Mudam os carros e o formato da competição

liviooricchio

18 de outubro de 2008 | 04h50

18/X/08
GP da China
Livio Oricchio, de Xangai

Quem gosta de Fórmula 1 deve se preparar para assistir a um espetáculo um pouco distinto na próxima temporada. Além de os carros serem diferentes dos que na última madrugada participaram do GP da China, penúltima etapa do campeonato, uma série de mudanças no regulamento esportivo deve tornar a competição mais disputada. Por exemplo: o piloto mais veloz na segunda parte do treino classificatório vai ganhar um ponto.

Os representantes das equipes na Fota, a associação dos times, reuniram-se sexta-feira no circuito de Xangai para definir a proposta de alterações a ser entregue a Max Mosley, presidente da FIA, terça-feira, em Genebra. O importante encontro entre diretores das escuderias e a entidade será uma guerra: BMW, Mercedes, assim como as demais montadoras que investem na Fórmula 1 não aceitam a padronização de motor imposta por Mosley para 2010. Nessa reunião Mosley receberá o que ficou acertado em Xangai.

“Não sabemos mais se o piloto que estabeleceu a pole position foi mesmo o mais rápido”, diz Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari. Os carros têm de disputar a parte do treino que define os dez mais rápidos com gasolina no tanque para começar a corrida no dia seguinte. “A única parte do treino que há uma competição real e os pilotos estão na mesma condição é a Q2”, falou Montezemolo, ainda durante o GP da Itália. Para outro italiano, Flavio Briatore, “faz todo sentido” premiar o piloto mais rápido no Q2. “É um desafio grande ser mais veloz que todos seus adversários, por que não valorizar a conquista?”

O mesmo motor deve ser utilizado hoje no treino livre de sábado, a classificação e a corrida, no domingo, por dois fins de semana seguidos. Nos dois treinos livres de sexta-feira é permitido o uso de outro motor. A partir de 2009, com muita probabilidade os motores deverão resistir a três grandes prêmios, na mesma série da programação, sábado e domingo. A substituição implicará a perda de dez colocações no grid. “Se você deseja economia, essa é uma medida que atende seus interesses”, avalia Mario Theissen, da BMW. Mosley precisa concordar, mas como vai ao encontro do que a FIA defende, deverá ser aprovada.

Outra mudança que vai agradar a FIA é a redução na quilometragem de testes proposta pelos próprios times em Xangai. Hoje são permitidos 30 mil quilômetros por equipe de 1º de janeiro a 31 de dezembro. Em 2009, serão apenas 20 mil quilômetros mais quatro dias com pilotos sem experiência de Fórmula 1. “Um dos problemas dos times não associados a montadoras é a impossibilidade de treinar como eles”, lembrou, em Cingapura, Frank Williams. Seu carro, este ano, começou muito bem o campeonato, mas a Williams não conseguiu desenvolvê-lo como fizeram com seus modelos a maioria dos concorrentes, por disporem de mais recursos financeiros.

Ao menos para 2009 o reabastecimento de combustível será mantido. Sua proibição esteve na pauta do encontro de sexta-feira em Xangai. “Não haveria como, o projeto dos carros do próximo campeonato começaram no início do ano e o tamanho dos tanques não lhes permite terminar as corridas sem parar para reabastecer”, explica Geoff Willis, projetista da Red Bull. Por isso falou-se, na China, até em reduzir as provas dos atuais 305 quilômetros e duas horas máximas de duração para 250 quilômetros e uma hora e meia como limite. A idéia tende a não ir para frente até mesmo dentro da Fota.

Os carros em 2009 vão ter visual diferente. Usarão pneus lisos (slick) em vez de com sulcos, quase todos os pequenos apêndices aerodinâmicos na frente, laterais e atrás foram proibidos, o aerofólio dianteiro será maior e o traseiro menor. Exigirão outra postura dos pilotos. As ultrapassagens tendem a ser menos difíceis. Os monopostos de Fórmula 1 terão, ainda, um sistema de recuperação de energia inédito, concebido para dar mais potência e auxiliar nas ultrapassagens. Tudo isso somado às mudanças que a FIA deve aprovar terça-feira, em Genebra, sugerido pelas próprias equipes, fará da Fórmula 1 um evento bastante diferente do que os brasileiros assistirão no encerramento da temporada, dia 2 em Interlagos.

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