Notas dos pilotos no GP da Bélgica

liviooricchio

27 de agosto de 2013 | 17h49

27/VIII/13
Nice

Olá amigos. Diante de não poder inserir nenhum post desde domingo, lá no circuito Spa-Francorchamps, e ontem, em Frankfurt, vamos discutir o desempenho dos pilotos depois das férias, no GP da Bélgica? Dê suas notas também, explique o porquê.

Sebastian Vettel – 10
O mesmo piloto supereficiente de sempre. Não vale dizer que foi campeão nos três últimos anos e provavelmente conquistará o quarto título, nesta temporada, por dispor do melhor carro e a Red Bull ser uma equipe excepcional. Ninguém discute que os quatro últimos monopostos concebidos por Adrian Newey para o time austríaco foram os mais velozes e equilibrados da Fórmula 1, na média.

Mas poucos sabem que Vettel tem responsabilidade no resultado final do brilhante diretor técnico, como me contou numa conversa. Já tive mais liberdade com Newey, mas ainda hoje resta alguma. “Sebastian sabe definir com precisão o que necessita para tornar o carro mais rápido. Suas informações são muito precisas. E considerando-se sua idade, como é tão jovem, posso dizer que ele é um dos pilotos com quem tenho maior prazer em trabalhar”, disse Newey, em Valência, em 2011.

“Pouca gente conhece a forma mental desse rapaz. Sua determinação impressiona”, falou, ainda, Newey. Essas características não aparecem muito para quem não convive com Vettel. Acredito já ter escrito aqui. Senão, cá está.Vettel caminha firme para ser tetra. E se for será com todos os méritos. Mesmo pilotando um monoposto extraordinário é também preciso ser excepcional para estabelecer os seus impressionantes números.

Fernando Alonso – 9
Como assim, 9, se largou em nono e correu como um leão para terminar num ótimo segundo lugar? Explico: na sessão que definiu o grid, sábado, Alonso cometeu um erro ao perder o controle da Ferrari e rodar, o que o fez cruzar a linha de chegada alguns segundos depois de o cronômetro ter zerado. Sem o erro poderia completar mais uma volta e provavelmente lugar pela terceira colocação no grid.

Ao longo das 44 voltas do GP da Bélgica, porém, andou mais que a Ferrari. Arrojadíssimo nas primeiras voltas, veloz, contundente, preciso, características que fazem dele um dos grandes da história da Fórmula 1. Torceu por uma chuva, ao redor da 30.ª volta, como confessou a amigos com quem falei, depois do segundo pit stop, o que poderia talvez lhe permitir um ataque a Vettel.

O Alonso que vi quinta-feira, em Spa, não tinha nada a ver com o Alonso do domingo depois do GP da Hungria. Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, com certeza o chamou e deixou claro que críticas públicas como as que fez não mais seriam aceitas. E se não concordava podia tomar o rumo da rua. Assim mesmo. Como sabe que não há espaço em outra escuderia para ele, hoje, se apresentou em Spa como um anjo.

Deve ter refletido: a Red Bull não seria louca de contratá-lo e desestabilizar o eficientíssimo Vettel. A Mercedes já tem Lewis Hamilton e Nico Rosberg confirmados. Na McLaren é persona non grata para Ron Dennis, sócio da equipe. Sobra a Lotus. Se Eric Boullier não consegue pagar os 12 milhões de euros exigidos por Kimi Raikkonen, como se comenta no paddock, como ficaria com os 25 milhões de euros que Alonso ganha na Ferrari, ou 2 mais de 2 milhões de euros por mês? Algo impensável para os dias de hoje.

Diante de tudo isso, nesse instante a Ferrari não é o melhor time mas com absoluta certeza é a melhor opção. A rigor, única.

Lewis Hamilton – 9
Que volta na sessão de classificação para obter a pole position! Notável. E na corrida fez o que o modelo W04 da Mercedes permitia. Disse aos jornalistas que, na realidade, esperava a segunda colocação e se surpreendeu com o ritmo da Ferrari de Alonso na corrida. Na sua cabeça, Vettel o ultrapassaria sem maiores dificuldades na pista seca e ele, também sem grande concorrência, terminaria em segundo. Alonso dispôs de uma Ferrari mais rápida que a Mercedes e pilotou como poucas vezes, domingo, como que respondendo ao pito que Montezemolo lhe deu.

