Novos pneus vão exigir outra postura das equipes

liviooricchio

22 de julho de 2013 | 18h16

22/VII/13

Nice

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A estratégia de corrida nas dez etapas que restam do campeonato terá de ser repensada. O comportamento dos novos pneus Pirelli, testados em Silverstone, de quarta a sexta-feira da semana passada, somado a nova velocidade nos boxes, 80 km/h, em substituição aos 100 km/h, são fatores que levaram os estrategistas das equipes a rever a forma de ver a competição.

O site da revista Autosport colocou no ar, nesta segunda-feira, reportagem com as explicações dos responsáveis pela estratégia sobre o que deverá ser levado em conta, agora. Os novos pneus sugeriram, no exigente circuito inglês, ter maior vida útil que os pneus utilizados até o GP da Grã-Bretanha, lá mesmo, dia 30. Em outras palavras, parece provável que haverá menos pit stops.

Além disso, o tempo perdido na área dos boxes, por exemplo, cresce com a velocidade menor. O texto do jornalista Jonathan Noble oferece até alguns dados repassados pelos engenheiros: no caso da próxima etapa do calendário, no próximo fim de semana, na pista Hungaroring, em Budapeste, os pilotos vão necessitar de 16,4 segundos para percorrer a área dos boxes, enquanto faziam em 12,3 segundos.

Deve ser acrescentado o tempo em que o carro permanece parado para a substituição dos pneus, entre 2 e 4 segundos. Isso para cada parada nos boxes. São mudanças de alguma relevância. É por isso que dispor de um conjunto carro-piloto capaz de garantir maior autonomia aos pneus pode ser até ainda mais decisivo do que vinha sendo até o GP da Grã-Bretanha.

A maior razão por cinco pilotos terem pneu dechapado na corrida de Silverstone, o que motivou o teste da semana passada, foi o fato de Ferrari, Lotus e Force India não concordarem com o pedido da Pirelli, de rever os pneus desta temporada. A empresa italiana não utilizou a palavra segurança para solicitar a mudança. Apenas reduzir o número de pit stops. No GP da Espanha havia sido quatro.

Como todos os times precisavam concordar com a introdução de novos pneus, a Pirelli foi obrigado a levar para o GP da Grã-Bretanha os mesmos pneus, sabendo que o veloz traçado seria o maior desafio para os seus pneus. E para complicar não controlou se as escuderias seguiram as especificações de pressão, câmber e, principalmente, impossibilidade de trocar os pneus de lado. Resultado: Lewis Hamilton, da Mercedes, Felipe Massa, Ferrari, Jean-Eric Vergne, Toro Rosso, Stefan Gutierrez, Sauber, e Sergio Perez, McLaren, tiveram um pneu dechapado.

Até então, Lotus, Ferrari e Force India eram as que melhor administravam o consumo dos pneus deste ano, produzidos com um composto de borracha mais macio na banda de rodagem, para melhorar a performance dos carros e aumentar o número de pit stops, de apenas um, no final de 2012, para dois e até três. Esse foi o motivo de dizerem “não” a Pirelli para rever os pneus deste ano.

Os pneus testados em Silverstone, semana passada, não têm mais sua estrutura confeccionada com fios de aço, como vinha sendo. Mas em kevlar, material compósito, ainda mais resistente. Já o composto da banda de rodagem segue sendo o de 2013. Mas com a nova estrutura seu comportamento mudou.

Não é mais possível se afirmar que Lotus, Ferrari e Force India vão continuar com a vantagem de administrar melhor a degradação dos pneus. Eles são outros, ainda que não radicalmente distintos. Mas, se for o caso de essas três equipes manterem-se na vanguarda no consumo de pneus, a nova realidade das corridas, introduzida pelos novos pneus, pode lhes ser ainda mais favorável nesse sentido.

Pode acontecer, também, de algum grupo de técnicos de outro time ter redesenhado as suspensões e introduzido alterações aerodinâmicas, específicas para as características dos novos pneus, bem-sucedidas e seu carro aumentar a eficiência. A reportagem da Autosport traz, nesse aspecto, a opinião do engenheiro-chefe da Williams, Xevi Pujolar.

O espanhol explicou que o aquecimento e o comportamento dos novos pneus em corrida são diferentes dos verificados no modelo anterior. “São mudar um pouco as coisas, mas não de maneira revolucionária”, afirma. A Pirelli levará para Budapeste os pneus médios o os macios.

Os primeiros treinos livres do GP da Hungria, sexta-feira, devem levar os 24 pilotos para a pista. Obter mais dados sobre as reações do carro no traçado onde vão competir no restante do fim de semana, muito provavelmente sob calor intensíssimo, como é a tradição da prova, será de capital importância para não apenas ajustar o carro, mas desenvolver a estratégia, agora ainda mais determinante, conforme demonstrado.

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