Patrese: "Recordes existem para serem quebrados"

liviooricchio

04 de abril de 2008 | 16h47

04/IV/08
GP de Bahrein
Livio Oricchio, de Manama

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Enquanto Michael Schumacher não dizia ao mundo esportivo se continuaria correndo ou encerraria a carreira, depois de conquistar sete títulos mundiais, em 2006, Riccardo Patrese, piloto com maior número de participações em corridas de Fórmula 1, 256, aposentado em 1993, mandou um recado, rindo, ao alemão: “Se você for bater o meu recorde eu alugo um carro de Fórmula 1 só para permanecer em primeiro”.

Ontem, no circuito de Sakhir, Patrese, perto de completar 54 anos (dia 17), reconheceu que seu recorde finalmente será superado, não por Schumacher, mas por Rubens Barrichello e não deixou de elogiá-lo. “É um pecado, gostaria de manter meu recorde, mas se alguém é capaz de permanecer tanto tempo na Fórmula 1 é porque apreciam o seu trabalho.”

Rubinho está disputando em Bahrein sua prova de número 255, segundo sua contagem. Na seguinte, dia 27, em Barcelona, iguala a marca histórica do italiano para dia 11 de maio, em Istambul, tornar-se o piloto de maior longevidade de todos os tempos na Fórmula 1, 257 GPs.

Patrese comentou ser correto o critério de Rubinho, que leva em conta as corridas da Espanha e da França de 2002, quando sua Ferrari foi retirada do grid instantes antes da largada por problemas técnicos. “Ele disputou os treinos, foi para o grid, participou do fim de semana de competição, o que para mim vale.”

Mostrou, também, resignação: “Os números falam por si sós, recordes existem para serem quebrados, não nos cabe julgá-los.” Agora, falar da Fórmula 1 de hoje é com ele mesmo. Raramente vai às provas. “Vim aqui porque a TV italiana me convidou para comentar a corrida e rever velhos amigos”, disse. “Tudo é muito diferente de quando a deixei, em 1993.”

O desafio hoje é distinto, segundo Patrese, cada vez mais envolvido com competições amadoras de hipismo, onde monta. “O piloto tinha maior responsabilidade no resultado. Os engenheiros estudam, agora, como seu piloto deve ultrapassar um adversário nos pit stops. É a eficiência matemática que determina se você vai ganhar uma posição na pista.”

Na sua carreira Patrese conquistou 8 pole positions e 6 vitórias e em 1992 foi vice-campeão do mundo, pela Williams.

Em 1978, na sua primeira temporada inteira na Fórmula 1, Patrese viveu seu momento mais triste no automobilismo. Acabou responsabilizado pelos líderes dos pilotos na época pela morte de Ronnie Peterson, na etapa de Monza. Na largada, deslocou sua Arrows para a esquerda, obrigando James Hunt, da McLaren, também virar bruscamente na mesma direção.

Na manobra, Hunt tocou na Lotus de Peterson causando um acidente múltiplo. “Eles, James Hunt, Niki Lauda e Mario Andretti foram injustos comigo. Me colocaram no banco dos réus sendo que a FIA não me puniu. Os três me proibiram de correr a etapa seguinte, em Watkins Glen”, conta, sem esconder certa mágoa, 30 anos depois.

“O único que teve sensibilidade com a situação foi Emerson Fittipaldi, que me ligou e explicou as razões de o grupo me impedir de correr.” Falou, ainda, que os pilotos não punem ninguém, por ser uma responsabilidade da FIA. “Os três decidiram tudo, não democraticamente e sem critérios técnicos.”

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