Nem sempre o melhor carro é o campeão

liviooricchio

18 de julho de 2010 | 20h49

19/VII/10

Amigos, esse é o texto de minha coluna nesta segunda-feira no Jornal da Tarde

   O modelo RB6-Renault da Red Bull é o melhor em quase todos os parâmetros utilizados para julgar a eficiência de um carro de Fórmula 1. No início da temporada, as soluções extremas adotadas pelo projetista Adrian Newey comprometeram um pouco sua confiabilidade, mas hoje é um monoposto velocíssimo e sem histórico de panes.

  Mas apesar de Mark Webber e Sebastian Vettel disporem do mais perfeito equipamento da temporada, capaz de nas pistas dotadas de curvas rápidas, como Silverstone, impor grandes diferenças de desempenho à concorrência, os dois não lideram o Mundial de Pilotos e a Red Bull é apenas a segunda colocada na disputa entre os construtores. Lewis Hamilton está em primeiro, com 145 pontos, enquanto Webber é terceiro, 133, e Vettel, quarto, 121. A McLaren lidera entre as escuderias, 278 pontos, seguida da Red Bull, 249.

  O retrospecto histórico da Fórmula 1 registra algumas edições do campeonato em que o time do melhor carro acabou não conquistando o título de pilotos. Em 1974, por exemplo, o modelo 312B3 da Ferrari, equipada com motor V-12, de Niki Lauda e Clay Regazzoni, era o mais rápido. Mas a McLaren, com seu M23, com motor Cosworth V-8, tinha o piloto mais regular, Emerson Fittipaldi. Resultado: o brasileiro campeão.

  Em 1982, a Fórmula 1 experimentava a transição dos motores aspirados para os turboalimentados. A Ferrari tinha no modelo 126C um monoposto de elevada potência (motor turbo) e veloz, pilotado, dentre outros, por Didier Pironi. A Williams corria com motor Cosworth aspirado, com pelo menos 200 cavalos a menos de potência. Mas seu piloto Keke Rosber, tendo vencido apenas uma prova do calendário, o GP da Suíça, realizado em Dijon-Prenois, na França, ficou com o título.

  Alain Prost acabou bicampeão em 1986 com sua McLaren MP4/2C-Porsche em detrimento do melhor carro da Williams, FW11-Honda, de Nelson Piquet e Nigel Mansell.

  A Red Bull tem ainda nove etapas, a começar com a de domingo, em Hockenheim, o GP da Alemanha, para não aumentar essa estatística.

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