O resultado da pesquisa eleitoral para a prefeitura de São Paulo atrasou meu retorno

liviooricchio

10 de abril de 2008 | 15h01

10/IV/08

Pousei. Não vim de carona com a equipe Super Aguri, como disseram. Ou a pé ou a nado, como tenho certeza que pensaram também. Estive pensando nas razões dessa minha sutil demora para regressar. Tudo bem que é longe, mas daria, sim, para chegar um pouco antes. Quer saber de uma coisa? Tenho fortes suspeitas do porquê eu me sentir assim meio desentendido ao colocar os pés no Brasil. Desejas conhecer o motivo?

É que li a pesquisa sobre intenção de votos nos candidatos à prefeitura de São Paulo e a dona Marta Suplicy surge como líder. Não me levem a mal amigos, mas convivo nos últimos anos no exterior com pessoas que, ao contrário do que muitos brasileiros pensam, não representam lá exemplo máximo para nada, mas ao mesmo tempo não há como negar que uma certa lógica orienta suas vidas.

E essa lógica passa distante da média dos cidadãos que por aqui habitam. A ausência de memória e de exercícios de lógica dos mais simples, coisa do tipo eu fiz isso e aconteceu aquilo, logo se eu repetir meu ato o resultado deverá ser o mesmo, faz com que parte de nossa nação se caracterize por um certo masoquismo.

Para tentar reeleger-se prefeita de São Paulo, a senhora Marta Suplicy ordenou a conclusão de obras sem que todas as suas etapas fossem observadas. Não havia tempo. Era preciso impressionar. Resultado: para funcionarem de acordo com o projeto, teriam, agora, de ser demolidas. Você não impermeabiliza as paredes de um túnel depois de pronto, mas antes, por exemplo. Dentre tantas outras ações incompreensíveis tecnicamente, mas de fácil entendimento quando se sabe qual sua intenção com tamanha irresponsabilidade.

Se aquela lógica que mencionei ainda há pouco fosse mais praticada no País, de modo geral, e essencialmente houvesse o mais leve senso de justiça por aqui, a referida política, elevada à categoria de ministra, imagine, estaria respondendo a uma severa acusação: crime de responsabilidade civil. No mínimo. Não se candidataria a nada e parte de seus muitos e muitos bens pessoais estariam comprometidos judicialmente com eventual indenização à prefeitura. A nós, senhores.

Livio Oricchio, para que não haja nenhum dúvida sobre quem escreveu.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.