Montezemolo mandou um recado bem claro para Massa

liviooricchio

17 de setembro de 2013 | 16h28

17/IX/13
Zurique

Amigos, no voo de Nice para cá, Zurique, li a entrevista de Montezemolo para meu amigo Pino Allieve da Gazzetta dello Sport. E durante o voo mesmo redigi o texto a seguir. Aqui no lounge, onde me encontro agora, 21h30 desta terça-feira, 16h30 horário de Brasília, inseri os números de pontos depois de consultar na internet, obviamente não os tinha na mente.

Estou embarcando para Cingapura com a Swiss. São 13 horas de voo direto. Nosso próximo encontro será agora já da cidade-estado. O fim de semana será pleno de notícias de toda natureza.

Abraços!

O texto:

Logo depois de saber que seu contrato não seria renovado, após oito anos na Ferrari, na semana passada, Felipe Massa iniciou discurso de que nas sete etapas que restam da temporada não mais correria em função de Fernando Alonso, o companheiro de equipe. “Estou livre para disputar a minha própria corrida. Vou partir para cima, agora, ser agressivo.”E afirmou literalmente: “Não mais vou ajudar Alonso”.

O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, em entrevista ao diário esportivo Gazzetta dello Sport, pertencente ao grupo Fiat como a Ferrari, não gostou do que leu. Primeiro elogiou o “menino” que trabalhou para sua escuderia em 2003, como piloto de testes, e depois como titular de 2006 até a temporada em curso. “Felipe é um rapaz excepcional e uma pessoa esplêndida. Espero dele um grande fim de campeonato.”

Na sequência, porém, Montezemolo enviou um recado explícito para Massa: “Dizem que não vai ajudar Fernando? Qual nada! Ajudará seguramente. Vai dar uma mão a nós no Mundial de Construtores e a Alonso no de Pilotos”. O dirigente utiliza do recurso do sujeito oculto para evitar um atrito público com Massa, o que seria desgastante para os dois lados e com possíveis consequências para seu “menino”.

Para Massa e o empresário, Nicolas Todt, a sua falta de resultados nos três últimos campeonatos tem uma causa maior: a necessidade de primeiro atender os interesses de Alonso e somente depois poder pensar nos seus.

E nesse momento em que precisa mostrar ao mercado que é um piloto melhor do que os últimos anos demonstraram, para continuar na Fórmula 1, o que tem a fazer é realizar suas escolhas de acerto do carro, sem a obrigação de fazer testes para Alonso.

Mais: decidir por si a hora do pit stop, e não esperar o time mandar, de forma sempre a não disturbar a estratégia de Alonso, mesmo que isso lhe custe a perda de uma ou mais colocações na corrida, e largar com o objetivo único de conseguir o melhor resultado, retirando da mente essa imposição de servir o companheiro. “Isso destroi os instintos de um piloto”, disse ao Estado Nicolas Todt.

Por esse conjunto de razões o francês afirmou: “Queremos permanecer na Fórmula 1. Mas terá de ser num time onde temos liberdade. Acho que voltaremos a ver o mesmo Felipe que em 2008 perdeu o título por um ponto para um piloto do nível de Lewis Hamilton”.

Na conversa com a Gazzetta dello Sport Montezemolo explicou os motivos de substituir Massa por Kimi Raikkonen: “Nossa relação com Felipe era clara. Ele precisava de resultados, como nós. Obteve, mas não com constância. Disputou belas corridas, contudo sem repeti-las”. Disse ainda sobre Massa: “No ano passado os pontos que não conseguiu nos fizeram falta. Fará bem a ele trocar de ar”.

A Red Bull ficou com o título dos construtores de 2012, ao somar 460 pontos com Sebastian Vettel e Mark Webber. A Ferrari foi a segunda colocada, com 400. Entre os pilotos, Vettel obteve o terceiro mundial seguido, com 281 pontos, seguido por Alonso, 278. Massa terminou o ano em sétimo, com 122 pontos, ou 156 a menos de Alonso.

A diferença entre Red Bull e Ferrari entre os construtores foi de 60 pontos (460 – 400). E a diferença entre o que recebe da FOM o campeão e o segundo colocado nessa competição é de aproximadamente 20 milhões de euros (R$ 60 milhões).

Se Massa tivesse somado 61 pontos a mais, a Ferrari teria vencido o campeonato de construtores, o que significaria que o valor do contrato anual de Alonso, pouco mais de 20 milhões de euros, seria pago pela conquista do título. Por essa razão Montezemolo lembrou na entrevista que os pontos que Massa não fez fizeram falta.

Nos dias de disputa do GP de Cingapura, 13.º do calendário, no fim de semana, o que primeiro ficará claro é se Massa fará o que disse depois de saber que não vai continuar na Ferrari, ou seja, correrá com liberdade ou se irá acatar a ordem de Montezemolo, de prosseguir na função de ajudar a equipe e Alonso.

A convivência no paddock do circuito de Cingapura deverá servir, também, para novos encontros de Nicolas Todt com diretores de times potencialmente capazes de receber Massa. Apesar de o piloto dizer McLaren, além da Lotus, um outro caminho possível parece ser apenas a renovada Williams.

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