Max Mosley ficou louco. E não sabe!

liviooricchio

17 de março de 2009 | 16h16

17/III/09

Imagine a seguinte situação: pouco provável de ocorrer, mas capaz de refletir o critério absurdo de conhecermos o campeão do mundo aprovado hoje pelo Conselho Mundial da FIA: um piloto vence a etapa de abertura do Mundial e nas demais 16 etapas, por uma das daquelas coincidências históricas, não marca mais nenhum ponto. Ao final de 17 etapas, terá somado 10 pontos. Outro piloto, bastante regular, se classifica na segunda colocação nas 17 provas e obtém, portanto, 136 pontos. Pergunta: quem é o campeão?

Claro que esse é um exemplo extremo e as chances de acontecer são bem pequenas, mas repare como não faz sentido a Fórmula 1 premiar apenas o vencedor. Vamos a outro caso, este bem mais factível: um piloto ocupa o terceiro lugar e se aproxima do segundo.

Questiono: que estímulo ele tem para colocar a faca entre os dentes e partir para cima do segundo colocado? De que valerão os 8 pontos? Sua conquista não servirá para nada. Ao menos às suas pretensões de ser campeão do mundo. Acreditar que poderá ter o mesmo número de vitórias do vencedor, ao final das 17 etapas, e esses pontos do segundo lugar poderão ajudar no critério de desempate é muito pouco para fazer o piloto partir para cima do concorrente. A FIA poderia mudar também o pódio. Champanhe apenas para o vencedor. Suprimir os outros dois degraus. Eles não valem mais nada, não?

Outra situação. A diretoria da Mercedes está reunida e na pauta do encontro o elevado investimento de 270 milhões de euros na Fórmula 1 este ano, em tempos bem difíceis da economia. Norbert Haug, diretor esportivo, faz um balanço das últimas quatro etapas: “Obtivemos quatro pódios, sendo três segundas colocações com Lewis Hamilton e um terceiro com Heikki Kovalainen. Somamos 30 pontos”. O mais provável é que ouvirá uma gargalhada dos demais diretores. “Senhor Haug, sabe o que o senhor conseguiu? Nada. E sabe quanto dinheiro nós direcionamos para o projeto que o senhor dirige? E sabe também quantos funcionários acabamos de dispensar na nossa unidade 3?”, lhe dirá um deles.

Isso tudo para não falar do que será o mais importante nesse pacote anunciado hoje pela FIA: limitação de orçamento para 2010 em 30 milhões de libras (33 milhões de euros). Acreditem, amigos, essa não passa nem a pau. Se a FIA radicalizar, entenda-se Max Mosley, seu presidente, o verdadeiro autor dessas medidas todas, a Fota também não vai recuar. Hoje a Fota já se manifestou contra tudo isso. Primeiro mostrou-se perplexa por sua proposta de pontuação, concebida a partir de pesquisa com fãs da competição (12, 9, 7…pontos) ter sido simplesmente ignorada.

Depois Luca di Montezemolo, Ron Dennis, Mario Theissen devem ter ficado loucos da vida ao lerem que a partir do ano que vem vão ter de se contentar em investir cerca de 20% do que colocam hoje na Fórmula 1. Contraria os princípios que levaram a Fórmula 1 a ser o que é. Tudo bem que se tomem medidas para conter as despesas, mas não se pode transformar a Fórmula 1 em uma competição banal. Saiu de um extremo e foi a outro ainda mais perigoso que o de exigir muito dinheiro para concorrer.

Vou ficar por aqui, por enquanto, mas estou impressionado com Max Mosley. Com as equipes gastando 33 milhões de euros, talvez elas parem de encher o saco de Bernie Ecclestone para ter maior participação no que a Formula One Management (FOM), controlada por Ecclestone, arrecada com o evento.

Se ao time campeão cabe 100 milhões de euros e competir custará 33 milhões de euros, ter uma equipe pode vir a ser um ótimo negócio. Mas nem mesmo os independentes, penso, como Frank Williams, apoiam uma mudança dessas. Imagine quem tem, a exemplo da maioria, contratos com patrocinadores de vários anos, como fica. Vão cortar, da mesma forma, o investimento a 20% dos valores iniciais? Negócio é coisa séria, senhores.

Não se esqueça, estou apostando, hein? A Fota vai para a briga. A FIA e a FOM que fiquem com o nome Fórmula 1. A Fota faz seu próprio campeonato, com outro nome se não mudarem a limitação de orçamento de 33 milhões de euros para 2010.

Abraços!

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