O que esperar das primeiras etapas do campeonato a partir do demonstrado em Jerez e Barcelona

liviooricchio

25 de fevereiro de 2012 | 20h52

25/II/12

Amigos, fiz esses cálculos de quilometragem acumulada nas duas séries de testes, Jerez de la Frontera e Barcelona, e ordenei as equipes observando quem mais treinou, o que não quer dizer, por favor, que a Williasm, por exemplo, por ter sido quem mais quilômetros percorreu, está na frente das demais. Na sequência dos números há um texto-base redigido para o Estadão onde há uma análise sobre o que esperar do início do campeonato a partir dos ensinamentos nos dois primeiros ensaios. Dê a sua opinião a respeito do que deve ocorrer nas etapas da Austrália, Malásia e China, antes de a Fórmula 1 regressar à Europa e os times estrearem uma versão B de seus carros, concebida a partir do que aprenderam nessas provas e com os concorrentes também.   

Williams

Jerez 1647,2 km Melhor volta (MV) 1min20s132 Piloto Bruno Senna

Barcelona 2.113,3 km  MV 1min22s391 Pastor Maldonado

Total de km 3.760,5

 

McLaren

Jerez 1.377,1 km  MV 1min19s464 Lewis Hamilton

Barcelona 2.155,2 kmMV 1min23s200 Jenson Button

Total de km 3.532,3 

 

Force India

Jerez 1.354,9  km MV 1min19s977  Nico Hulkenberg

Barcelona 1.829,4 km  MV 1min22s608  Nico Hulkenberg

Total de km 3.184,3

 

Sauber

Jerez 1.319,5 kmMV 1min19s770  Sergio Perez

Barcelona 1.838,7 kmMV 1min22s312  Kamui Kobayashi

Total de km 3.158,2

 

Red Bull

Jerez 1.310,6 km  MV 1min19s184  Mark Webber

Barcelona 1.699,0 km  MV  1min22s891  Sebastian Vettel

Total de km 3.009,6

 

Ferrari

Jerez 1.195,5 km  MV 1min18s877  Fernando Alonso

Barcelona 1.624,5 km  MV  1min23s180  Fernando Alonso

Total de km 2.820,0

 

Toro Rosso

Jerez 1.399,2  km MV  1min19s587  Daniel Ricciardo

Barcelona 1.368,5 km  MV  1min23s618  Daniel Ricciardo

Total de km 2.767,7

 

Caterham

Jerez 1.585,2 kmMV  1min21s518  Heikki Kovalainen

Barcelona 1.117,2 km  MV 1min26s035  Heikki Kovalainen

Total de km 2.702,4

 

Mercedes (*)

Barcelona 1.857,3 km  MV  1min23s384  Michael Schumacher

Total de km 1.857,3

 

Lotus (**)

Jerez 1.780,0 km MV  1min18s419  Romain Grosjean

Barcelona 32,5  MV  1min26s809  Romain Grosjean

Total de km 1.812,5

 

(*) Mercedes treinou em Jerez com o modelo de 2011

(**) Lotus abandonou o treino de Barcelona no primeiro dia em razão de problemas estruturais no chassi

As equipes Marussia e HTR não estrearam ainda os seus modelos de 2012

Reportagem de F-1: Testes indicam Red Bull e McLaren na frente

Livio Oricchio, de Nice

  Desde o início dos testes, dez das 12 equipes inscritas para disputar o Mundial realizaram oito dias de treinos coletivos, quatro em Jerez de la Frontera e quatro em Barcelona, estes encerrados sexta-feira. Os tempos não refletem com precisão como deverá ser a disputa nas primeiras etapas, afinal oito pilotos distintos estabeleceram os oito melhores tempos nos ensaios.

   Já as marcas registradas nas simulações de corrida, quando os pilotos permanecem 12, 15, 18 voltas seguidas na pista, têm representatividade. E depois de mais de 3 mil quilômetros de testes, já é possível projetar Red Bull e McLaren como as mais eficientes no momento. Ferrari e Mercedes, apesar do elevado investimento, ainda estão atrás.

  O cenário é semelhante ao do final do campeonato de 2011. Sebastian Vettel e Mark Webber, a dupla da Red Bull, na frente, e na sequência a dupla da McLaren, Jenson Button e Lewis Hamilton. Há, porém, uma diferença importante. Button a descreveu no Circuito da Cataluna, depois de confrontar a McLaren MP4/27-Mercedes com a Red Bull RB8-Renault. “Eles ainda têm uma vantagem, mas é pequena.”

  Na temporada passada, o projetista da Red Bull, Adrian Newey, explorou como ninguém o conceito do escapamento aerodinâmico e conseguia, por vezes, ser mais de um segundo mais rápido que todos. “Este ano esse recurso está proibido”, lembra o bicampeão, Vettel. “Por isso espero uma luta apertada”. E é o que o ensaio em Barcelona mostrou.

  Evidenciou, ainda, que a Red Bull pode não começar o campeonato com a impressionante confiabilidade do ano passado. Vettel e Webber enfrentaram problemas pouco comuns na escuderia, em especial com a nova transmissão. Percorreram menos quilômetros que a McLaren, por exemplo, 3.532,3 contra 3.009,6, o equivalente a quase dois GPs.

