Notas do GP da Espanha

liviooricchio

24 de abril de 2008 | 19h30

24/IV/08
Livio Oricchio, de Barcelona

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“Tivemos uma sessão incrível de testes aqui, semana passada. Eu me diverti como um menino na Disney pela primeira vez ao pilotar a Ferrari com pneus lisos (slick)”, disse ontem, Felipe Massa. O fato de ter vencido a última etapa, em Bahrein, e o próprio GP da Espanha, ano passado, não muda sua maneira de encarar a prova. “Nessas duas corridas fiz o mesmo que na Austrália e na Malásia, onde as coisas não funcionaram.”

Rubens Barrichello, da Honda, iguala no Circuito da Catalunha o recorde de Riccardo Patrese de 256 GPs disputados. “Na Turquia eu o ultrapasso. Quem não concordar com o critério de contagem, espera três GPs”, falou Rubinho, ontem. “É um momento de emoção para mim. Parece que não faz tanto tempo que eu subia no muro do kartódromo e via a Renault amarela de Jean-Pierre Jabouille”, comentou. “Muita gente boa passou por aqui e foi embora, eu continuo, não fazendo número, mas provando minha competitividade, sinto-me lisonjeado.”

Kimi Raikkonen e Fernando Alonso, os três últimos campeões mundiais, riram, ontem, quando lhes perguntaram se pensam em bater o recorde de Rubens Barrichello. “Eu nem sei quantos GPs eu já disputei, mas provavelmente não, é muito tempo na Fórmula 1.” O espanhol não disse nada diferente: “Teria de correr muitos anos ainda, acho que não”. Rubinho compreendeu a postura de ambos: “Eles já foram campeões. Eu não. E quero muito um título”.

A Renault não terá o amortecedor de massa, que tanto a ajudou em 2006, mas algo semelhante, segundo Nelsinho Piquet. “É uma janela nova que permitirá desenvolver mais o carro. Avançamos nos testes, mas é difícil saber o quanto crescemos por não ter sido possível compreender quanto nossos adversários evoluíram.” Pela primeira vez, este ano, Nelson Piquet, o pai, vai assistir a uma corrida do filho na Fórmula 1.

O novo sistema que a Renault utilizará pela primeira vez já está em uso pela Ferrari, McLaren, BMW, Williams e Toyota. Trata-se da introdução de um terceiro amortecedor que impede de as suspensões vibrarem, em essência. É chamado amortecedor inercial. “Eu o usei na McLaren. Ajudará atacar melhor as zebras. Ganhamos no total, junto das mudanças aerodinâmicas, cerca de três décimos”, falou Fernando Alonso, companheiro de Nelsinho.

Nelson Piquet foi homenageado, ontem, pelos organizadores do GP da Espanha. O campeão do mundo de 1981, 1983 e 1987 ganhou uma placa na Avenida dos Campeões, onde já estão Ayrton Senna e Juan Manuel Fangio, por exemplo. Nelsinho representou o pai na cerimônia. Motivo: Nelson ficou furioso quando os organizadores lhe disseram que haviam conseguido uma vaga no porto para ancorar seu iate e, ao chegar lá, não havia. Teve de sair à procura de onde ancorar a imponente embarcação.

Por ter sido desclassificada em 2007, a McLaren foi obrigada a instalar seu supermotorhome no fim do paddock. Há dez anos, Ron Dennis, sócio e diretor da equipe, afirmou não gostar de ver a Minardi próxima de seu box porque “era uma equipe pobre e sem a sua organização”. Agora a McLaren, por espionar a Ferrari, está ao lado da Super Aguri, que de tão pobre não sabia até ontem se disputará o GP da Espanha. Nick Fry, da Honda, avisou que a montadora colaborou com muito mais do combinado previamente para a manutenção do time e não fará mais nada.

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