Antes de assistir aos treinos livres do GP da Itália, em Monza, me arrisco a dizer que pelas características do veloz traçado, do carro da Mercedes, e do momento mágico de Hamilton, coloco o jovem inglês, a quem admiro profundamente o trabalho, como sério candidato a vencer a corrida. E tomara que seja assim. Dependendo da posição de Vettel tornaria o campeonato mais interessante nas etapas finais.

Nico Rosberg – 8
Senhores, Nico nunca demostrou na chuva a mesma habilidade dos melhores, como Vettel, Alonso, Hamilton, Button, Sutil, mas em Spa fez muita gente rever seu conceito. Dentre estes, eu. A pista estava com mais água, já, a certa altura do Q3, e ele conseguiu melhor o tempo de pilotos que tinham registrado suas marcas pouco antes, quando havia menos água no asfalto. Quem conseguiu dar ainda uma volta nos segundos finais levou vantagem e Nico caiu para terceiro. Mas para mim foi o melhor da definição do grid.

Em condição de corrida, não tem a mesma gana e o mesmo talento de Hamilton para partir para cima dos adversários. Quando dispõe de um carro veloz e equilibrado e larga na frente é capaz de vencer Hamilton. Mas em condições difíceis como as de domingo, aí para mim aparece mais as propriedade do piloto inglês, superiores às de Nico, o que não o desemerece em nada. Cresceu com a Mercedes e mostrou-se capaz de estabelecer poles e conquistar vitórias, atestando seus dotes de excelente piloto, porém não genial.

Mark Webber – 6
Com o carro que a Red Bull lhe entregou, em especial num circuito como o de Spa, o mínimo que se esperava desse australiano que está se aposentando da Fórmula 1 era chegar na segunda colocação. Vettel se enquadra numa outra categoria de pilotos e não dá mesmo para Webber acompanhá-lo, a não ser em uma ou outra ocasião bem pouco comum. Mas receber a bandeirada somente na quinta colocação é bem pouco.

Profissionais com quem converso da Toro Rosso me dizem que as dificuldades de Webber nas largadas se relacionam a ele próprio e não a problemas no carro. E essas más largadas frequentes, em que termina a primeira volta importantes colocações atrás de adversários que estava na frente, no grid, comprometem sua possibilidade de obter melhores resultados. Como foi na Bélgica também.

Seu ritmo de corrida não me pareceu compatível, em parte da prova, ao que o carro da Red Bull permitia, como fez Vettel. Aliás, tenho comingo que se Vettel desejasse ser mais rápido poderia sê-lo pelo menos uns três décimos de segundo por volta. Mas não foi necessário. A nota 6 de Webber provém muito da boa classificação, quando ficou em terceiro, a apenas um décimo de segundo de Vettel.

Jenson Button – 8
A exemplo de Alonso, andou mais que o carro. A começar pela classificação. Tudo bem que a volta lançada não é o forte de Sergio Perez, seu companheiro, já desde as duas temporadas na Sauber. Mas não é também a competição onde Button melhor se expressa.

Mesmo assim o inglês foi bem mais eficaz na definição do grid. E depois, ao longo das 44 voltas, combateu da largada à bandeirada. Primeiro com o monosto da McLaren e depois contra os adversários. Chegou à frente de Felipe Massa, Ferrari, e Romain Grosjean, Lotus, cujos carros eram mais rápidos em Spa.

Fiquei muito surpreso ao saber, em Spa, que Martin Whitmarsh não havia ainda ratificado o interesse em Button, ao não confirmar o seu contrato para 2014. A opção é da McLaren, não do piloto. Isso quer dizer que se o time não desejar, Button não corre por lá em 2014. Mas não creio que esse será o desfecho da bela passagem até agora de Button pela escuderia inglesa que ele tanto ama e faz questão de dizer.

Como Whitmarsh não se manifesta, o que Button fez? Lançou-se no mercado em Spa, ao abrir o jogo para a imprensa. Se a Ferrari desejar contratá-lo é possível. Mas teria de pagar a multa para a McLaren, o que não penso que irá ocorrer. Button e Perez, salvo uma grande surpresa, formarão a dupla da McLaren em 2014.

