O que pode acontecer com os implicados no caso

liviooricchio

11 de setembro de 2009 | 10h30

11/IX/09
GP da Itália
Livio Oricchio, de Monza

“Espero que não seja verdade, mas a conheceremos, a FIA tem como saber”, disse Rubens Barrichello, da Brawn GP, um dos poucos a se manifestar, ontem, a respeito de resultado fabricado no GP de Cingapura de 2008. “Nelsinho nunca relacionou os meus problemas com o seu pai com a nossa relação, tenho muito respeito por ele, mas se alguém tem capacidade de fazer isso não merece estar no esporte, é perigoso para todo mundo.”

Mesmo sendo o piloto mais experiente da Fórmula 1, com nada menos de 270 GPs, Rubinho comentou: “Eu nunca ouvi nada parecido, um piloto provocar um acidente”. Guardadas as proporções, o ocorrido com ele na Áustria, em 2002, lembrou a de Nelsinho. Rubinho freou antes da linha de chegada para deixar Michael Schumacher, companheiro de Ferrari, vencer, por ordem da equipe. “Mas não havia um script. E eu fiz na cara de todo mundo, depois da última curva, depois de oito voltas de negociação, via rádio, que era para todo mundo ver.”

Apesar de quase ninguém desejar abordar o delicado assunto, ontem, na maior parte das conversas não se falou de outra coisa: o que acontecerá se tudo for provado?

“Será difícil provar a culpa da equipe. A telemetria não é, nesse caso, evidência concreta de culpa do piloto, bem como as conversas por rádio, até onde se sabe, não são comprometedoras”, diz uma fonte da Ferrari. “E não havendo provas, ficará a palavra do piloto, bastante atingido emocionalmente, contra a de Flavio Briatore. Não é difícil imaginar quem ganha.”

Por questões éticas e até para obedecer à FIA, que solicita isenção de todos na Fórmula 1 até o veredicto final, pilotos e diretores das equipes, por exemplo, não abordam o tema, ao menos de forma oficial. “Não acredito que Bernie Ecclestone vai aceitar a perda de mais um time. A BMW já avisou que vai deixar a Fórmula 1, a Toyota pode seguir o mesmo caminho e agora a Renault, se for punida?, questiona o dirigente de uma importante escuderia.

O mais aceito ontem, em Monza, era uma saída negociada ao menos para manter a Renault na competição. Uma punição exemplar levaria a montadora a deixar a Fórmula 1. “Acredito que vão centralizar a culpa nos dois envolvidos, Briatore e Symonds (diretores da Renault). Serão suspensos por bom tempo”, comenta outro integrante de equipe.

Os dois principais envolvidos não se pronunciaram ontem. “A Renault distribuiu comunicado segunda-feira e não há nada de novo”, afirmou a assessora do time francês, Clarisse Hoffmann. Briatore e Symonds, ao menos na aparência, sugerem estar tranquilos. “Somos vítimas dos Piquet”, definiu o italiano no comunicado.

Mas Briatore sabe que apesar da proximidade com Ecclestone e sua liderança na associação das equipes (Fota), desta vez a sua situação é gravíssima. Se for comprovada sua participação, deixará a Fórmula 1 pela porta dos fundos. Nelsinho não deverá ser punido pela FIA, como parte do acordo para dar todos os detalhes do ocorrido, a exemplo de Fernando Alonso, em 2007, quando disponibilizou a Max Mosley o relatório da espionagem da sua equipe, McLaren, sobre a Ferrari.

Nesta sexta-feira, pela manhã, a Renault anunciou que processará Nelson Piquet, pai e filho, até por tentativa de extorsão, com a denúncia feita à FIA.

E também hoje cresceu bastante a crença, na Fórmula 1, de que não será fácil provar o que Nelsinho alega no documento enviado à FIA, apesar de a maioria reconhecer que a história é verdadeira. Em outras palavras, Briatore e Symonds podem acabar saindo ilesos de mais uma falcatrua. E Nelson e Nelsinho tenho ainda de responder a processo criminal.

Há muitos interesses em jogo para que os Piquets vençam. Isso custaria o fim da carreira de Briatore, um dos líderes da Fota e amigo e sócio de Ecclestone em alguns negócios. Possível, claro, mas a lógica começa a dar sinais claros de que irá sobrar é para os Piquet.

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