O bicampeão Alonso também aposta em Massa

liviooricchio

02 de março de 2007 | 19h30

O bicampeão do mundo, Fernando Alonso, admite: pelo menos nas provas iniciais do campeonato, o domínio deve ser da Ferrari. E Felipe Massa, regularmente o mais rápido nos testes de pré-temporada, tem boas chances de vencer corridas.

“Todos pensavam que Kimi Raikkonen, ao se transferir para a Ferrari, fosse permanecer sempre à frente e ser o primeiro piloto. Agora todos compreenderam que Felipe é muito rápido também. Para mim não é surpresa” , disse ontem o agora piloto da McLaren, ao comentar os treinos que antecederam ao início do campeonato.

Alonso disse mais: “As chances são de 50% para cada um, os dois pondem vencer.” O ex-piloto da Renault reconheceu: “A Ferrari está um pouco adiante de todos. Eles são realmente rápidos e constantes.” McLaren, Renault e BMW não estão, contudo, distantes, na sua avaliação.

“A vantagem da Ferrari é em uma volta lançada (realizadas nas sessões de classificação) e nas séries seguidas (corridas)”, explicou o espanhol.

Seu parceiro na McLaren, Pedro de la Rosa, piloto de testes, também vê a Ferrari de Felipe Massa e Kimi Raikkonen como favorita no início da temporada. “Gostaría de estar no estágio deles. Mas vamos trabalhar muito para alcançá-los”, falou.

“Temos de encarar a realidade: não estamos tão próximos quanto desejávamos.” Alonso lembrou, porém: “Temos duas semanas até a prova de Melbourne (dia 19) e ainda é possível descobrir algo novo no túnel de vento e levarmos para lá.”

Pedro explicou também: “O carro da Austrália será bem diferente do das corridas da Malásia e Bahrein, a evolução será constante.” Depois da etapa de Melbourne, a Fórmula 1 vai para Kuala Lumpur, na Malásia, dia 8 de abril – 3 semanas de intervalo -, e Sakhir, em Bahrein, 15, domingo seguinte. Só quase um mês depois, dia 13 de maio,desembarca na Europa, em Barcelona.

Massa e Rubens Barrichello, da Honda, já estão em São Paulo. Chegaram ontem de manhã, procedentes de Manama, capital de Bahrein, no avião Legacy de Rubens Barrichello. E embarcam dia 11 para a Austrália. A distância do Brasil é grande e há o problema do fuso horário. Melbourne está 14 horas adiante em relação ao horário de São Paulo.

Se na Ferrari o clima é de otimismo, na Honda de Rubinho é de apreensão. Tanto Rubinho quanto seu companheiro, Jenson Button, já manifestaram que o modelo RA107 é bem menos eficiente que o F2007 da Ferrari. Massa ficou em 1º depois de 6 dias de treinos em Sakhir, 1min29s989 (452 voltas no circuito de 5.412 metros), Rubinho, em 7º, 1min31s067 (469).

Nova realidade para a Renault

Tanto o vencedor dos dois últimos campeonatos, Fernando Alonso, quanto o diretor-geral da Renault, sua ex-equipe, Flavio Briatore, nunca esconderam que os dois títulos decorreram, essencialmente, da importante vantagem na classificação obtida nas corridas iniciais da temporada.

“Abrimos uma diferença de pontos que nos permitiu administrar depois”, disse Briatore. Pela primeira vez, em 3 anos, a Renault não vai largar na pole position para lutar pela vitória. Giancarlo Fisichella, titular da equipe, reconheceu depois do fim dos ensaios: “Só estaríamos felizes se estivéssemos na frente”, disse. “Quem tem a vantagem, agora, é a Ferrari”, afirmou.

“Podemos pensar em pódio.”Ano passado, até a etapa do Canadá, a 9ª, Alonso conquistou impressionantes 84 pontos dos 90 possíveis. A realidade da Renault, agora, com Fisichella e o estreante Heikki Kovalainen, deve ser outra.

O modelo R27 é eficiente, como demonstrou nos primeiros ensaios, mas depois evolui menos que a Ferrari e a McLaren. A McLaren também compreendeu mais rápido as características dos pneus Bridgestone. As duas usavam Michelin em 2006.

Mas o principal fator nem é esse. Mesmo com o R27, Alonso, com toda certeza, seria capaz de lutar pelas vitórias. A maior diferença para o time dirigido por Briatore será a ausência do brilhante piloto asturiano.

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