Nelsinho: 'Temporada começa aqui em Bahrein para mim'

liviooricchio

23 de abril de 2009 | 04h37

23/IV/09
GP de Bahrein
Livio Oricchio, de Manama

Foi o próprio Nelsinho Piquet que definiu, domingo, em Xangai: “Disputei hoje uma das piores corridas da minha vida”. No GP da China, realizado sob chuva, Nelsinho largou em 17.º e chegou em 16.º, tendo cometido vários erros. “Não sei por qual razão fui tão lento”, afirmou com sinceridade desarmante, como sempre. Nelsinho não conseguiu até agora, este ano, passar da primeira fase no treino classificatório.

Mas já hoje no circuito de Sakhir, em Bahrein, como o próprio piloto da Renault diz, “começa uma nova temporada” para ele. E parece estar tão animado que, conforme afirmou nessa entrevista exclusiva ao Estado, “o risco de ser substituído na equipe não me passa pela cabeça”. Os treinos livres da quarta etapa do campeonato começam às 4 horas, horário de Brasília, 10 horas local.

Estado (E) – Já ficou claro para você e seu time as razões de não poder explorar seu verdadeiro potencial em Xangai?
Nelsinho Piquet (NP) – Nunca é uma coisa só. Sei que parece besteira, mas minha viseira embaçava tanto que tinha de passar a mão por dentro, toda hora. Por duas vezes errei e precisei parar para trocar o bico, o que me desanimou bastante. Não é só isso. Por estar uma volta atrás, a todo instante recebia a bandeira azul para deixar um carro mais rápido me passar e eu tinha de tirar o pé do acelerador. Tem mais: raramente me deixaram treinar quando a pista estava molhada. Mas isso faz parte do passado.

E – Não te preocupa o fato de já se comentar no paddock que você tem mais algumas corridas para demonstrar sua capacidade, caso contrário poderá ser substituído na Renault?
NP – Eles não reclamaram comigo, ainda. Nosso carro é mais lento que muitos e eles sabem disso. A partir deste GP, aqui em Bahrein, nós vamos dispor de um equipamento entre seis décimos e um segundo mais rápido por causa das modificações aerodinâmicas. Trouxeram um novo difusor para o Alonso e o que ele usou na China está no meu carro. Só de saber que me permitirá classificar melhor no grid a minha perspectiva para o fim de semana muda. Não posso pensar que poderei ser substituído. Meu foco é aproveitar esse novo momento da equipe e transformá-lo em meu também. Sei que a cobrança, agora, virá mesmo.

E – Como é encarar o seu grupo de trabalho sabendo que eles trabalharam duro a fim de preparar o carro para a prova da China e você não correspondeu?
NP – Como disse, o Flavio Briatore (diretor da Renault) não me cobrou porque tem consciência de que o carro do Fernando Alonso, com o novo difusor, em Xangai, era sete décimos de segundo mais rápido que o meu. Aqui, com o mesmo equipamento, sinto que eles terão argumento caso as coisas não funcionem. Mas não será assim. Acabei de estudar com meu engenheiro (Phil Fast, de 28 anos de idade) meios de o Kers (sistema de recuperação de energia) não prejudicar minhas frenagens, com tem ocorrido, se o utilizarmos, e pequenos ajustes no carro que podem, agora com o novo difusor, favorecer a pilotagem.

E – Seu pai (Nelson Piquet, três vezes campeão do mundo) tem vindo às corridas, o que no ano passado só aconteceu um vez. Você pediu, o ajuda, como é sua relação com ele?
NP – Já me senti muito sozinho na Fórmula 1 e a maneira como o Briatore cobra as coisas não é das mais amenas. Contar com meu pai nessa hora é sempre bom, até porque a simples presença dele impõe respeito. Se eu tiver algum problema ele está aqui para me ouvir. Mas o que é bom é que meu pai não se intromete em nada. Diz o que pensa para mim, como agiria, o que conceitualmente é sempre certo. O que propõe, no entanto, para verificar se algo está funcionando ou não, eu já tenho a resposta por conta da riqueza de dados da telemetria. Há 20 anos eles é que tinham de descobrir.

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