Nelsinho: "Meu pai se limitou a dizer 'Parabéns'

liviooricchio

24 de julho de 2008 | 20h17

24/VII/08
Amigos, conversei por telefone com o Nelsinho, ontem, e essa entrevista está na edição de hoje do Estadão e do JT.

Ele jura que não mudou, apesar de transmitir na conversa, ontem, alegria não observada por ninguém ultimamente. Nelsinho Piquet falou, ainda, que espera comemorar com o pai, amanhã, na Itália, seu aniversário de 23 anos.

“Não o vi depois do pódio em Hockenheim.” O pai fez de tudo para o filho chegar à Fórmula 1, como por exemplo montar equipes na Fórmula 3 e na GP2. “Domingo, quando subi no pódio, lembrei dele”, falou Nelsinho. Ontem o piloto da Renault treinou em Jerez de la Frontera, na Espanha, como preparação para o GP da Hungria, dia 3.

Como está sendo trabalhar na equipe depois do 2º lugar, domingo. Você mesmo já havia sinalizado que lhe pressionavam por melhores resultados?

Na realidade, o grupo que está aqui em Jerez é o de testes da Renault, com quem trabalhei ano passado inteiro. Conheço todos, sou brincalhão com eles. Enquanto vinham da Inglaterra para cá, domingo, disseram que ouviam a corrida no rádio do caminhão. Quando acabou, pararam na estrada para comemorar. Disseram-me que se abraçaram. Na Hungria voltarei ao grupo dos GPs, acredito que o ambiente deva mudar também.

Ainda em Hockenheim, recebeu algum cumprimento em especial?

Muitos. Depois no meu celular também. O chefe dos engenheiros de pista me falou algo diferente. Disse ‘Tá vendo o que você pode fazer, rapaz?’

Mas e o chefão, Flavio Briatore, quem mais te cobra, conforme você mesmo não esconde.

Eu ainda não vi o Briatore. Ele foi embora logo depois da corrida, na Alemanha. Segunda e terça-feira eu estava de folga e fui para a Itália ver minha namorada, que faz curso de moda. À noite fui jantar e o vice-presidente do Milan (Adriano Galliani)estava lá. Veio à minha mesa, simpático, me cumprimentou, pegou o celular e fez uma ligação, ali na minha frente. A seguir disse-me que a pessoa desejava falar comigo. Era o Briatore. Queria saber o que eu estava fazendo lá, o que fui fazer na Itália, falamos rapidamente pela primeira vez depois do pódio, na frente de todo mundo. Na verdade, fiquei sabendo que ele tentou falar comigo, mas não atendi a nenhuma ligação que não pudesse reconhecer quem era. E o número dele não apareceu no meu celular. Ah, quando fui pagar a conta, disseram que já estava paga.

Seu pai conseguiu falar com você?
Eu estava sozinho em Hockenheim. Ao acabar tudo eu liguei para meu pai, minha mãe, uma porção de gente, precisava dividir aquele momento. No caso específico do meu pai, somos muito frios quando o assunto é automobilismo. Ele se limitou a dizer parabéns, uma breve pergunta como foi, e nada mais, já mudamos a conversa. Mas sexta-feira (amanhã)será diferente. Vou me encontrar com ele na Sardenha. Está com o barco lá. Já combinamos de comemorar meus 23 anos juntos.

Fernando Alonso, seu companheiro, foi cortês com você?

Eu o admiro como piloto. Sempre me achei rápido em curvas de alta. O Alonso me mostrou que sou rápido, sim, mas me alertou também que tenho o que evoluir. No plano pessoal, não nos relacionamos. São conversas breves e estritamente relacionadas ao trabalho. Há respeito, mas uma certa indiferença recíproca.

Dia 3 será disputado o GP da Hungria. Sua maneira de encarar a disputa muda depois de Hockenheim? Você cita que lhe falta, ainda, maior autoconfiança, em especial na classificação.

Ajuda, claro, mas o que está errado, na minha opinião, é eu ter poucos minutos na classificação para decidir meu futuro no treino. Na Alemanha, não tirei tudo de mim e do carro na primeira volta lançada e na segunda, peguei o Sebastian Vettel na frente, que me atrapalhou. Como resultado fiquei de fora e larguei em 17º. Estava arrasado no sábado. Vou defender poder dispor de mais voltas na classificação.

O melhor desempenho de um piloto na história da GP2 foi o seu, em 2006, na Hungria. Duas vitórias, duas poles e duas melhores voltas.

O carro era ótimo, o que não é o caso agora. Só espero que as pessoas não imaginem que posso estar toda hora do pódio. Tive muita sorte na Alemanha para chegar ao pódio.

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