Mercado de pilotos, as últimas novidades

liviooricchio

15 de outubro de 2013 | 12h05

14/X/13
Khabarovsk, Rússia.

Olá amigos!

Acabo de sobrevoar Khabarovsk, no extremo leste russo, e nossa proa é noroeste. Cruzaremos a Sibéria, depois o porto de Murmansk, no Ártico, então Helsinki, na Finlândia, para descermos até a Alemanha, Munique. Lá tenho uma conexão para Nice, onde resido. Estou no voo 715 da Lufthansa, de Tóquio para Munique.

Espero amanhã discutir com os responsáveis pelos blogs no Estadão sobre os procedimentos que terei de tomar agora, com a mudança na forma de os comentários serem inseridos. Tudo ainda é novidade para mim também e preciso aprender como interagir, por exemplo.

Este é um voo diurno e as horas sempre passam devagar. Acabamos de almoçar. Escrevo para lhes contar parte de como foram os dois últimos fins de semana, na Coreia e no Japão. Poucas vezes conversei com tanta gente e acabei sabendo de tanta coisa em tão curto espaço de tempo. Muitas capazes de mudar radicalmente o conhecimento que trazia comigo das provas anteriores sobre o mercado de pilotos.

Vamos fazer um passeio pelos boxes? Mais precisamente pela parte de trás deles, no paddock, onde quase tudo acontece na Fórmula 1?
Todos já sabem que a Red Bull vai de Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo em 2014. A Ferrari, Fernando Alonso e Kimi Raikkonen. A Mercedes, de Lewis Hamilton e Nico Rosberg.

Lotus

Pulemos, portanto, as três melhores no campeonato. Iniciemos o nosso tour pela Lotus. Por que Eric Boullier disse que precisa de um tempo para equacionar a questão financeria e então definir os pilotos? Na realidade, um piloto, Romain Grosjean, mais que justifica já sua permanência. Disputou um GP do Japão, num circuito complexo, como um campeão. Manter a dupla da Red Bull naquela pista atrás de si sem um deslize por mais de meia corrida é um atestado de evolução extraordinário.

Boullier espera, primeiro, que o novo sócio, autodefinido como Grupo Infinity, traga o dinheiro prometido. Poucos acreditam na Fórmula 1 que virá. Por essa razão parece ser mais viável aquela história que já contei aqui e não senti firmeza, no início. O dinheiro viria da PDVSA, de Pastor Maldonado. O piloto não brincou quando disse que preferiria ficar um ano em casa a competir pela Williams de novo.

Na Williams, não

Senhores, ontem depois da corrida, em que na chicane, na última volta, ultrapassou Valtteri Bottas, seu companheiro, a equipe acabou com ele. Foram mais que rudes, mas agressivos, estúpidos. Os dois pilotos se tocaram. Valia a 16.ª colocação na prova. Maldonado que já não suportava o ambiente da Willliams não quer ficar lá e, pelo que vi, ou consegue competir por outro time, sempre possível com o dinheiro da PDVSA, ou irá para casa. Pode, ainda, optar por competir em outra categoria.

Os dados a seguir são 100% procedentes. Há um contrato entre a PDVSA, estatal de petróleo venezuelana, e a Williams para as temporadas de 2014 e 2015. O valor por temporada é oficial, pois a PDVSA é uma empresa pública: 24 milhões de libras, ou 30 milhões de euros, por ano. Se Maldonado sair, a Williams não abre mão de receber o dinheiro.

Há cláusula que garante o não pagamento dessa quantia pelo campeonato de 2015. Portanto, seriam os 30 milhões de euro referentes a 2014. Ocorre que Maldonado teria de levar o patrocinador para a Lotus, implicando o desembolso de outro tanto para ser o companheiro de Grosjean. Nesse instante, integrantes da PDVSA e da Williams estudam formas de Maldonado sair sem pagar o valor integral de 2014.

A perda de Hugo Chaves não interveio no projeto de manter a Venezuela na Fórmula 1, segundo fonte envolvida na negociação. Também fui informado que a incompatibilidade inicial entre a PDVSA e a Total, empresa petrolífera francesa, patrocinadora da Lotus, com investimento principalmente em Grosjean, não é insuperável por atuarem em mercados distintos.

Do que compreendi em Suzuka, será surpreendente se Maldonado permanecer na Williams. E a própria escuderia, da mesma forma insatisfeita com o piloto, está propensa a não radicalizar nas negociações, para facilitar sua saída. As próximas duas semanas serão decisivas.

