Nelsão Piquet fala da emoção de ver o filho correr na F-1. E de outras cositas também.

liviooricchio

25 de abril de 2008 | 16h55

25/IV/08
Livio Oricchio, de Barcelona

Início

Ele deixou a Fórmula 1 ainda em 1991, depois de conquistar três títulos mundiais, em 1981 e 1983, pela Brabham, e 1987, Williams. Mas havia tantos jornalistas ao seu redor, ontem no Circuito da Catalunha, em Barcelona, que parecia se tratar de um campeão atual. Nelson Piquet foi assistir, pela primeira vez, ao filho correr na Fórmula 1.

E ao menos ontem Nelsinho, da Renault, não decepcionou: ficou em sétimo na sessão livre da manhã e em segundo à tarde. Kimi Raikkonen, da Ferrari, estabeleceu a melhor marca nos dois treinos. Hoje será disputada a sessão que definirá o grid do GP da Espanha, quarta etapa do calendário, a partir das 9 horas, com transmissão ao vivo pela TV Globo.

O tempo passa e Nelson Piquet não muda. Irreverente, simpático, antipático, cortês, rude, imprevisível, inteligente, mordaz. “Emoção eu senti quando meu filho começou e compreendi que deu certo. Não tenho bola de cristal, não sei onde o Nelsinho pode chegar, mas acredito nele, foi campeão em todas as categorias, exceto a GP2”, diz. Apesar da experiência de 13 anos de Fórmula 1 e 204 GPs disputados, Nelson quase não troca informações com o filho. “Acompanho às corridas pelo computador, para não escutar muita bosta no Brasil, e quase não nos falamos.”

A imprensa desejava saber sua opinião a respeito de tudo, como a iminente quebra do recorde de participações na Fórmula 1. Rubens Barrichello, da Honda, iguala em Barcelona a marca de Riccardo Patrese, 256 GPs, e o supera na Turquia, dia 11. “É…tinham que arranjar um recorde para ele e encontraram esse.” Mas não há mérito em permanecer 15 anos na Fórmula 1? “Tem sim, pela paciência de ficar aqui tanto tempo.”

E em breve o patriarca dos Piquet voltará às pistas, na GT3, no Brasil. “Comprei um carro (Ford GT40) para fazer uma ou duas corridas, me divertir, xingar os outros.” Escolherá a dedo onde irá: “Vou a Interlagos, Brasília, agora nunca a Tarumã, Santa Cruz, que são perigosos.” Mas fez questão de contar que enquanto ele apenas “brinca de competir” outro Piquet começa a mostrar as garras para seguir seus passos. É Pedro, seu filho mais jovem, de 8 anos, que corre na categoria Cadete da Copa Centro-Oeste de kart.

“É o melhor de todos”, afirma Nelson. “É impressionante o que leva a sério, como é constante, o que ganha, nasceu vencendo.” Sem receio de ferir ninguém, faz comparações: “Vejo pelo Nelsinho, demorou para se firmar no kart, ele não. E ninguém pode dizer que temos o melhor equipamento porque é tudo sorteado.”

Cada vez que retorna à Fórmula 1 Nelson conta sentir-se em outro mundo, bastante distinto do de seu tempo. “Eu fiz um treino com um carro velho de Fórmula 1 e em seguida estreei na categoria. Hoje, parece ficção científica. O piloto tem de realizar 5 mil quilômetros de testes antes de estrear, necessita aprender como tirar tudo do carro, tantos são os recursos.” Está mais difícil, no entanto, fazer sucesso. “Os carros não quebram. Se o piloto é bom, ganha o campeonato. No tempo do Emerson (Fittipaldi) era pior”, lembra. “Ele venceu 14 GPs. Eu vi ele ganhar três. Os outros caíram no seu colo. Largava em 7º , os carros à frente quebravam e ele chegava em primeiro.”

Como não poderia deixar de ser, abordou o escândalo sadomasoquista em que se envolveu o presidente da FIA, Max Mosley. “Fiquei muito insatisfeito com ele”, afirmou. Depois de alguns segundos, enquanto os jornalistas aguardam sua explicação, lançou: “Muito insatisfeito porque não convidou ninguém para a festa. Pergunta aqui na Fórmula 1 quem nunca fez uma sacanagem!”

FIM

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.