Massa tem chance real de assumir liderança do Mundial

liviooricchio

13 de setembro de 2008 | 12h57

13/IX/08
GP da Itália
Livio Oricchio, de Monza

Largar em sexto significa quase dizer adeus à vitória na Fórmula 1. Mas a sexta colocação de Felipe Massa no grid do GP da Itália, obtida ontem, pode lhe dar, hoje, não só a terceira vitória consecutiva na temporada como a liderança do campeonato. A chuva embaralhou as cartas no circuito de Monza. A ponto de o líder do Mundial, Lewis Hamilton, da McLaren, não passar do 15º lugar e Kimi Raikkonen, Ferrari, do 14º. Mas quem fez a festa de verdade, com todos os méritos, foi o talentoso alemão Sebastian Vettel, da surpreendente Toro Roso: agora o mais jovem piloto a conquistar a pole position na Fórmula 1.

Não é de hoje que os principais chefes de equipe da Fórmula 1 enxergam Vettel como um futuro campeão do mundo. E ele deu um show de habilidade, ontem, na desafiadora pista bastante molhada de Monza. Mas o resultado de Massa não reflete com precisão o que fez na segunda parte do treino, quando a chuva era intensíssima. Apenas Massa conseguiu melhorar seu tempo e passar para a final da classificação. Hamilton, que afirmara quinta-feira ser um “grande piloto”, com “sensibilidade superior à de Raikkonen para pilotar no asfalto escorregadio”, e o próprio finlandês, não realizaram a mesma proeza de Massa.

Na realidade, Hamilton tentou mostrar suas habilidades na água ao experimentar pneus intermediários no começo da Q2. Mas viu que nem sua capacidade “superior a de Raikkonen” foi capaz de permitir ser rápido. “Quando voltei aos boxes para mudar os pneus pelos de chuva intensa iniciou a chuva. Parte da responsabilidade é minha e parte dos meus engenheiros.”

A consequência do trabalho extraordinário de Massa foi passar para os chamado Top Ten e ficar em sexto. “Passar para a Q3, a sessão final da classificação, foi fundamental, consegui uma boa volta em condições críticas, aquele décimo lugar valeu com primeiro”. Explicou: “O pior trecho era o da curva Ascari, onde aquaplanávamos, em especial na saída. Achei um caminho onde havia menos água, consegui carregar um pouco mais de velocidade e depois já não dava para melhorar.” Hamilton e Raikkonen, no mesmo momento, tentaram de tudo àquela altura, sob chuva, mas não repetiram o desempenho de Massa e vão largar bem atrás.

Com os dois fora da disputa pelos primeiros lugares do grid, por qual razão Massa ficou apenas em sexto? “Não é o ideal, mas não ruim também e temos sempre de pensar na estratégia”, comentou. O piloto da Ferrari dá a entender ter mais gasolina que os cinco a sua frente, no grid menos esperado dos últimos tempos: Vettel, Heikki Kovalainen, McLaren, segundo, Mark Webber, Red Bull, terceiro, Sebastian Bourdais, Toro Rosso, quarto, e Nico Rosberg, Williams, quinto.

Há a possibilidade de não chover, hoje, durante a corrida. Serão 53 voltas no veloz traçado de 5.793 metros. A largada será às 9 horas de Brasília, com transmissão ao vivo pela TV Globo. “Espero mesmo que não chova. Temos um carro competitivo no asfalto seco, bem constante. Seria melhor para mim visando um pódio e até a vitória”, disse Massa. Em condições normais, o piloto da Ferrari tem maiores possibilidades de marcar pontos que Hamilton e Raikkonen e até Robert Kubica, da BMW, terceiro no campeonato, 11º no grid, hoje. E a diferença de Massa para Hamilton na classificação é de apenas 2 pontos: 76 a 74. “Vou correr pensando no campeonato”, adiantou Massa. A cinco provas do encerramento da temporada, contando com a corrida de hoje, o piloto da Ferrari pode reassumir a liderança do Mundial.

Vettel, aos 21 anos completados dia 3 de julho, deixou para trás Fernando Alonso, que fez a primeira pole na Malásia, dia 23 de março de 2003, e completou 22 anos dia 29 de julho. “É incrível obter a pole numa pista tão difícil, na Ascari nós aquaplanávamos. A torcida italiana agora sabe que há outro time italiano além da Ferrari”, falou, emocionado, Vettel. O sócio e diretor da equipe, Gerhard Berger, também tocou no assunto: “Aqui em Monza foi mesmo especial.” As pretensões da equipe na corrida são mais modestas. “Não éramos os mais pesados na pista, mas seremos competitivos amanhã (hoje)”, comentou Giorgio Ascanelli, diretor-técnico da Toro Rosso.

Rubens Barrichello, da Honda, larga em 16º e Nelsinho Piquet, da Renault, em 17º.

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