Nem tudo são só flores no mundo da velocidade

liviooricchio

31 de agosto de 2012 | 06h04

31/VIII/12

Livio Oricchio, de Spa

Olá amigos!

Escrevo da sala de imprensa do circuito de Spa-Francorchamps. São para mim, agora, 10h26, ou 5h26 em Brasília. Chove. Não há um único carro na pista. Todos deixaram os boxes, deram uma volta para verificar se os vários sistemas do carro funcionam, e regressaram. As equipes trabalham com previsão de tempo seco para amanhã, na classificação, e domingo, ao longo das 44 voltas da corrida.

Por esse motivo não faz sentido correr o risco de o piloto destruir o carro, pois aqui as velocidades são elevadas, sendo que o conhecimento adquirido nesse treino com asfalto molhado não deverá ser útil para o restante da programação do fim de semana. Considerando-se, é sempre prudente lembrar, que a meteorologia esteja certa.

Desejo lhes retratar um pouco do nosso dia a dia aqui. O estacionamento da imprensa, por exemplo, é de terra. Isso quer dizer que não há como não pisar na lama por bom pedaço antes de atingir a área onde permanecem as vans que nos transportam até o paddock. O estacionamento localiza-se do lado externo da Eau Rouge, próximo à cerca que isola a pista.

Cerca de meia hora antes do início do primeiro treino livre, 9h30 daqui, há sempre bom número de profissionais na fila das vans para acessar o paddock. Pois hoje, enquanto estava lá a chuva que era leve despencou de vez. E não há onde se proteger, por ser área descampada. Há vários jornalistas nesse instante bem molhados na sala de imprensa e com os pés cheios de barro. Temperatura naquele momento? 10 graus Celsius. Agora estamos com 11. Estação do ano: verão.

Descrevo a experiência vivida por porcentagem importante dos jornalistas, aqui em Spa, para mostrar que na Fórmula 1 nem tudo é como as pessoas imaginam. Glamour, luxo, riqueza de fato são valores agregados ao evento, mas o que poucos sabem é que o acesso a eles é reservado a apenas alguns de seus profissionais. A realidade para a maioria é bem distinta.

Não que acompanhar a Fórmula 1 represente, por favor, um sacrifício supremo e compulsório. Quem segue o campeonato o faz porque quer, tem interesse ou mesmo paixão pelo trabalho, penso ser este o caso de muitos. E as dificuldades de exercer a atividade não são penalizantes demais como se poderia supor diante do exposto.

Não acabou: viajar pelo mundo não é um ônus e sim uma oportunidade rara de crescimento, lato sensu, lógico. Nada a contestar. Estamos falando de um privilégio. Mas é sempre bom deixar claro também que elas existem e nem tudo são só flores no mundo da velocidade.

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