Pai de Hamilton pede que empresários ajudem o filho

liviooricchio

27 de setembro de 2011 | 13h30

26/IX/11

Livio Oricchio, do aeroporto de Cingapura

 Amigos, enviei este texto ao Estadão, ontem, do aeroporto de Cingapura. Sei que o assunto perdeu impacto, mas o contextualizo aqui, o que ainda o deixa um tanto oportuno. Abraços!

  Depois de ver o filho ser punido mais uma vez pelos comissários desportivos, domingo no GP de Cingapura, o pai de Lewis Hamilton, Anthony Hamilton, deu o diagnóstico para a causa de tantos problemas do piloto da McLaren: a falta de apoio da empresa que gerencia sua carreira. Em março, Lewis assinou com a XIX Entertainment, de Simon Fuller, respeitado por criar programas de TV de sucesso, mas sem experiência no automobilismo.

  “Os responsáveis pela trajetória de Lewis têm de fazer mais”, afirmou Anthony, em Cingapura, à BBC. “Olhe no paddock, todo piloto está acompanhado do seu gerente, está sempre aqui e presente na vida do piloto.” Hamilton não tem ninguém que o segue de perto. O que está por detrás da declaração de Anthony, também, é sua mágoa com o fato de o filho não mais desejar que ele próprio conduzisse seu rumo profissional.

  Segundo se comenta na Fórmula 1, Lewis teria se cansado de pagar ao pai porcentagem tão elevada que nenhum outro empresário cobra. Em geral, essa porcentagem varia de 10 a 20% do faturamento. Comenta-se, e deve ser verdade, que o pai ficava com metade do faturado pelo filho. Hoje Anthony é o responsável pela carreira do escocês Paul Di Resta, da Force India, que faz sua temporada de estreia na Formula 1 e já causou boa impressão. Domingo classificou-se em sexto.

  A punição de drive through imposta a Hamilton domingo, por, precipitadamente, tentar ultrapassar Felipe Massa, da Ferrari, e furar seu pneu, foi a sexta este ano, embora há quem diga que se os comissários fossem mais criteriosos teriam sido mais. “Lewis não é o mesmo piloto do título de 2008”, afirmou Jackie Stewart, três vezes campeão do mundo, ao Estado, em Cingapura.

  Depois, em entrevista ao site da revista inglesa Autosport, Stewart comentou: “Lewis não pode se envolver em tantos acidentes se deseja ser um grande piloto. Nenhum dos grandes nomes da Fórmula 1 pilotou dessa maneira”. Hamilton prejudicou Fernando Alonso, da Ferrari, na Malásia, Massa e Pastor Maldonado, Williams, em Mônaco, Mark Webber, Red Bull, no Canadá, Paul Di Resta, na Hungria, e Massa em Cingapura.

 Apesar do interesse de Anthony em desmerecer os novos gerentes da carreira do filho, sua impressão vai ao encontro do que muita gente experiente na Fórmula 1 pensa. “Falta assessoria a Lewis”, disse, ao Estado, uma fonte da Renault. Já em Mônaco, este ano, Flavio Briatore, ex-diretor do time francês, em conversa informal com os jornalistas, disse: “Estão passando demais a mão na cabeça de Lewis”. Na sequência, comentou se impressionar com o talento de Hamilton, mas que o via “sem rumo”.

  Ao menos diante das câmaras, a postura de Martin Whitmarsh, diretor da McLaren, é mesmo de condescendência com as atitudes desmedidas do seu piloto na pista, o que também não ajuda. “Lewis precisa pensar em gerenciar seus impulsos”, afirma Stewart.

  Resta saber como vai se comportar na próxima etapa, o GP do Japão, dia 9, provavelmente o de definição do título para Sebastian Vettel, da Red Bull. É capaz, agora, de a McLaren agir no sentido de não só amparar, mas essencialmente cobrar Hamilton e, quem sabe, os responsáveis por sua carreira também.

 

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