Não dá para comparar Nelsinho com Hamilton

liviooricchio

18 de fevereiro de 2008 | 20h38

18/II/08

Amigos, esse é o texto de minha coluna, hoje, no Jornal da Tarde:

Estamos ainda na pré-temporada e já há quem compare Nelsinho Piquet com Lewis Hamilton, tomando como referência a diferença de tempo para Fernando Alonso nos testes. Só para recordar, Hamilton e Alonso foram companheiros de equipe ano passado na McLaren e agora Nelsinho e Alonso formam a dupla da Renault.

Na hora que o campeonato começar, dia 16 de março na Austrália, cada passo de Nelsinho será confrontado com o que fez, em 2007, Hamilton, piloto que disputou com ele o título da GP2 em 2006. O que pode tornar as coisas mais difíceis para Nelsinho.

O que primeiro é preciso ter em mente é que a condição de Nelsinho na Renault este ano é bem distinta da de Hamilton na temporada passada.
O contato de Nelsinho com a equipe, ano passado, foi de piloto de testes. Encontros esporádicos e extritamente profissionais. Já Hamilton convive com o pessoal da McLaren desde os 13 anos. É bem mais que uma relação apenas profissional.

Outra diferença fundamental entre o momento de Nelsinho na sua estréia na Fórmula 1 e o de Hamilton, em 2007: eficiência do carro.

Hamilton uniu seu imenso talento à torcida de seu time por ele e à impressionante velocidade e confiabilidade do modelo MP4/22 da McLaren.
Já Nelsinho está acelerando um carro que é, segundo Alonso, “um segundo mais lento que a McLaren e a Ferrari”.

Tem mais: o imenso desgaste na relação entre Hamilton e Alonso na McLaren deixou o espanhol e Flavio Briatore, diretor da Renault, bem escolados.

Enquanto na McLaren não havia nenhuma ordem de equipe, ainda que disfarçada, para Hamilton e Alonso, na Renault Nelsinho chega para ser, em princípio, o piloto que ajudará Alonso melhorar o carro para permitir preferencilmente ao espanhol sonhar em vencer.

Nesse espaço de tempo, a função de Nelsinho será somar pontos quando possível. Essa será a receita da Renault. Por mais que digam o contrário. É bem diferente da experiência vivida por Hamilton na McLaren em 2007, tão liberal que custou o título à equipe.

Mas ainda que não seja possível comparar diretamente o trabalho de Hamilton ano passado com o de Nelsinho, agora, não há outra solução para o filho de Nelson Piquet: tentar, dentro do que lhe é concedido, estar o mais próximo possível de Alonso e, se as condições permitirem, vencê-lo também, como fez o jovem inglês, ainda que com importantes fatores a seu favor, ausentes no caso de Nelsinho.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.