Massa

Se Maldonado for para a Lotus, as chances de Massa na Williams crescem. O que preocupa ainda no seu caso é que não assinou com nenhum patrocinador. O que não significa que as empresas já lhe tenham dito “não”. Investimentos da ordem de 10 milhões de euros exigem discussões dos membros do colégio que, em geral, decidem nas empresas. Esse processo demanda tempo. E esse tempo está agindo contra Massa.

A Petrobras, potencial investidora na permanência de Massa na Fórmula 1, tem um problema. Se tudo o que sempre ouvi de um de seus responsáveis por patrocínio esportivo, Claudio Thompson, velho conhecido, estiver ainda válido, e não vejo por que teria mudado, a Petrobras tem enorme interesse em regressar à Fórmula 1. Mas não apenas como patrocinadora, e sim fornecedora de combustível e óleo lubrificante, com o propósito de desenvolver tecnologia.

Dentro desse pacote poderia, sim, ser incluído um valor extra para exposição da marca. Apenas patrocínio, contudo, é bem pouco provável, a não ser que tenham revisto sua política. Sei, porém, que o grupo que assiste Massa enviou proposta para várias empresas.

Com o patrocínio e a possível saída de Maldonado da Williams, haveria uma chance elevada lá para Massa. Seu empresário, Nicolas Todt, conversa também com Martin Whitmarsh, da McLaren, os responsáveis pela Force India e da Sauber. Em todas Massa está na lista dos candidatos.

Tudo o que estou contando não são impressões, mas informações obtidas com gente das equipes, da FOM e até mesmo envolvidos nas negociações.

Ainda na Lotus, se Boullier puder, receber dinheiro dos novos sócios, assina com Nico Hulkenberg, mesmo sabendo que Romain Grosjean e ele se dão muito mal. É coisa antiga. Será uma gestão difícil. Se Maldonado chegar com a PDVSA não tem o que pensar, assina logo o contrato. Na lista, Massa é a terceira opção, ainda mais sem patrocínio, ao menos hoje. Com um investidor muda tudo, torna-se prioritário, pois sua experiência será bastante válida.

McLaren

Olha só o que eu soube: a Telmex, substituta da Vodafone como principal patrocinadora da McLaren, gostaria de contar com Perez em 2014, mas o que mais deseja é vencer. Assim, se Martin Whitmarsh acenar com um piloto que de fato valha a pena a substituição, que vai mesmo acrescentar à equipe, a Telmex concorda com a substituição de Perez. E sabe quem ganhou força para ser o companheiro de Jenson Button em 2014? O piloto que mais tem impressionado desde Monza, Nico Hulkenberg, da Sauber.

O alemão de 26 anos está na lista, como se viu, da Lotus, McLaren e, explico mais tarde, da Williams, de onde saiu em 2010, e da Force India, lá em 2012, na eventualidade de não dar certo com as duas primeiras.

De novo a personalidade extremamente difícil de Perez pode prejudicá-lo e desta vez afastando-o da Fórmula 1. “Não ouve ninguém”, disse-me fonte da McLaren. “É impressionante, ele se coloca num outro mundo, o seu, é indiferente a tudo o que o cerca.” Whitmarsh já não o suporta mais. E a obsessão de procurar ser melhor que Button o tira ainda mais da realidade.

A Honda já abriu os cofres para a McLaren. A partir de 2015 vão estar juntas de novo. Ayrton Senna foi três vezes campeão, em 1988, 1990 e 1991 pela McLaren-Honda. A contratação do técnico de confiança de Adrian Newey, diretor técnico da Red Bull, nos experimentos de túnel de vento, Peter Prodromou, é um exemplo da reestruturação técnica em curso promovida por Whitmarsh, cujo emprego também dependerá muito do que a McLaren fizer em 2014.

A Honda quer um campeão do mundo, tipo Fernando Alonso, para liderar o time. Whitmarsh abre o jogo a toda hora. E se a Ferrari tiver uma temporada ruim no ano que vem e a McLaren der sinais de poder produzir um grande carro em 2015, não existe a menor dúvida de que Alonso encontrará uma forma de rescindir o contrato com os italianos para competir no lugar de Jenson Button na McLaren. Dinheiro não será um problema.

