Montreal e Valência, a chance de McLaren, Ferrari e Mercedes

liviooricchio

07 de junho de 2010 | 19h20

07/VI/10

Amigos, esse é o texto de minha coluna nesta segunda-feira no Jornal da Tarde

  Ferrari, McLaren e Mercedes esperavam esses GPs: do Canadá, domingo, e da Europa, também em circuito de rua, em Valência, Espanha, dia 27. O motivo é simples: é a chance que essas três equipes têm de vencer a Red Bull, o time com o carro mais rápido da Fórmula 1, hoje.

  A maior vantagem do modelo RB6-Renault de Mark Webber e Sebastian Vettel, a dupla da Red Bull, é sua velocidade de curva. Quase sempre superior à da concorrência e em alguns casos, como na famosa curva 8 da pista de Istambul Park, cerca de 15 km/h superior a todos os adversários. Sua aerodinâmica, essencialmente, é a mais eficiente da Fórmula 1.

  Ocorre que nos 4.361 metros do circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, e nos 5.419 metros do traçado de rua de Valência o tempo que os carros permanecem em curva é bastante breve. Suas curvas são lentas e curtas. Já o período sob aceleração plena, nas retas, corresponde à maior porcentagem do tempo de volta. É por esse motivo que Lewis Hamilton e Jenson Button, da McLaren, podem ser considerados os favoritos: a McLaren é quem tem as melhores velocidades nas retas.

  A Red Bull não poderá explorar o que tem de melhor em Montreal e Valência. E há outros fatores que podem levar Webber e Vettel a terem sérias dificuldades para manter a série de pole positions seguidas – fizeram todas até agora, este ano, nas sete provas -, e principalmente ganhar a corrida: o volume do tanque de combustível do modelo RB6 da Red Bull.

  Adrian Newey, projetista da carro de Webber e Vettel, optou por desenhar um monoposto com distância entre-eixos mais curta que os concorrentes. Como consequência, o RB6 tem um tanque pequeno. Na Turquia, a equipe orientou Webber a reduzir o ritmo para não enfrentar o risco de uma pane seca no final da prova. No Canadá e em Valência, essa preocupação será ainda maior. Estão dentre os traçados de maior consumo de gasolina.

  Outro fator que pode colocar em xeque a superioridade da Red Bull nas duas próximas corridas é o seu sistema de freios, extremamente exigidos nos dois circuitos. Newey instalou as pinças na porção inferior do disco, a fim de abaixar o centro de gravidade do carro. As demais equipes já tentaram no passado a solução e abandonaram.

  Apesar de colaborar globalmente com o projeto, expõe o sistema de freios a esforços complexos de serem atenuados. Só a Red Bull mantém a solução. Não foi por acaso que Vettel já enfrentou em algumas oportunidades dificuldades com os freios. Chegou a perder para Fernando Alonso a corrida de Bahrein por esse motivo.

  Em resumo, se existem duas etapas em que McLaren, Ferrari e Mercedes podem pensar em vencer a Red Bull são as de Montreal e Valência. Mais do que ninguém, Webber e Vettel sabem disso. Se saírem de lá com bons pontos deverão ficar felizes. Três das quatro corridas seguintes, porém, em Silverstone, Hockenheim e Spa-Francorchamps, lhes são muito favoráveis.

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