Massa: prova incontestável de maturidade

liviooricchio

18 de março de 2007 | 09h37

Material enviado à redação
Reportagem de F-1: Massa, tudo muito diferente do planejado
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melbourne

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Deu quase tudo errado para Felipe Massa, sábado e ontem, no circuito Albert Park, em Melbourne, contra todas as expectativas. Na abertura do Mundial, quem venceu não foi ele, o favorito da maioria, mas o companheiro de Ferrari, Kimi Raikkonen, eterno segundo, atrás de Massa, na pré-temporada. Os ensinamentos do GP da Austrália foram muitos para o piloto da Ferrari. O maior deles: Raikkonen deve, mesmo, ser seu maior adversário na luta pelo título. A Ferrari está à frente da concorrência.

Mas Massa não ficou sem deixar sua marca na prova e dar o recado a Raikkonen de que da próxima vez, dia 8 em Sepang, na Malásia, a história deverá ser bem diferente. Não é toda hora que quebra o câmbio da Ferrari, como lhe ocorreu na definição do grid, sábado.

Por conta da pane, Massa largou ontem em 22º e concluiu as 58 voltas da corrida num convincente 6º lugar, num dos seus melhores trabalhos na Fórmula 1.Sua maior maturidade é evidente. “Não tinha muito o que fazer. Ao largar em último, nesta pista, onde é difícil ultrapassar, a saída foi encher o tanque e fazer um único pit stop.” Como este ano os pneus são de novo tipo, Massa, na realidade, foi cobaia ao escolher a estratégia de um pit stop diante de dois de todos os demais.

“O melhor dessa história foi ver que se eu não tivesse perdido a classificação estaria lá na frente, lutando com o Kimi pela vitória, tenha a certeza disso”, falou aos jornalistas, com raiva. “Estou contente pelos pontos somados, mas frutrado.” Segundo ele, faltou um pouco de sorte: “Aqui costuma ser comum o safety car entrar na pista. Se tivesse ocorrido algo e o safety car fosse utilizado, daria para chegar no pódio.”

Enquanto Massa ultrapassava um a um, com dificuldade por causa das características dos 5.303 metros do traçado australiano, Raikkonen não encontrava nenhuma resistência para manter-se em primeiro. O notável estreante Lewis Hamilton, 2º no início, 3º no fim, e o bicampeão do mundo, Fernando Alonso, 2º, a nova dupla da McLaren, não conseguiam acompanhar o ritmo do finlandês, que se dava ao luxo de administrar sua velocidade. A seguir classificaram-se Nick Heidfeld, BMW, em 4º, e Giancarlo Fisichella, Renault, 5º. Rubens Barrichello, da Honda, foi o 11º.

“Saio daqui com a cabeça erguida. Consciente de que fiz o máximo possível”, afirmou Massa. Ele realizou 11 ultrapassagens, na pista ou nos boxes. “Saí com os pneus moles e tinha de permanecer na corrida até a 30ª volta para nosso plano dar certo. A essa altura, precisei reduzir os giros do motor a fim de economizar gasolina, já que faria um único pit stop.”

O equilíbrio do modelo F2007 da Ferrari de Massa e Raikkonen é tal que o brasileiro, depois de 28 voltas, com os pneus moles e o motor limitado em giros, estabeleceu sua melhor volta na competição, 1min27s044. “Se pudesse usar toda a potência, seria o mais rápido da corrida àquela altura”, concluiu. Massa largou em último porque a Ferrari decidiu trocar o motor do carro.

“Quando quebrou a 7ª marcha na classificação, sábado, o motor forçou um pouco. E entre largar em 16º, como era o caso, ou em 22º, mas com motor novo, pensamos no calor da Malásia e trocamos meu motor.” O circuito de Sepang costuma ser mais generoso com Massa. Em 2002, na sua temporada de estréia na Fórmula 1, com a Sauber, conquistou o sexto lugar na etapa de Kuala Lumpur, marcou os primeiros pontos. Era sua 2º corrida de Fórmula 1.
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