O perigoso otimismo exagerado de Alonso na McLaren

liviooricchio

15 Janeiro 2007 | 20h56

Se depender apenas do otimismo do bicampeão mundial Fernando Alonso, o campeonato acabou antes mesmo de começar e tanto ele como a McLaren já conquistaram o título.

No lançamento do novo carro do time inglês, hoje, em Valência, Alonso não poderia ter sido mais explícito, apesar de a McLaren não ser campeã desde 1999: “Todos na equipe acreditam que depois desses anos todos sem sucesso agora é a hora de voltar às vitórias. E eu acho bem possível. Estou realmente otimista.”

O que talvez o espanhol não esteja levando em conta é a diferença de capacidade técnica entre Renault e McLaren. Tendo em conta o passado dos engenheiros responsáveis pelo projeto da McLaren, Mike Coughlan e Pat Fry, não há como comparar com o que já fizeram Tim Densham e Bob Bell na Renault, organização que levou Alonso aos dois mundiais.

Mais: o motor Mercedes da McLaren, tendo-se por base a temporada passada, não mostrou estar no mesmo nível de potência e resistência do motor francês. Vale recordar que o regulamento da Fórmula 1 para este ano impôs o congelamento no desenvolvimento dos motores até o fim de 2009.

De qualquer forma, nada parece impedir Alonso de acreditar ser possível dar seqüência a sua série extraordinária de conquistas, apesar de ter apenas 25 anos. “Não sei como estão Ferrari e Renault, mas sinto-me muito confiante em nós mesmos. Estou ainda mais ambicioso, sou um novo homem”, prosseguiu, para surpresa de muitos.

As fotos do modelo MP4/22, no entanto, não evidenciam nada de muito distinto das soluções básicas do modelo do ano passado, único carro dentre as quatro primeiras escuderias a não ter vencido um GP.

A McLaren MP4/22 não variou sua receita técnica, como fez a Ferrari com o F2007. Coughlan e Fry caracterizam-se bem mais pelo conservadorismo de idéias do que pelo seu arrojo. Mas sempre é possível se acertar em cheio num projeto, ainda que o retrospecto da dupla não os credencie demais. A McLaren perdeu os seus dois principais engenheiros, Adrian Newey, para a Red Bull, e Nicolas Tombazis, Ferrari.

O companheiro de Alonso é o jovem e talentoso inglês Lewis Hamilton, primeiro piloto negro na Fórmula 1. Seu discurso foi oposto ao do espanhol.

“Nunca desenvolvi um carro. Estou acostumado a sentar e acelerar”, disse. “Por isso os testes de pré-temporada serão bem importantes para mim. Tenho tudo a aprender.” Com recém-completados 22 anos, Hamilton foi campeão por onde passou: Fórmula Renault Britânica, Fórmula 3 Européia e GP2.

“É sempre bom ter um companheiro forte e Fernando Alonso é o melhor.”