Nelsinho e Briatore trocam acusações

liviooricchio

24 de julho de 2009 | 19h17

24/VII/09
GP da Hungria
Livio Oricchio, de Budapeste

A situação de Nelsinho Piquet na Renault começa a tornar-se até constrangedora para o piloto. É o que se pode compreender das explicações e até acusações do diretor da equipe, Flavio Briatore, sobre seu trabalho este ano, ontem no circuito Hungaroring, onde foram realizadas as duas primeiras sessões de treinos livres do GP da Hungria, décimo do campeonato. “A coletânea de desculpas dele está no fim”, afirmou o italiano. Nelsinho, por sua vez, deu sua versão dos fatos e também atacou o dirigente: “O Flavio não tem amigos, se sai para jantar é por que está pensando em negócio, quanto vai ganhar.”

Diante do exposto por Briatore, ontem, Nelsinho disputará o GP da Europa pela Renault, dia 23, apenas se apresentar excepcional desempenho hoje, na sessão classificatória, e amanhã, ao longo das 70 voltas da corrida. “Os problemas com os pilotos existem a partir do momento que não realizam o que esperamos deles.” Briatore reconhece ter existido, até agora, diferenças nos carros de Fernando Alonso e Nelsinho, como alega o filho de Nelson Piquet. “Mas são de um, dois ou no máximo três décimos de segundo, não sete décimos. Se tivéssemos um carro sete décimos mais rápido (alegação de Nelsinho) nós seríamos campeões do mundo.”

A visão do piloto envolve bem mais variáveis no raciocínio: “Na cabeça dele, que não entende porra nenhuma, esses três décimos deveriam fazer com que, ao final de 10 voltas, eu estivesse apenas 3 segundos atrás do Fernando Alonso, mas as coisas não funcionam assim.” Nelsinho confirma ser, por vezes, três décimos mais lento que Alonso, o que deve ser somado aos três décimos do carro. “Esses seis décimos fazem com que ele largue em 7.º, 8.º e eu em 16.º, acaba minha corrida, vira uma bola de neve.”

A Renault conseguiu montar dois carros com os mesmos avanços para Alonso e Nelsinho em Budapeste. “Vamos ver o que vai acontecer agora”, diz Briatore, claramente sinalizando ser uma espécie de prova de fogo. O piloto reclama das cobranças desmedidas. O dirigente responde: “Temos 800 funcionários trabalhando horas e horas na fábrica, são pessoas que recebem salário para pagar aluguel, escola dos filhos, não são milionários, como muitos pensam que é tudo na Fórmula 1”, explica o italiano. “Você coloca toda essa gente para preparar dois carros para o GP e nada muda, ao menos em um deles, não há como estar feliz.” E definiu em poucas palavras sua maior queixa a Nelsinho: “Este é o seu segundo ano na Fórmula 1 e não mudou nada”.

É a vez de Nelsinho falar da maneira como é cobrado: “Assinei com o Flavio para ser o meu empresário, mas ele está pisando na minha cabeça, não sei qual é o objetivo dele, tentar me ajudar ou atrapalhar.” Na sequência, o piloto demonstra até irritação com seu chefe: “Não quero mais falar disso, não quero me envolver com ele, quem tem de tomar as decisões com o Flavio é meu pai.”

Se o diretor da Renault tem, segundo Nelsinho, responsabilidade direta na sua falta de resultados, o mesmo não diz de Fernando Alonso, como poderia se pensar. Nelsinho isenta o espanhol, ao menos como pessoa. “Ele faz com que eu 100% das vezes tenha de dar tudo de mim porque está sempre no limite do carro, o que não é fácil.” E complementou: “Se fosse outro piloto na equipe, agora, talvez ajudasse eu elevar minha autoconfiança. O problema talvez seja esse, o Alonso e a pressão do Flavio em hora errada.”
Caso Nelsinho não corresponda ao que Briatore deseja dele no fim de semana, provavelmente decisivo, deverá ser substituído pelo francês Romain Grosjean, piloto reserva da Renault e hoje na GP2.

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