Médico brasileiro de Massa diz estar muito otimista

liviooricchio

26 de julho de 2009 | 22h33

26/VII/09
Livio Oricchio, de Budapeste

O médico pessoal de Felipe Massa e diretor do GP do Brasil de Fórmula 1, Dino Altman, escutou tudo o que o neurologista responsável pelo piloto da Ferrari no Hospital Militar de Budapeste, Bozlo Peter, disse à imprensa. O especialista húngaro descreveu não existir lesão neurológica e o quadro do paciente continua estável. Altman só não concordou quando Peter respondeu “claro que sim” à pergunta se havia risco iminente de morte.

“Eu e o doutor Gerard Saillant reconhecemos a gravidade da condição de Massa, mas diante das indicações bastante favoráveis da sua evolução, 24 horas depois do acidente, sem nenhuma complicação, chegamos à conclusão de que esse risco iminente não existe”, explicou Altaman, também médico da FIA. Saillant foi o responsável pelas duas cirurgias no joelho de Ronaldo e faz parte de um projeto da FIA para auxiliar lesionados da coluna.

A equipe que assiste o piloto decidiu reduzir o coma farmacológico a fim de que ele visse a esposa, Rafaela, a mãe, Ana, e o pai, Luis Antonio. Eles chegaram ao hospital ontem às 10h30, procedentes do Brasil. Rafaela, com a gravidez avançada, chorava bastante. Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, os aguardava no hospital.

“Depois de eles ouvirem nossas explicações sobre a evolução favorável do Massa mostraram-se bem mais tranquilos”, explicou Altman. O médico aproveitou os momentos de sedação menos intensa para realizar alguns testes. “Perguntei se ele me conhecia e sinalizou que sim, se sabia o que havia se passado e também respondeu sim. Por fim, apertou minha mão e me fez entender não estar sentindo dores. Todas suas funções de reconhecimento e motoras estão preservadas”, explicou.

Se continuar nessa evolução, a intenção de Altman e de Saillant é transferir Massa para Paris, na clínica de Saillant, a mesma onde Ronaldo se recuperou da cirurgia no joelho.

O piloto está no centro de terapia intensiva, entubado e respira com auxílio do equipamento. “Isso faz parte do procedimento nesses casos.” Outra preocupação do grupo que acompanha Massa é com o olho esquerdo. A mola que se soltou do carro da Brawn GP de Rubens Barrichello, na classificação do GP da Hungria, e atingiu o capacete de Massa causou um corte profundo no supercílio esquerdo. “Na realidade gerou uma fratura da órbita ocular, corrigida com a cirurgia de ontem”, disse Altman. “O mais importante é que sua visão não foi atingida.”

Os médicos o manterão no coma induzido até hoje, 48 horas depois do ocorrido na curva 4 do circuito Hungaroring às 14:40 de sábado. “Massa vai iniciar breves períodos de vigília. Depois esses espaços de tempo serão aumentados”, conta o diretor-médico do GP do Brasil de Fórmula 1. Se hoje o quadro se mostrar estável, a possibilidade de complicações passará a ser menor.

“É importante dizer que estamos diante de um traumatismo craniano que sempre representa risco por não podermos prever algumas reações tardias”, fez questão de lembrar Altman. “Mas também afirmou: “Temos indicações importantes, como os resultados favoráveis das duas tomografias, sem lesões cerebrais, e a consciência que o Massa demonstrou nos instantes de redução do coma, que nos enchem de ânimo.”

Não há previsão de alta mesmo se tudo prosseguir do lado de Massa e muito menos quando poderia voltar a pilotar. Mas na hipótese de tudo transcorrer favoravelmente e diante de não existirem danos ao tecido nervoso, 60 dias é um prazo aceitável para começar o reinício das atividades que o levariam a pilotar um carro de Fórmula 1 novamente, segundo Altamn.

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