Mosley acata proposta das equipes e desiste do motor padrão para a F-1

liviooricchio

22 de outubro de 2008 | 21h20

22/X/08
Livio Oricchio, de Frankfurt

Os fãs da Fórmula 1 podem respirar um pouco mais aliviados: Max Mosley, presidente da FIA, revogou a medida que impunha, já a partir de 2010, a adoção de um motor único para todas as equipes. Ontem, em Genebra, os representantes das escuderias entregaram a Mosley a sua proposta para reduzir o custo elevado dos motores, razão de o dirigente impor um motor padrão bem mais barato que os atuais, deixando as montadoras em dúvida se valeria a pena continuar investindo na Fórmula 1.

“O momento é histórico”, afirmou Luca Colajanni, da Ferrari. “Nunca na história houve a unanimidade alcançada agora.” E foi essa unanimidade que levou Mosley a aceitar o projeto da Formula One Team Association (Fota), a associação dos times, ontem na Suíça. Os motores em 2009 deverão ser utilizados em três corridas e não apenas duas, como na temporada que conhecerá o campeão dia 2 em Interlagos.

Mais: as equipes que não produzem seus próprios motores, as chamadas independentes, Williams, Red Bull, Toro Rosso e Force India, poderão adquirir 25 motores por campeonato ao preço de 10 milhões de euros, ou a metade do que custam hoje, fornecidos por Ferrari, Mercedes, BMW, Renault, Toyota ou Honda, de acordo com os acordos de cada time. Hoje a Renault fornece para a Red Bull, a Ferrari para Toro Rosso e Force India e a Toyota para a Williams.

“A partir do momento que há um acordo unânime de como reduzir os custos, não há mais a necessidade de se adotar o motor padrão”, explicou Colajanni. O que vai se tornar padrão já a partir de 2010 é o sistema de recuperação de energia, Kers, a ser usado pela primeira vez na Fórmula 1 no próximo Mundial. “O custo do desenvolvimento dessa tecnologia inedita na competição tem sido bastante elevado”, diz Steve Nielsen, da Renault. As próprias equipes propuseram a adoção do mesmo Kers para todos, distribuído pela empresa que vencer a concorrência que a FIA fará, como agora com as unidades eletrônicas de gerenciamento do motor (ECU).

Ficou acertado, ainda, em Genebra, que FIA e Fota voltam a se reunir em breve para discutir as medidas que vão tornar a produção do chassi mais econômica. E durante o GP do Brasil um novo encontro definirá a distribuição ou não de um ponto para o piloto mais rápido na segunda parte do treino classificatório (Q2) e a redução dos testes de 30 para 20 mil quilômetros por ano, dentre outras alterações de adoção já em 2009.

Desde que a Fórmula 1 existe, em 1950, vários rachas a colocaram até mesmo em xeque, como a lendária briga entre Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, e Jean-Marie Balestre, presidente da FIA, em 1982. No GP de San Marino daquele ano, apenas os que apoiavam Balestre disputaram a prova, com 14 carros. Diante de cada participante defender seus interesses individualmente e nunca de forma coletiva, a Fórmula 1 sempre se caracterizou pela falta de união de seus integrantes.

Agora, com a crise financeira mundial batendo perigosamente à sua porta, conseguiu-se o que até mesmo Mosley considerava impossível: união de propósitos, demonstrada ontem. A Fota reverteu o que poderia ser lesivo para a competição, a adoção do motor padrão, e uma nova era pode estar surgindo e que pode, de verdade, lançar a Fórmula 1 num futuro mais promissor.

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