Mosley confirma que não deixa a presidência da FIA

liviooricchio

01 de abril de 2008 | 18h17

01/IV/08

O apoio recebido de parte significativa de integrantes da própria FIA e da comunidade automobilística, em geral, foram as razões alegadas por Max Mosley, ontem, em carta distribuída a todos presidentes de federações, para justificar sua decisão de prosseguir na presidência da FIA.

Domingo o jornal inglês News of the World colocou no ar um vídeo, na sua edição eletrônica, onde o dirigente inglês aparece com cinco prostitutas numa encenação sadomasoquista. “Vocês podem ter a certeza de que não permitirei que o ocorrido impeça meu comprometimento com o trabalho na FIA”, afirmou.

Mosley assumiu tudo e desculpou-se com todos que, de alguma forma, se sentiram embaraçados com as revelações de sua privacidade, embora reconhecesse seu comportamento como “vergonhoso”. Sua preocupação maior nem foi tanto com a orgia experimentada em Londres, sexta-feira, mas desvincular o ocorrido de qualquer traço anti-semita.

Na fantasia do ato, Mosley era o presidente do campo de concentração e as prostitutas as prisioneiras judias. “Não houve qualquer conotação nazista. Isso é totalmente falso”, escreveu.

As equipes de Fórmula 1 mantiveram-se em silêncio ontem também. Domingo será disputado o GP de Bahrein. Mosley não deverá viajar para o Oriente Médio, mas certamente a imprensa questionará os representantes dos times, já que seguem a orientação de um líder envolvido em episódio como o revelado pelo News of the World.

O inglês demonstrou inconformismo com o fato de ter sua privaciade exposta. “Em muitos países é contra a lei publicar detalhes da vida privada sem bons motivos. Eu pretendo tomas as ações legais contra o jornal no Reino Unido ou em outras jurisdições.”O inglês não hesita em acreditar que tudo foi planejado previamente para atingi-lo.

“Tenho informações que me foram repassadas por fontes altamente confiáveis próximas à polícia britânica e o serviço de segurança.”

Nas duas últimas semanas sua vida pessoal passou a ser investigada por um grupo especializado nesse tipo de coisas, por razões e clientes ainda desconhecidos, diz na carta. Mosley sugere que tudo pode bem ter sido encomendado.

Amigos, agora eu em primeira pessoa. Não, Mosley não, por favor, Livio Oricchio. Gostaria de me estender um pouco mais no tema, mas tenho de ir para casa, tomar banho e me dirigir para o aeroporto. Hoje à noite embarco para Bahrein. Mas certamente lá no deserto de Sakhir vamos querer saber o que pensam os dirigentes das equipes.
Abraços

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