Felipe Massa – 6
Não cometeu nenhum erro. Esse o primeiro ponto positivo. Depois da série comprometedora iniciada em Mônaco com extensão em Montreal, Silverstone e Nurburgring, era importante mostrar que aquele período mais difícil acabou, como demonstrou já na Hungria.

O que acontece com Massa é curioso. Toda vez que conversa conosco, da imprensa, expõe os fatores que acabaram por comprometer um melhor resultado como se ele não tivesse responsabilidade alguma naquilo. Às vezes não tem mesmo. Mas na maioria das ocasiões sua postura na pista ou fora dela ajuda a explicar seu envolvimento. Portanto também tem responsabilidade.

Não é possível atribuir apenas ao azar o número de vezes que Massa teve sua corrida prejudicada pelos mais distintos motivos. Na Bélgica, por perder várias colocações depois da primeira curva, em seguida à largada, para não ser atingido por Grosjean. Na Hungria, etapa anterior, por perder pressão aerodinâmica ao Nico Rosberg tocar em seu aerofólio dianteiro. E assim vai.

Por que com Alonso essas coisas acontecem com frequência infinitamente menor? E o que não dizer de Kimi Raikkonen, que sua Lotus dificilmente larga entre os primeiros?

O que desejo dizer é que faz parte das atribuições de um piloto envolver-se o mínimo possível em incidentes que possam prejudicá-lo. E Massa tem um índice de participação nesses episódios alarmante. E nem tudo é obra do acaso.

Para Massa chegar ao pódio é preciso que nada a sua frente, ao seu lado, sobre e sob o carro possa se aproximar. E deve contar que mesmo assim não vá cometer um erro. Infelizmente esse é o retrato de Massa, hoje. Sua velocidade, contudo, está intacta. Rápido, como sempre.

Ao ouvi-lo, me impressiona a distância que coloca entre os inconvenientes que lhe fizeram perder pontos importantes e sua responsabilidade nisso. Se Massa associasse mais as duas coisas poderia, talvez, estudar em detalhes, cena a cena, o ocorrido, e tentar nas próximas vezes tirar proveito do aprendizado. Penso que reduziria seu involvimento em episódios como o da Hungria e de Spa, dentre tantos outros.

Na quinta-feira Massa nos disse saber que está sob exame da direção da Ferrari para poder eventualmente ter o contrato renovado. Na primeira prova desse vestibular mais exigente não impressionou.

Torço como poucos sabem por Massa resgatar o seu melhor, arrasar em Monza, Cingapura, largar nas duas primeiras filas, acabar no pódio. Como pessoa, merece mais do que ninguém. Mas está difícil diante de seu momento, não o vejo como em 2008, quando liderava a Ferrari. Hoje produz menos. E se a Ferrari não lhe estender o contrato eu me surpreenderia se permanecesse na Fórmula 1.

Romain Grosjean – 7
Desta vez a Lotus não teve grande performance. Apostou num acerto para chuva, com muita pressão aerodinâmica, e realizou um único pit stop. E Grosjean fez o que pode com um carro lento o tempo todo. Vejo-o muito mais tranquilo, consciente do que lhe é cobrado na Fórmula 1, não apenas velocidade. Tem crescido como piloto. Seus dotes de velocidade são inegáveis. Agora, mais maduro, podemos esperar menos loucuras. Eric Boullier é seu fã-confesso. Vai ter o contrato renonado, sem dúvida. E faz por isso.

Adrian Sutil – 7
Se tivesse chovido teria feito mais do apresentado na pista seca, que esteve longe de ser ruim. É aguerrido. Ficou tão atrás de Paul Di Resta, na classificação, por o escocês adotar melhor estratégia, aliás de todos os demais. Di Resta só não largou na pole porque contra todas as indicações a chuva parou no fim do Q3 e rapidamente o volume de água no asfalto diminuiu.

Daniel Ricciardo – 8
Sem chuva, safety car, acidentes que levaram muitos a abandonar, esse australiano, provável companheiro de equipe de Vettel na Red Bull, em 2014, disputou grande prova. Largou em 19.º e marcou um ponto com o décimo lugar. Fez várias ultrapassagens, com um carro limitado. O companheiro, o francês Jean-Eric Vergne, é um especialista em Spa. Ganhou tudo nas categorias de formação lá. E largou em 18.º, na frente de Ricciardo, e chegou apenas em 12.º . É um atestado do belíssimo trabalho do australiano na Bélgica.

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