Não há certeza, mas Briatore pode sair sem punição dessa também

liviooricchio

11 de setembro de 2009 | 20h44

11/IX/09
Livio Oricchio

O Conselho Mundial da FIA não julga apenas tecnicamente as questões. A política tem muito mais importância que eventuais provas contra um piloto, dirigente ou uma equipe. Dia 21, em Paris, não será diferente. O que estará na balança na apreciação do relatório de Nelsinho Piquet, mostrando que atendeu ao pedido de Flavio Briatore e Pat Symonds, da Renault, no GP de Cingapura de 2008?

Vale a pena disponibilizar os pesos nos dois lados da balança. De um lado vai estar um piloto que não demonstrou grande capacidade na Fórmula 1, a ponto de ser dispensado, e suas tênues provas de que está dizendo a verdade. São elas: a telemetria do momento do acidente, onde mostra que acelerou em vez de aliviar o pé do acelerador, o que não é quase nada, segundo os técnicos, as conversas entre ele e a equipe, em que, da mesma forma, sabe-se, não há nada comprometedor. Existe ainda o seu testemunho. Como Nelsinho descreve no seu relatório, nem mesmo seu engenheiro conhecia a farsa planejada. Não há outras testemunhas. Isentou até Fernando Alonso.

Do outro lado da balança vão estar uma montadora do porte da Renault, a liderança inconteste de Briatore, sócio de Bernie Ecclestone em vários negócios e amigo pessoal, e seu enorme poder de persuasão.

Se este lado perder, a Fórmula 1 fica sem a equipe Renault, num momento de carência extrema de times, e Briatore, que por mais que o meio o condene tem importância significativa, já foi campeão do mundo quatro vezes, o único por equipes distintas, Benetton e Renault.

Em resumo, para que Briatore e Symonds sejam punidos será preciso alguma prova ainda não conhecida, pouco provável que exista, e Max Mosley, presidente da FIA até o mês que vem, assuma um conflito explícito com Ecclestone, da mesma forma não esperado.

As chances de Briatore sair ileso são, portanto, muito boas. E, como sempre, por razões puramente políticas. Já Nelsinho pode sair como o vilão da história, embora tenha dito somente a verdade.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.