O que falta na Ferrari é comando

liviooricchio

20 de abril de 2009 | 12h02

20/04/09

Amigos, escrevo ainda aqui de Xangai. Esse é o texto de minha coluna, hoje, no JT

Já estava com essa impressão há algum tempo e nas três etapas disputadas este ano tornou-se convicção: falta uma liderança forte na Ferrari. Stefano Domenicali é um profissional dos mais capazes, dos mais sinceros, bem distinto da maioria na Fórmula 1, mas talvez seja o caso de rever sua política de democracia demais.

Calma, seria presunção demais, eu ,aqui, ficar dizendo o que a Ferrari tem ou não de fazer. Mas convivendo dias inteiros nos autódromos com pessoas da equipe que você conhece há muitos anos, não é pretensão demais dizer que falta comando no grupo. Domenicali costuma dizer que seu estilo de dirigir a Ferrari é diferente, por exemplo, do de Jean Todt.

Adota a chamada democracia com responsabilidade. Mas o que parece faltar é exatamente essa responsabilidade. Aliás, não está mais claro qual é a responsabilidade de cada um. Daí, na leitura de quem acompanha os trabalhos do lado de fora dos boxes, a existência de tantos erros, de toda natureza.

De repente, o carro começou a apresentar mais problemas do usual, o time adotou opções estratégicas equivocadas e uma série de suas avaliações pode ser questionada. Volto ao termo do princípio. A impressão é de que tudo isso tem uma origem: alguém que defina com precisão as atribuições de cada um e cobre eficiência com determinação.

O grupo de profissionais é basicamente o mesmo de 2007 e 2008, com mudanças não significativas. Como explicar que, de repente, passou da produção em alto nível, ainda que também tenha falhado, mas muito menos, para a execração total. Não marcou um único ponto ainda no campeonato.

Penso que a resposta está na incerteza interior da maioria dos seus integrantes, o que não ocorria. Pelo contrário, cada profissional conseguia tirar de si até um pouco mais de sua capacidade. Sabia o que era cobrado e como deveria responder com precisão. Agora parece estar tudo meio que ao Deus dará. Isso, definitivamente, não funciona na Fórmula 1.

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