Mosley sofre a pior derrota de sua vida profissional

liviooricchio

24 de junho de 2009 | 12h58

24/VI/09

A condição básica para Luca di Montezemolo, falando como presidente da Fota, iniciar a conversa, hoje, quarta-feira, em Paris, visando a tentar resolver o sério impasse com a FIA, foi: a saída incondicional de Max Mosley da presidência da entidade.

E até outubro, quando termina seu mandato, não ter poder algum mais porque Montezemolo exigia, também, assinar a extensão do Acordo da Concórdia até o fim de 2012, o que garantiria às equipes que toda e qualquer alteração nas regras siga o tramite processual regular, Sporting Working Group (SWG) ou Technical Working Group (TWG), Comissão de Fórmula 1 e depois o Conselho Mundial.

Bernie Ecclestone ouviu Montezemolo, já havia nos dado sinal claro em Silverstone, sexta-feira, de que não estava mais com Mosley, e tudo o que procurou fazer foi oferecer ao dirigente uma saída honrosa do episódio. Na prática, tudo o que aconteceu ontem em Paris representou uma derrota humilhante para Mosley.

Isso porque, além de ouvir de Montezemolo que com ele não haveria negócio, do seu projeto mirabolante para salvar a Fórmula 1 nada acabou aproveitado. O regulamento de 2010 não terá limite orçamentário, mas importante redução de custos, como propunha a Fota, não haverá regulamento duplo algum, uma das idéias mais malucas conhecidas, como impunha Mosley.

Mais: o Kers deixará de existir, as equipes novas, se desejarem correr com motor Cosworth, como pretendia Mosley, sabem desde já que usarão o mesmo limitador de giros em 18 mil rpm, como todos, e não terão liberdade de não adotá-lo, como garantia o presidente da FIA, em outra afronta.

Sem nenhuma presunção, por favor, mas escrevi a partir do que minhas fontes me contaram, em Silverstone, sem mais nenhum receio de esconder que trabalhariam para extirpar Mosley da Fórmula 1, que o dirigente estava com os dias contados. O texto apenas refletia o que alguns dos principais dirigentes da Fórmula 1 me disseram.

Cortar as asas de Mosley, por suas idéias colocarem em risco a própria Fórmula 1, ao menos a maneira como pretendia conter as despesas, sem falar no seu autoritarismo doentio, era algo que ocorreria; se não hoje então até a eleição para a presidência da FIA, em outubro.

Por isso sempre acreditei que não haveria campeonato da Fota. O anúncio se prestou apenas para isolar Mosley de Ecclestone. As equipes já trabalham em seus modelos de 2010 tendo em mente o regulamento da Fota e não o da FIA, para se ter uma idéia do quanto elas mesmos sabiam que Mosley cairia fora.

Sabe quem deu essa certeza para eles? O homem que ontem à noite e hoje de manhã costurou tudo com o próprio Mosley, com Luca di Montezemolo e os 23 integrantes do Conselho Mundial, ninguém menos de Bernie Ecclestone. E quando ela fala, amigo, apesar dos 79 anos, está dito!

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.