O nó na cabeça de Frank Williams

liviooricchio

15 de agosto de 2011 | 15h29

15/VIII/11

Livio Oricchio, de Nice

  Rubens Barrichello deve estar revivendo, hoje, a experiência angustiante do ano passado. Adam Parr, diretor da equipe Williams, bem como o próprio Frank Williams já lhe afirmaram o desejo de que prossiga no time. E o novo diretor-técnico, Mike Coughlan, ex-McLaren, aquele do escândalo de espionar a Ferrari, regularmente recorre ao conhecimento de Rubinho para projetar o modelo da próxima temporada. Tudo isso, porém, não garante ao piloto que vá prosseguir na Williams.

  A razão é simples: Frank Williams precisa de dinheiro. Hoje suas fontes principais de receita são a PDVSA, estatal de petróleo da Venezuela, associada à presença de Pastor Maldonado, cujo contrato é de 24 milhões de libras (cerca de R$ 75 milhões) por ano, e o que lhe é pago pela Formula One Management (FOM), relativo à classificação entre os construtores no ano anterior e um extra pelo tempo de existência da escuderia, o que lhe deverá dar, no começo de 2012, algo perto de US$ 40 milhões (R$ 64 milhões).

  Além disso, conta com patrocínios de menor valor, pagos pelas empresas Randstad, Thomson Reuters, Att&t, Oris, dentre outras, perfazendo um total de US$ 10 milhões (R$ 16 milhões). No total, em dólares norte-americanos, o orçamento da Williams se aproxima dos US$ 100 milhões. Red Bull, McLaren, Ferrari e Mercedes investem cerca de US$ 250 milhões por ano.

  US$ 100 milhões, portanto, é pouco para a pretensão do time de sair do estágio decadente que se encontra e voltar a crescer de verdade. Hoje, depois de 12 etapas disputas, soma apenas 4 pontos, decorrentes de duas nonas colocações de Rubinho nas provas de Mônaco e Canadá. Ocupa o nono lugar entre os construtores, à frente apenas das três estreantes em 2010, Lotus, Hispania e Marussia Virgin. A Red Bull, líder, por exemplo, tem 383 pontos.

  A Williams foi considerada a equipe da década de 90, com os títulos de 1992, Nigel Mansell, 1993, Alain Prost, 1996, Damon Hill, e 1997, Jacques Villeneuve. Nem todos sabem, mas a Williams só perde para a Ferrari em número de títulos de construtores, conquista maior para Frank Williams. Os italianos têm 16 diante de 9 da Williams e 8 da McLaren.

  Resgatar esse período de ouro de sua história será muito difícil a curto prazo, até porque a escuderia precisaria, como vimos, de no mínimo do dobro do orçamento e um projeto de carro eficiente para chegar ao pódio com regularidade, realidade pouco provável, ao menos para 2012. Mas é preciso um click. O primeiro passo já foi dado: reestruturar a área técnica. O próximo é tentar melhorar a receita.

  Aí começam os problemas de Rubinho. Frank Williams lhe paga, e bem, para correr. Estima-se que não seja menos de US$ 5 milhões por temporada. E há pilotos jovens no mercado com quantia de dinheiro semelhante ou superior para estrear na Fórmula 1, a exemplo do monegasco Stefano Coletti, do italiano Davide Valsecchi, do inglês Sam Bird e do francês Jules Bianchi, todos da GP2. Bianchi é da escola Ferrari, mas precisa mostrar o que pode fazer na Fórmula1 antes de sonhar competir na escuderia de Maranello. A Williams seria uma boa porta de entrada.

  Em maio de 2012, Rubinho completará 40 anos. Não há indícios de que entrou na descendente. Continua produzir de acordo com sua capacidade. Já manifestou interesse até em renovar por dois anos com a Williams. Mas se for por um campeonato, vai se sentir feliz.

  Esse quadro deixa uma dúvida capital na cabeça de Frank Williams e Adam Parr: ficar com Rubinho e contar com sua importante experiência, num momento de elevada necessidade da equipe, ou aceitar um jovem inexperiente, com pouca probabilidade de resultados em 2012, mas capaz de contribuir com dinheiro para pagar, por exemplo, os 6 milhões de euros que deverão ser repassados à Renault pelo fornecimento dos motores.

  Será surpreendente se essa história terminar logo.

 

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