Massa, passividade excessiva com a equipe

liviooricchio

10 de setembro de 2010 | 19h13

10/IX/10

Livio Oricchio, de Monza

  A McLaren tem tudo para confirmar, hoje, na definição do grid do GP da Itália, que Monza é mesmo uma grande pista para o seu carro, por ter retas longas e velocidade nas retas é o forte do modelo de Lewis Hamilton e Jenson Button. A equipe da casa, Ferrari, sabe que será difícil, hoje, enfrentar a McLaren e a Red Bull, que ontem, nos treinos livres, foi a mais veloz com Sebastian Vettel.

  Mas antes de Alonso e Massa falarem, ontem, sobre o que esperam da prova decisiva para seu time, diante da sua fanática torcida, tiveram de responder muitas perguntas sobre as conversas entre eles e a Ferrari, no GP da Alemanha, vindas à tona depois do julgamento da escuderia em Paris, quarta-feira. A maioria delas sobre o fato de os dois receberem ordem para abaixar os giros do motor e depois apenas Alonso ser autorizado a voltar ao normal, o que explicou o espanhol, de repente, se aproximar de Massa em Hockenheim.

  E a postura de Massa reforça a ideia de passividade excessiva com o tratamento oferecido pela Ferrari. A pergunta que mais cabia ao piloto é se ele sabia que Alonso, já tentando ultrapassá-lo na corrida, voltou a usar o motor na plenitude e ele, por ordem dos engenheiros, o mantinha dentro do limite estabelecido? Não vou comentar nada sobre isso. Já falamos bastante. Estou aqui pensando nesta corrida e nas que faltam para acabar o campeonato”, reagiu Massa. Alonso manteve a lei do silêncio.

  Ao ser questionado se não estava sendo omisso demais e se poderia ser prejudicado na equipe caso a criticasse, Massa falou: “De jeito nenhum. Passei a vida toda na batalha para subir um degrau da escada e continuo na mesma, sei o que faço, o que é melhor para mim, o meu caminho.” E não quis mais conversa.

  Desde as primeiras etapas do campeonato, em que a direção da Ferrari compreendeu que com o modelo F10 e os atuais pneus Bridgestone, concebidos para suportar as corridas sem reabastecimento de combustível, Alonso é quase meio segundo por volta mais rápido que Massa, concentrou seus interesses no espanhol.

  No caso do GP da Alemanha, se não avisou Massa de Alonso estar liberado para usar o motor sem a limitação solicitada, expôs o brasileiro até a mais riscos, pois até receber a ordem para deixar Alonso ultrapassá-lo, Massa defendia-se tenazmente do ataque do companheiro de equipe. Valia a liderança da corrida. A omissão de Massa para responder se sabia ou não que os dois estavam sob condições de potência distintas sugere não ter sido informado. O que parece ser mais grave de ter de deixar Alonso ultrapassá-lo.

  Sobre o fim de semana, o líder do Mundial, Lewis Hamilton, com 182 pontos, diante de 179 de Mark Webber, Red Bull, fugiu da sua costumeira prudência para projetar o restante da competição, a sessão de classificação, hoje, e as 53 voltas da corrida, amanhã. “Nas duas opções que testamos hoje, mais rápido nas retas e um pouco menos nas curvas ou menos veloz nas retas e mais nas curvas o carro está bem equilibrado”, afirmou Hamilton, com um sorriso no rosto. Ficou com o quarto tempo, mas parece ter o melhor conjunto.

  Os pilotos da Red Bull disseram que o RB6 reagiu melhor do esperado “numa pista de pouca pressão aerodinâmica, o que não é nosso forte”, comentou Webber, autor do sexto tempo. O resultado de ontem coloca a Ferrari na luta pelas primeiras colocações, mas Alonso, segundo, definiu como “difícil” repetir hoje o resultado. Massa foi terceiro.

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