O campeonato está salvo

liviooricchio

18 de março de 2012 | 12h53

18/III/12

Livio Oricchio, de Melbourne

 A vitória de Jenson Button, ontem, não é um episódio isolado. A McLaren não venceu uma prova atípica. Não é o caso de não imaginá-la forte em outras pistas. Menos ainda de a Red Bull voltar a dominar o campeonato, como nos dois útimos anos. Seria surpreendente.

 Os testes em Jerez de la Frontera e Barcelona já haviam indicado que o modelo MP4/27-Mercedes, de Button e Hamilton, era veloz. No fim semana, em Melbourne, descobrimos quanto: mais que a Red Bull, ao menos nessa fase inicial da temporada; num certo sentido, um pouca contra a sugestão dos ensaios. Não é tudo: Mercedes e Lotus demonstraram, também, que a boa impressão dos testes tinha fundamento.

Falta-lhes consistência, mas é natural. A Mercedes apresentou seu rápido W03 apenas na segunda série de treinos, em Barcelona, e a Lotus perdeu aquela série, para rever o problema estrutural do chassi. O mais importante é que esses dois times dispõem de excelente base para, num curto espaço de tempo, poderem lutar com Red Bull e, talvez até a McLaren, nesse momento um passo (pequeno) à frente.

 A Fórmula 1 sai da Austrália com a certeza de que o campeonato não será uma apresentação solo de uma equipe, temor de todos. A Red Bull, pela profunda competência de seus homens, está na disputa e com muita força. Mas desta vez com adversários bem preparados. Ser campeã pela terceira vez seguida exigirá esforços ainda maiores de 2010 e 2011, quando seu carro tinha uma importante vantagem técnica em relação aos demais.

 Faz todo sentido, portanto, ratificar o que se desenhava desde o anúncio da proibição do escapamento aerodinâmico, no ano passado, recurso melhor dominado pela Red Bull e uma das razões principais de sua hegemonia em 2011: as vitórias deverão, mesmo, ser distribuídas entre os times.

 É prudente aguardar o que irá ocorrer já no próximo fim de semana, na Malásia, circuito permanente, mais de acordo com a maioria das pistas do calendário, para uma conclusão definitiva sobre o verdadeiro potencial de cada equipe. Mas parece pouco provável que mude radicalmente o que nos foi apresentado na Austrália.

 A Ferrari está, por enquanto, fora dessa luta. E seria, da mesma forma, uma surpresa se o modelo F2012 evoluir a ponto de se comparar com os carros de McLaren, Red Bull, Mercedes e Lotus. Pouco provável, porém não impossível. Um projeto radical como o da Ferrari ou leva um time ao sucesso ou ao fracasso, dificilmente fica no meio termo. E a história mostra que projetos radicais são bem mais reprovados do que levam uma organização a vencer.

 

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