Force India

A Force India não tem piloto sob contrato. O escocês Paul Di Resta não tem mais clima na escuderia de Vijay Mallya. Seus integrantes não o querem mais. Perdeu o rumo, não faz pontos há sete etapas, e sua postura é arredia, distante da necessária para o grupo poder crescer.

Soube que a McLaren ofereceu todo o apoio técnico, determinado número de horas no simulador, dentre outros benefícios para a Force India ficar com o dinamarquês Kevin Magnussen, provável campeão da Fórmula Renault 3.5 World Series e piloto do seu programa júnior.

A equipe reluta em aceitá-lo pelo fato de provavelmente ter de liberá-lo depois de formado, após duas temporadas, por exemplo, na hipótese de ratificar seus dotes de grande piloto. Whitmarsh sabe disso e tenta colocar Magnussen na Marussia, outra organização com quem a McLaren tem um acordo de cooperação técnica.

Vijay Mallya, sócio e diretor da Force India, está propenso a manter Sutil, a pedido da área técnica, coordenada por Andrew Green. Na provável vaga de Paul Di Resta, uma vez que Magnussen tende a não ser a escolha, o primeiro nome é o de Nico Hulkenberg. Mas o alemão deve conseguir coisa melhor este ano. Então Massa tem chance, com patrocinador mais ainda. O empresário de Maldonado, o mesmo de Massa, Nicolas Todt, também já falou sobre o venezuelano na Forde India.

Vijay Mallya deve esperar a Lotus definir seu piloto porque, na sequência, imagina que o seu pacote é o melhor da lista e com isso poderá assinar com um piloto capaz, dentre os bons disponíveis e sem time, e com a vantagem de terem, ainda, patrocinador.

Sauber

Depois dos recentes resultados, 38 pontos nas quatro últimas etapas, a surpreendente Sauber criou perspectiva distinta para 2014. A exemplo da Lotus com os novos sócios, há grande desconfiança na Fórmula 1 sobre o dinheiro que os russos disseram que vão investir na Sauber. Os suíços anunciaram em julho a assinatura de um contrato milionário com um trio de empresas russas.

Com ele, Sergey Sirotkin, piloto russo de apenas 18 anos, hoje na Fórmula Renault 3.5, deve começar a temporada como titular.

Soube também que a Sauber tem um programa para Sirotkin ganhar logo experiência, submetendo-o a testes com carros de Fórmula 1 de duas temporadas passadas, permitido pelo regulamento. Mas se os técnicos não o sentirem minimamente preparado para estrear vão tentar convencer os russos a mantê-lo apenas nos treinos livres das sextas-feiras de manhã, com duas horas de extensão, a partir de 2014, em vez da 1h30 de hoje.

O mexicano Steban Gutierrez cresceu com a evolução do carro desde Monza e marcou em Suzuka seus primeiros pontos, ao se classificar em sétimo. Com o dinheiro da Telmex pode ganhar mais um ano de contrato. O que os técnicos já comunicaram a Monisha Kaltenborn, sócia e diretora da Sauber, é não desejarem contar com Gutierrez e Sirotkin juntos como titulares. Andariam muito lá atrás.

Ainda que sua preferência, óbvia, seja pela Lotus, depois Williams e Force India, Massa aceitaria também a Sauber. Na Lotus, vimos que, com dinheiro, a escolha recairá em Maldonado; sem dinheiro, Hulkemberg. Na McLaren, se não for Sergio Perez, deve ser Nico Hulkenberg. Massa hoje tem chances na Williams, Force India e Sauber.

Toro Rosso

Na Toro Rosso, o português Antonio Felix da Costa, terceiro na Fórmula Renault 3.5 World Series, ainda é o favorito para ser o companheiro de Jean Eric Vergne em 2014.

Caterham

Na Caterham, o dono da equipe, o malaio Tony Fernandes, deseja a volta do finlandês Heikki Kovalainen, mas precisa do dinheiro de Giedo van der Garde, ou de outro piloto com potencial. Charles Pic tem contrato para 2014.

Marussia

Na Marussia, o francês Jules Bianchi está acertado. Ele faz parte de um acordo de colaboração com a Ferrari. A escuderia russa paga menos pelo motor e os dois sistemas de recuperação de energia, kers, da Ferrari, por ter assinado com Bianchi, piloto do seu programa júnior. O seu companheiro pode ser Kevin Magnussen, hoje o candidato com mais chances.

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