O campeonato é de piloto? Então está para Alonso.

liviooricchio

24 de junho de 2012 | 20h57

24/VI/12
Livio Oricchio, de Valência

O regulamento deste ano elevou a importância do piloto no resultado das corridas afirmam campeões do mundo como Emerson Fittipaldi, Jackie Stewart e Niki Lauda. Hora, então, de Fernando Alonso, da Ferrari, ratificar sua enorme competência. Foi seu talento, essencialmente, que o permitiu, ontem, aproveitar as condições favoráveis, como o abandono do líder da prova, Sebastian Vettel, da Red Bull, e a presença do safety car, para largar na 11.ª colocação do grid e conquistar, de forma espetacular, a vitória no GP da Europa, em Valência, reassumindo a liderança do Mundial com um carro que está longe de ser o melhor.

Profundamente emocionado, chorou no pódio, o que não aconteceu nem quando foi campeão do mundo, em 2005 e 2006, em Interlagos, com a Renault. “Apesar de ter sido há seis anos, lembro-me bem do dia em que ganhei em Barcelona, diante da minha torcida, é sempre especial.” Com a voz baixa, reflexivo, continuou: “Difícil descrever o que senti diante de tanta gente nas arquibancadas com a bandeira da Espanha, que não vive seu melhor momento, há crise”. E completou: “Vir ao GP representa ainda um extra (despesa), vêm de longe, alguns dormem no carro e você acaba fazendo o que eles esperam de você. Dei só um pouco de volta do grande apoio que me dedicam.” O público foi o menor da história da prova, 51.546, provavelmente a última em Valência.

Comentou sentir-se orgulhoso de ser um esportista espanhol. “Estamos vencendo na Eurocopa, temos Rafael Nadal, achava que tinha de fazer alguma coisa para dar um pouco de alegria. E fiz.” Depois da bandeirada, repetiu um cena imortalizada por Ayrton Senna: Alonso recebeu a bandeira de seu país de um comissário e percorreu o Circuito da Comunidade Valenciana erguendo e agitando-a até retornar aos boxes, para um público em delírio. A FIA proibiu essa manifestação espontânea e rica de emoção há alguns anos, mas inteligentemente fez vista grossa.

Kimi Raikkonen, da Lotus, teria, ontem, uma chance real de tornar-se o oitavo vencedor distinto na temporada se tivesse ultrapassado Lewis Hamilton, da McLaren, algumas voltas antes de quando conseguiu (54.ª volta de um total de 57). Por seu carro conservar mais os pneus Pirelli, concebidos para durar pouco e favorecer o show, tentaria sem dúvida ultrapassar Alonso para vencer. O espanhol reconheceu: “Meus pneus tinham acabado”. Raikkonen terminou em segundo, seis segundos atrás. Para combinar com o clima de festa no GP da Europa, disputado sob calor de 30 graus, Michael Schumacher, da Mercedes, completou o pódio, o primeiro desde a volta à Fórmula 1, em 2010.

Quem deixou o café pronto em casa para não dormir diante da TV, imaginando que a etapa de Valência daria sono por não oferecer emoções maiores, como as edições anteriores, acabou não se servindo. Com a nova versão do RB8-Renault da Red Bull Vettel dominou a competição com larga margem de vantagem desde a largada, assustando os concorrentes. Abandonou por quebra do alternador na 34.ª volta. Mas o que não faltou ao longo das 57 voltas do GP da Europa foram ultrapassagens, momentos de apreensão, surpresa, decepção e, claro, comemorações de toda natureza.

Para se ter uma ideia melhor de como a corrida se desenvolveu espetacularmente: Alonso largou em 11.º e venceu. Raikkonen foi de quinto para segundo. Schumacher avançou do 12.º lugar no grid para o terceiro. Mais: Mark Webber, da Red Bull, agora o vice-lider do campeonato, com 91 pontos diante de 111 de Alonso, começou a prova em 19.º e recebeu a bandeirada em excelente quarta colocação.

Os brasileiros poderiam ter obtido resultados melhores se ambos não tivessem se envolvido em incidentes com Kamui Kobayashi, da Sauber. Na 19.ª volta, Bruno Senna, da Williams, fechou a porta para o japonês e os dois se tocaram. Bruno cumpriu drive through por ser considerado culpado. Com a punição de 20 segundos ao tempo de corrida de Pastor Maldonado, companheiro de Bruno, no incidente com Lewis Hamilton, da McLaren (leia ao lado), uma volta e meia do fim, quando lutavam pelo terceiro lugar, Bruno ainda foi capaz de somar um ponto com a décima colocação.

Felipe Massa acabou prejudicado com a entrada do safety car, na 29.ª passagem, por ter feito o segundo pit stop duas voltas antes. Jean Eric Vergne, da Toro Rosso, inexplicavelmente deslocou o carro para a direita, na reta, e bateu em Heikki Kovalainen, da Caterham. O francês vai largar dez posições atrás no próximo GP e ainda pagará multa de Euros 25 mil (R$ 62.500). Para limpar os detritos o safety car foi acionado. Massa saiu-se mal, ainda, por Kobayashi acertá-lo na tentativa de ultrapassagem, na 33.ª volta, obrigando-o a regressar aos boxes. O piloto da Sauber recebeu como punicão cinco posições a mais no grid na Inglaterra. Massa concluiu o GP da Europa em 16.º.

A próxima etapa do campeonato é o GP da Grã-Bretanha, dia 8, no lendário autódromo de Silverstone, de alta velocidade, cenário bem distinto dos circuitos de rua das duas últimas provas, Montreal e Valência e, provavelmente, menos quente também.

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