Massa se emociona e emociona na terceira vitória seguida no GP da Turquia

liviooricchio

11 de maio de 2008 | 17h14

11/V/08
GP da Turquia
Livio Oricchio, de Istambul

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São duas fases opostas. Nas duas primeiras etapas do campeonato, Austrália e Malásia, nenhum ponto e até a ameaça de que se continuasse assim poderia perder a vaga na Ferrari. Mas, nas três provas seguintes, Felipe Massa transformou-se no piloto de melhor desempenho dentre todos: vitória irretocável e emocionante, ontem, no GP da Turquia, pela terceira vez seguida em Istambul, segunda colocação inteligente em Barcelona, e primeiro em Bahrein. “O resultado foi sensacional, ganhei algumas colocações no campeonato e mostrou que o Mundial será muito disputado”, afirmou Massa.

Os turcos não sabem ainda muito bem o que seja a Fórmula 1. O público costuma ser pequeno nas arquibancadas, como ontem. Mas conhecem um piloto em especial, Felipe Massa, muito mais famoso que o campeão do mundo, Kimi Raikkonen, por exemplo, seu companheiro na Ferrari, terceiro, ontem. A razão é simples: faz três corridas que os turcos vêem Massa largar na pole position, dominá-las e sair-se vencedor. Incontestável. Foi a sétima vitória na carreira, a quarta consecutiva da Ferrari.

“Acho que vou pedir o passaporte turco”, disse, rindo, o piloto da Ferrari. E os 5.338 metros do traçado de Istambul estão dentre os mais seletivos do calendário. “Adoro esse país, adoro essa pista, sempre sou muito bem recebido, venci meu primeiro GP aqui, é mesmo um lugar especial.”

Em três etapas, Massa somou impressionantes 28 pontos dos 30 possíveis. “O que fiz de diferente das duas primeiras provas? Nada. Repito, na Malásia eu já havia reduzido os giros do motor para garantir o segundo lugar”, falou Massa. Tanto em Melbourne quanto em Sepang abandonou por errar. Em festa com a incrível empatia com tudo o que envolve a Turquia, dedicou a vitória à mãe, Ana, presente do circuito. Ana acompanhou as voltas finais ao lado do marido, Luis, dentro do box da Ferrari, com um terço na mão.

“O importante é que meu carro esteve perfeito. Cometemos pequeno erro nos pneus. Sexta-feira o do tipo mole pareceia ser o mais indicado, mas hoje, quando coloquei o duro, depois da segunda parada, meu carro melhorou ainda mais”, explicou Massa. A referência de Lewis Hamilton, da McLaren, segundo colocado, ontem, deveria ser mais bem observada, comentou. O inglês realizou excelente prova. Optou por três pit stops em razão de usar o mínimo possível os pneus moles. “Minha McLaren funcionava muito melhor com os duros”, falou Hamilton que, como Massa, chega a 28 pontos na classificação. Massa, porém, tem duas vitórias e Hamilton, uma. Raikkonen lidera com 35.

As duas próximas etapas serão em pistas onde a Ferrari apresentou a pior performance na temporada passada, Mônaco, dia 25, e Canadá, dia 8. “Logo em seguida a essas provas, em 2007, começamos a pensar o que fazer para tornar nosso carro mais eficiente nesses traçados”, falou Massa. Amanhã e quarta-feira, a Ferrari trabalha com as demais equipes no circuito curto de Paul Ricard, na França, visando simular as condições de Mônaco e nos dois dias seguintes, na versão de retas longas, semelhante a Montreal. “Se formos bem na próxima corrida iremos bem em todas as pistas até o fim do ano”, explicou Massa. O convincente segundo lugar de Hamilton, ontem, e a proximidade na classificação deixaram a Ferrari de sobreaviso.

Raikkonen lamentou o toque com o também finlandês Heikki Kovalainen, da McLaren, na largada. “Estava por dentro, fora da trajetória normal, Heikki fechou meu caminho, nos tocamos e perdi uma pequena parte do aerofólio dianteiro”, explicou o piloto da Ferrari.

“Substituí-lo no pit stop me faria perder muito tempo. Diante do problema e do meu erro na classificação (largou em quarto), o terceiro lugar é um bom resultado”, falou Raikkonen. Kovalainen teve de substituir o pneu furado no toque, parou portanto uma vez a mais, e recebeu a bandeirada em 12º. Rubens Barrichello, Honda, foi o 14º no seu recorde de GP, 257, e Nelsinho Piquet, Renault, o 15º.

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