  Ross Brawn, em 1995 diretor técnico da Benetton, campeã com Michael Schumacher, afirmou ao Estado, no Japão: “Até descobrirmos um acerto básico para o carro, tínhamos dúvidas sobre sua competitividade”. E explicou: “Depois que encontramos o caminho entendemos seu imenso potencial”. Acredite: Brawn me contou que quando testaram uma forma completamente distinta de ajustar as suspensões, em especial a carga do amortecedor, o carro respondeu de forma a impressioná-los. “Mudou tudo a partir daquele instante. Entendemos como o projeto funcionava”, disse-me Brawn há quase 17 anos e não esqueci.

Pode vir a ser o caso da Ferrari, agora, com o seu F2012, projeto inovador. Felipe Massa afirmou sexta-feira, em Barcelona, que a escuderia encontrou o caminho. Seria bom para ele e para a Fórmula 1 também. A Ferrari entrar na luta com Red Bull e McLaren é garantia de maior interesse pela competição.

 No próximo teste da Ferrari, de 2 a 5, da mesma forma no Circuito da Catalunha, os italianos devem vir mais fortes. Mas tanto Alonso quanto Massa já adiantaram que seria surpreendente começar o Mundial no mesmo nível de Red Bull e McLaren. “Temos muito trabalho ainda pela frente”, comentou Massa.

 O caso da Mercedes, de Michael Schumacher e Nico Rosberg, é parecido. Ambos expressaram contentamento com o avanço, mas disseram-se conscientes de que a Mercedes não está, por enquanto, no mesmo nível de Red Bull e McLaren. Dá para imaginar, no entanto, que Rosberg e Schumacher possam chegar ao pódio este ano, o que não aconteceu no ano passado.

A dúvida é a Lotus. Em Jerez sugeriu dispor de um carro veloz, E20-Renault, mas não pôde treinar em Barcelona por uma falha de projeto. Comentou-se semana passada no autódromo que existe um problema estrutural nas laterais. Devem estar trabalhando 24 horas por dia para reprojetar e construir os novos componentes. Pode até ser que o carro tenha de passar por novo crash test. O monocoque é homologado e não é possível modifícá-lo ao longo do ano. Mas se proceder que a falha é nas laterais, a dificuldade passa a ser menos grave. Tomara. Seria ótimo ver a Lotus, só para lembrar, ex-Renault, lutando lá na frente. O ensaio de 1 a 4, com os demais, exceto Ferrari e Red Bull, responderão várias questões a respeito da Lotus.

 Force India, Sauber, Toro Rosso e Williams, de Bruno Senna, estão num nível muito semelhante, bem como se aproximaram das melhores. As quatro disputam o sexto lugar entre os construtores, depois de Red Bull, McLaren, Ferrari, Mercedes e Lotus. “Será ponto a ponto”, disse à imprensa italiana Giorgio Ascanelli, diretor técnico da Toro Rosso.  Essa disputa deve ser sensacional pelo que vimos até agora. Vejo, no entanto, uma vantagem da Force India, até pela maior eficiência de seus pilotos, Hulkenberg e Di Resta. Ambos devem crescer na Fórmula 1, em especial Hulkenberg.

   De quem se esperava bem mais é a Caterham. Ao menos pelo demonstrado em Barcelona, o carro não reduziu como se esperava a diferença que a separa desse grupo formado por Force India, Sauber, Toro Rosso e Williams. Usa motor Renault, transmissão e kers da Red Bull, tem orçamento razoável… Seria bem legal ver a Caterham não tomar tantos segundos desse bloco como vimos na Espanha. Agora, a venda do grupo Proton, a quem pertence a Caterham, antes propriedade do governo malaio, a um grupo privado, da mesma nação, coloca em xeque o futuro da escuderia. O que os novos donos pensam a respeito do elevado investimento na Fórmula 1 ainda é desconhecido. Este ano está garantido. O próximo, não.

 O que dizer de Marussia e HRT, que sequer apresentaram seus modelos 2012. Há gente capaz lá, sem dúvida, mas diante de tantas dificuldades praticamente competem numa categoria à parte.

  O próximo treino no Circuito da Catalunha, último da pré-temporada, pode alterar um pouco esse desenho de como deve ser o início da temporada. O que gostaria que ocorresse? Mercedes e Ferrari se aproximassem de Red Bull e McLaren. Mais: Lotus ratificasse a boa impressão deixada em Jerez e se juntasse à Mercedes e Ferrari. Não acabou: Williams, Toro Rosso, Force India e Sauber ratificassem a acirrada luta entre si e, preferencialmente, ainda mais perto de Red Bull, McLaren, Mercedes, Ferrari e Lotus. Desejaria mais: a Caterham com performance bem melhor de Barcelona e os líderes de Marussia e HRT tivessem sua tenacidade premiada, com carros que nasçam bem melhores que os de 2011. É sonhar demais, não?

Abraços!  

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.