Olha, a Austrália é longe mesmo, viu…

liviooricchio

21 de março de 2007 | 02h52

Puxa, cheguei. Nem acredito! A Austrália é longe, viu. Quer ver? Vamos colocar tudo no horário brasileiro, tá? Hora de Brasília em razão de termos 4 fusos horários no País.

Sai do Elizabeth Tower Hotel, localizado exatamente em frente à Universidade de Melbourne, às 5h30 da manhã. Pense que para apurar, ouvir todos que desejava, compreender bem o ocorrido na abertura do Mundial, redigir, gravar meus comentários para as rádios Globo e CBN permaneci na sala de imprensa até a meia noite e 15 minutos, portanto já segunda-feira para mim. 10h15 de domingo, horário de Brasília.

Atravessei parte do Albert Park naquele horário, cerca de 500 metros, carregando com minha bolsa pessoal, a do lap top e o material técnico da rádio. Participo das transmissões ao vivo. Rádio é uma delícia. Me dou muito bem com o Celso Itiberê, o comentarista. Penso que nos completamos legal no ar, sem vaidades, pensando, sempre, no ouvinte.Dividimos nossas análises procedentes e equívocos, como não? Fazem parte.

Estava com sorte. Não pergunte o porquê, mas a tal da danceteria existente bem em frente à saída do portão 1 do Albert Park, na Candibury Road não funcionou domingo. Assim, não foi como em outros anos em que os táxis eram disputados quase a tapas. Bêbados eram frequentes naquela área. Desta vez não esperei muito pelo meu.

Como conheço já alguns dos hábitos da cidade do estado de Vitória, refiro-me a Melbourne, solicitei ao motorista para passar em determinado lugar por existir lá um McDonalds aberto. Isso mesmo, McDonalds. Eu, que amo comer bem, comida e não lanche, tive de recorrer ao McDonalds.

Passamos pelo drive-through e tomamos o rumo do hotel. Entrei no meu quarto por volta da 1h15. Meu avião decolaria do aeroporto de Melbourne para Sidney às 8 horas, mas minha experiência mostra que as cerca de 3 mil pessoas que se deslocam com a Fórmula 1 a cada etapa estariam lá bem nesse horário, ao menos a maioria.

Depois da ducha dos deuses, daquelas de lavar a alma, comi o “delicioso” lanche adquirido no McDonalds. Frio, lógico! Pensei no glamour da Fórmula 1. Mas com aquela gostosa sensação de ter realizado o meu trabalho razoalvelmente todos os dias.

Quero dizer: um pouco mais próximo do meu ideal de mudar a natureza da cobertura. Explorar mais histórias de personagens, passagens curiosas, reportagens mais com cara de revista que de jornal. Por quê? Simples: o jornal, hoje, tem vários concorrentes. O principal deles não é a TV, mas a Internet.

Ou repensamos a função do jornal na sociedade ou a longo prazo ele deixará de existir. Meu trabalho visou muito mais atender a quem tinha já a informação do ocorrido e desejava algo que a Internet e a TV não haviam explorado ainda. É o começo, estou aprendendo, tenho muito a evoluir. Você tem alguma sugestão? Que tal dividirmos essa nova receita editorial?

Onde estava mesmo? É o fuso horário se manifestando. Ah, lembrei. Acabei de deixar a minha bagagem pronta às 3 horas. Pedi ao senhor da recepção que me acordasse às 5 horas, para tomar um banho e seguir, de táxi, para o aeroporto, às 5h45. Pretendia chegar lá às 6h30 a fim de evitar as assustadoras filas do check in da Quantas e do controle de segurança da bagagem de mão. Dormi duas horas.

Deu certo. Contrariamente ao que ocorreu em outras edições do GP da Austrália, desta vez não tive grandes dificuldades para deixar o aeroporto de Melbourne. Mas sabia que o desafio maior era o curto prazo de conexão em Sidney. Em 1995, eu e o atual editor de esportes da Folha, José Mariante, na época nos tornamos bem amigos, perdemos o vôo que nos levaria para o Japão por causa do atraso na saída em Adelaide, ainda. Isso nos custou um dia a mais de viagem.

Se eu não conseguisse chegar a tempo para o vôo da Lan Chile, em Sidney, teria de pemanecer dois dias na cidade. O que, para mim, não representaria nenhum sacrifício. Realmente gosto da Austrália. Já passei temporadas em várias de suas regiões.

Não preciso dizer que os 10 dias que me permiti em Port Douglas e Caerns, na Golden Cost, na grande barreira de corais, estão dentro os meus períodos mais bem aproveitados pelos oferecidos durante a cobertura da Fórmula 1.

No laço, mas deu. Apresentei-me para o embarque do võo 800 da Lan Chile dentre os últimos passageiros. A mudança de terminal e a fila no controle de passaportes quase me deixam em Sidney. Em algum nível de consciência torci para dar errado.

Há três anos fiz amizade com um piloto de hidroavião que parte de Rose Bay, em Sidney, e durante um dia todo o acompanhei no seu trabalho de levar passageiros a hotéis instalados em locais meio inóspitos do litoral da costa, fora da baía de Sidney. E depois recolhê-los, bem entendido.

Quase não curti a experiência, justo eu que não gosto de voar. Ocupei o assento do co-piloto e, por uns instantes, quando estávamos sozinhos, permitiu que eu sentisse o delicioso e estável monomotor Beaver canadense, para oito pessoas.
Vamos encurtar essa história antes que alguém não só não prossiga a leitura como desligue o computador de raiva. Cerca de 3 horas e meia de vôo. Com o Beaver não, mas com o tão avançado tecnicamente quanto desrespeitoso para o passageiro Airbus A340 e pousamos em Aukland, Nova Zelândia.

Não me lembro o ano, mas creio que em 1999, passei alguns dias lá com José Carlos Brunoro, Flavio Gomes, hoje na ESPN, e Fábio Seixas, da Folha de São Paulo. E lógico, aproveitamos muito. A natureza distinta e bela, com seus vulcões, nos cativou bastante. Quero voltar a Nova Zelândia e conhecer um pouco mais do muito que oferece em esportes radicais. Os que envolvem voar, de preferência.

Outras 12 horas na lata de sardinha do A340 e tocamos o solo de Santiago, no Chile. Lá fiquei horas até embarcar no vôo das 20 horas – embora houvesse um vôo mais cedo – e pousar aqui em São Paulo perto da meia-noite, o que correspondia às 14 horas de quem está em Melbourne.

Faça as contas comigo: mais de um dia e meio de viagem. Estou certo quando digo ser longe? Mas que saber de uma coisa? Faria o caminho de volta para acompanhar outro GP da Austrália!

Nosso próximo encontro será em Kuala Lumpur, na Malásia.

Grande abraço, amigos.

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