenta no Mundial de 2007.

Sem concorrente, a Bridgestone irá distribuir pneus mais duros que os necessários para lutar com a Michelin, além de não ter de desenvolver pneus novos regularmente. Os que hoje, por exemplo, serão os mesmos das três primeira etapas do calendário, Austrália, Malásia e Bahrein, onde enfrentarão asfalto com temperatura próxima dos 50 graus, enquanto ontem não passou de 10 graus.

Amanhã tem mais notícia e análise.

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