Milhões que representam pouco

liviooricchio

24 de outubro de 2010 | 18h59

24/X/10

Amigos, esse é o texto de minha coluna nesta segunda-feira no Jornal da Tarde

US$ 12,5 milhões é muito ou pouco dinheiro? Seja lá para o que for, representa uma quantia respeitável. Mas poucas vezes na história do esporte US$ 12,5 milhões significaram tão pouco. A relação custo/benefício para a Ferrari, por ter pago a Kimi Raikkonen US$ 12,5 milhões para não cumprir seu contrato, a fim de que Fernando Alonso o substituí-se, foi tão favorável, as empresas envolvidas no projeto da equipe já estão capitalizando tanto com os resultados obtidos pelo espanhol que US$ 12,5 milhões passam a representar pouco. Se for campeão então…

  Com toda certeza, o Raikkonen que vimos em 2009 não teria a mesma competência, interesse e determinação de Alonso em buscar vencer o Mundial.

  O piloto não faz diferença na Fórmula 1? Faz e sempre fará enorme diferença. É preciso compreender que a vitória de ontem não representou apenas a primeira colocação do campeonato, mas o sucesso da liderança do asturiano. Ele é capaz de fazer o grupo não esmorecer nunca, acreditar, trabalhar no desenvolvimento do carro. Alonso participou ativamente desse processo de manter o time vivo. E é isso que leva uma escuderia a transformar 47 pontos de desvantagem na décima etapa do campeonato, Silverstone, em 11 de vantagem na 17.ª prova, ontem.

  Mas Alonso sabe que não conquistou nada, ainda. O campeonato está bem aberto, apesar da sua importante vantagem de 11 pontos na classificação, restando apenas as corridas de São Paulo e Abu Dabi. Mesmo Alonso sendo o piloto mais completo dos que lutam pelo Mundial, a Red Bull dispõe do carro mais rápido e venceu no ano passado as duas provas. Alonso terá de correr com a cabeça, como faz na grande maioria das vezes, e talvez até, como ontem, contar com uma ajudazinha da sorte. Mas Alonso pode ficar tranquilo, a sorte costuma bater na porta dos competentes. Como ele.

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