Petrov deve substituir Trulli na Caterham

liviooricchio

25 de janeiro de 2012 | 19h50

25/I/12

Livio Oricchio, de Nice

  Desde que Eric Boullier, diretor da Lotus, ex-Renault, disse ao russo Vitaly Petrov que não renovaria seu contrato, em dezembro, o piloto e sua empresária, Oksana Kosachenco, começaram uma busca incessante para manterem-se na Fórmula 1, com o apoio de Bernie Ecclestone. Petrov conta, ainda, com investimento direto do governo russo, ordenado por ninguém menos de Vladimir Putin, o primeiro ministro. Ontem, Petrov disse na apresentação dos pneus Pirelli para a temporada, em Abu Dabi, que provavelmente em uma semana poderá falar sobre seu futuro. Muito provavelmente já está definido: substituir Jarno Trulli na equipe Caterham, que ontem apresentou no seu Tweeter uma foto do modelo a ser lançado oficialmente hoje.

 Petrov e seu companheiro, Bruno Senna, ficaram sem equipe depois do GP do Brasil, último de 2011. Gerard Lopez, dono da Lotus, investiu em Kimi Raikkonen e está acreditando no francês Romain Grosjean para tornar a equipe mais competitiva. Mas Petrov tem apoio político, de Ecclestone, que fechou com Putin a introdução da Russia no calendário da Fórmula 1, a partir de 2014. Mais: dinheiro, tão necessário hoje para as escuderias, proveniente de estatais russas. Resultado: dificilmente ficaria fora do grid. Bruno também acertou sua vida, ao assinar com a Williams, mas sem contar com o apoio de Ecclestone.

 Tony Fernandez, dono da então Lotus, hoje Caterham, já havia adiantado que se chegasse alguém com experiência e patrocínio, Jarno Trulli, que realizou trabalho fraco em 2011, poderia perder a vaga. É o que se espera que vá acontecer, embora haja quem pense ser possível Petrov substituir o alemão Timo Glock na Marussia, equipe de capital russo, apesar do belo serviço prestado por Glock à organização. Como se vê, afirmar “mercado fechado” na Fórmula 1 é sempre um risco.

  Ontem à tarde, em conversa telefônica com vários amigos, um da Itália, outro da Finlândia e Espanha, com quem normalmente troco ideias e informações, ficou claro que Petrov até mesmo já assinou com a Caterham. Ecclestone ajudou diretamente a realização do negócio. O dirigente não quer mais saber de pilotos que há muito navegam pela Fórmula 1. E entre o veterano Trulli e o jovem Petrov, com seu imenso potencial comercial, não há o que pensar.

 Os detalhes do modelo CT01, equipado com motor Renault, serão apresentados hoje pela Caterham. Na sua terceira temporada, deverá crescer ainda mais de no ano passado, quando foi, de longe, a mais eficiente dentre as três que estrearam no campeonato anterior, em 2010. Mike Gascoyne, diretor-técnico, sempre acessível e sincero com alguns jornalistas que conhece desde os tempos da Tyrrell, nos disse que acredita ser possível a Caterham entrar no bloco de Toro Rosso e Sauber este ano. Torço por seu sucesso.

 

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