O que está por detrás do acordo FIA-Briatore-Symonds

liviooricchio

12 de abril de 2010 | 17h50

12/IV/10

Livio Oricchio, de Nice

 Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, já havia dado a dica, há uma semana, ao dizer que Flavio Briatore voltaria à competição. Não mais como diretor de equipe, mas na área promocional do evento. Ontem, a FIA emitiu comunicado para informar ter chegado a um acordo com o polêmico ex-diretor da Renault e seu diretor de engenharia, Pat Symonds: ambos podem retomar suas atividades no automobilismo a partir de 2012, mas na Fórmula 1 apenas em 2013.

Os dois haviam sido banidos dos esportes da FIA dia 21 de setembro, decisão revogada pela justiça comum francesa dia 5 de janeiro, pelo envolvimento no escândalo do GP de Cingapura de 2008, em que Nelsinho Piquet, atendendo a solicitação de ambos, provocou um acidente a fim de que, com a entada do safety car, o outro piloto da Renault, Fernando Alonso, se posicionasse para vencer a corrida, como ocorreu.

Briatore negou, ontem, envolvimento pessoal no caso, embora reconhecesse sua culpa por ser o diretor da equipe. A FIA desistiu de recorrer da decisão da Corte de Paris.

 O acordo de ontem só foi possível por causa de uma mudança nos estatutos da entidade. Desde que o seu atual presidente, Jean Todt, substituiu Max Mosley, em outubro do ano passado, começaram os estudos para uma revisão conceitual no conjunto de regras que rege as relações entre a FIA e equipes e profissionais da Fórmula 1. No comunicado de ontem, a FIA esclareceu que no dia 11 de março, em Bahrein, o seu Conselho Mundial decidiu adotar um código que serve de referência para o julgamento dos processos disciplinares.

E, a seguir, explica: “O Conselho deu ao presidente autoridade para buscar um acordo judicial ou extrajudicial, visando defender os interesses da FIA.” Como estender o caso na justiça desgastaria ainda mais a entidade, a suspensão dos dois envolvidos por mais dois anos satisfez a todos.

 E daqui para a frente será assim: Todt vai poder na base do diálogo procurar soluções que visem a preservação dos princípios da FIA e os interesses da Fórmula 1.

É essa postura mais inteligente, aberta, sem os rancores da administração de Mosley, que hoje gerencia a competição. E profissionais como Ron Dennis já estão de volta também. Ele teve a cabeça a prêmio pelo ex-presidente da FIA, no ano passado, como parte de um acordo para não excluir a McLaren da Fórmula 1. Lewis Hamilton, piloto da equipe, mentiu para os comissários do GP da Austrália.

 Mosley aproveitou para descontar toda sua antiga ira sobre o ex-mecânico que, por ser competente, fez a McLaren ser o que é, sem tirar sua responsabilidade no escândalo de espionagem na Ferrari. Mas não justifica sua exclusão da Fórmula 1.

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