Na prática, o GP da Bélgica começa apenas no sábado

liviooricchio

31 de agosto de 2012 | 18h02

31/VIII/12

Livio Oricchio, de Spa

Nada do complexo trabalho que pilotos e equipes deveriam ter realizado ontem no circuito de Spa-Francorchamps, visando a sessão de classificação, hoje, e principalmente as 44 voltas da corrida, amanhã, pôde ser desenvolvido por causa da chuva forte durante os dois treinos livres. Assim, os 26 pilotos que disputam o GP da Bélgica têm apenas a sessão de hoje de manhã para acertar o carro a mais seletiva pista do calendário, descobrir como ele reage com os pneus duros e médios, os disponibilizados pela Pirelli, com muita e pouca gasolina, e ainda estudar a melhor estratégia.

“A competição transformou-se num desafio de engenharia imenso”, comentou o chefe dos técnicos de pista da Sauber, Gianpaolo Dall’Ara. Bruno Senna, da Williams, diz: “Aqui você precisa de um carro bem acertado, caso contrário fica muito para trás. A prioridade será encontrar o ajuste certo nesse pouco tempo existente”. Dall’Ara explicou que a previsão para a definição do grid, hoje, é de asfalto seco, bem como para amanhã. Steve Nielsen, ex-diretor esportivo da Renault, agora na Caterham, dá mais informações dessa tarefa difícil: “A estrutura do time conta muito nessa hora em que todos começam do zero no sábado por a sexta-feira não servir para nada”.

O líder do campeonato, Fernando Alonso, da Ferrari, por exemplo, completou 4 voltas de manhã e 3 à tarde, todas em velocidade bastante moderada. “Estamos aquaplanando na reta”, falou Felipe Massa, seu companheiro, pelo rádio, ao engenheiro, Rob Smedley, nas duas voltas que deu à tarde. “Se já não havia muita lógica no que vemos este ano entre o que ocorre na classificação e na corrida, aqui em Spa esse fenômeno se manifestará ainda mais”, comenta Nielsen.

Alonso não falou com a imprensa, ontem, bem como Massa. E a Ferrari inovou ao também não distribuir comunicado, a única a não fazê-lo, num desprezo à mídia internacional. Mas o fato de mais variáveis ainda poderem interferir no resultado do GP da Bélgica, com a ausência dos treinos, ontem, Alonso sabe que pode jogar a seu favor. Na quinta-feira comentou não dispor do melhor carro dentre os que lutam pelo título. O espanhol é um especialista em melhor interpretar as condições da corrida, em especial este ano.

“Fernando lidera o campeonato porque é o melhor piloto hoje, o mais completo. E em provas onde parar nos boxes uma volta antes ou depois faz diferença decisiva no resultado vimos neste campeonato o que ele é capaz”, analisou Jackie Stewart, para o Estado, três vezes campeão do mundo.

A exemplo de etapas em que imaginava deixar o país com os adversários mais próximos na classificação do Mundial e ocorreu o oposto, pode acontecer o mesmo no GP da Bélgica, apesar de sua eterna lamentação de não possuir um carro tão competitivo, já contestado publicamente pelos adversários, como Sebastian Vettel, da Red Bull, e Lewis Hamilton, McLaren.

Antes da disputa, a rigor, começar, hoje, Alonso já deu sorte: Mark Webber, companheiro de Vettel e o segundo colocado no campeonato, perderá cinco posições no grid por substituição do câmbio antes dos cinco GPs obrigatórios.

O projeto é de Max Mosley, ex-presidente da FIA, mas Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, o vê com muito bons olhos: limitar os GPs aos sábados e domingos para aumentar o número de etapas, hoje em 20. Pois o GP da Bélgica dará uma referência do que pode ocorrer nesse projeto. Na prática, a 12.ª etapa do Mundial começa hoje. A sessão de classificação está marcada para as 9 horas, horário de Brasília.

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